domingo, 15 de setembro de 2019

UTILIDADE PROVIDENCIAL DA RIQUEZA. PROVAS DA RIQUEZA E DA MISÉRIA.


7. A riqueza se tornaria um obstáculo absoluto à salvação daqueles que a possuem se interpretarmos ao pé da letra certas palavras de Jesus e não procurarmos entender o seu sentido. Deus, que a distribuiu, teria colocado nas mãos de alguns um meio inevitável de perdição, pensamento que contraria a razão. A riqueza é, sem dúvida, uma prova bastante arriscada, mais perigosa do que a miséria, em virtude das excitações, das tentações que oferece e da fascinação que exerce. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual; é o laço mais forte que prende o homem à Terra e desvia seus pensamentos do Céu. Causa tamanha perturbação, que se vê, frequentemente, aquele que passa da miséria à fortuna esquecer-se depressa da sua condição anterior, daqueles que foram seus companheiros, que o ajudaram, tornando-se insensível, egoísta e fútil. Mas, embora a riqueza dificulte o caminho, não significa que o torne impossível e não possa vir a ser até um meio de salvação nas mãos daquele que dela sabe fazer bom uso, tal como certos venenos que restabelecem a saúde, quando empregados apropriadamente e com equilíbrio.
Quando Jesus responde ao jovem que o interrogava sobre os meios de alcançar a vida eterna: desfazei-vos de todos os vossos bens e segui-me, não pretendia estabelecer como condição absoluta que cada um deva se desfazer do que possui, e que a salvação só se consegue a esse preço, mas mostrar que o amor possessivo aos bens terrenos é um obstáculo à salvação. Aquele jovem, de fato, julgava-se quite com a lei, porque havia cumprido certos mandamentos e, no entanto, recua perante a ideia de abandonar seus bens; seu desejo de alcançar a vida eterna não ia até ao sacrifício de desfazer-se do que possuía.
A proposta de Jesus era uma questão decisiva para esclarecer o pensamento do jovem. Ele podia, sem dúvida, ser um padrão de homem honesto perante o mundo, não fazer o mal a ninguém, não maldizer seu próximo, não ser nem leviano, fútil ou orgulhoso, honrar seu pai e sua mãe; mas não possuía a verdadeira caridade, pois sua virtude não chegava até a renúncia em favor do próximo. O que Jesus quis demonstrar era uma aplicação do princípio: fora da caridade não há salvação.
A consequência destas palavras, se consideradas ao pé da letra, em seu exato sentido, seria a abolição da riqueza por ser prejudicial à felicidade futura, e como causa de incontáveis males na Terra. Seria também a condenação do trabalho que a pode conquistar. Isto seria um absurdo, uma vez que reconduziria o homem à vida selvagem, e que estaria em contradição com a lei do progresso, que é uma Lei de Deus.
Se a riqueza é a fonte de muitos males, se provoca tantas más paixões e tantos crimes, não é a ela que devemos culpar, e sim ao homem que dela abusa, como abusa de todos os dons que Deus lhe dá. Esse abuso torna ruim o que lhe poderia ser útil. É a consequência do estado de inferioridade do mundo terreno. Se a riqueza devesse apenas produzir o mal, Deus não a colocaria na Terra; cabe ao homem fazer dela surgir o bem. Se ela não é um elemento direto do progresso moral, é, sem contestação, um poderoso elemento de progresso intelectual.
De fato, o homem tem por missão trabalhar para o melhoramento material da Terra; deve desbravá-la, prepará-la e saneá-la para um dia receber toda a população que sua extensão comporta; para alimentar toda essa população que cresce sem cessar, é preciso aumentar sua produção; se a produção de uma região é insuficiente, é preciso procurá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos tornam-se uma necessidade; para facilitá-las, é preciso destruir os obstáculos materiais que as separam, e tornar as comunicações mais rápidas. Para os trabalhos das gerações, que se realizam no decorrer dos séculos, o homem teve de extrair materiais das próprias entranhas da Terra; procurou na Ciência os meios de executá-los mais segura e rapidamente; mas, para fazê-los cumprir, necessitava de recursos: a necessidade fez com que criasse a riqueza, assim como ela o fez descobrir a Ciência. A atividade exigida para esses mesmos trabalhos aumenta e desenvolve sua inteligência; essa inteligência, que ele a princípio concentra na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sem a riqueza, que é o principal meio de realização das necessidades do homem, não haveria grandes trabalhos, nem atividades, nem estímulos, nem pesquisas. É, com razão, que ela é considerada um elemento de progresso.

OURO E PODER

Muita gente acredita encontrar na riqueza e no poder sinais de privilégios, quando ouro e influência simplesmente não passam de recursos destinados à aferição do valor que nos assinala.
* * *
Lembremo-nos de que um homem aprisionado à sombra do cárcere é sempre alguém constrangido a mostrar virtudes que raramente possui.
Silencia por impossibilitado de gritar a desesperação que lhe vergasta o peito e revela quietação e tristeza, quais se fossem humildade e compreensão, porquanto, posto a ferros, é compelido a guardar-se em reserva compulsória.
* * *
Assim também ocorre com a enfermidade e o pauperismo, a inibição e o desvalimento na maior parte das circunstâncias.
Segregada, dentro deles, a alma reencarnada não dispõe de outros meios senão o de aceita-los como preço ao resgate das próprias dívidas.
* * *
Entretanto, qual o sentenciado que abandona a cadeia sob exata observação, assim é a criatura que retém os talentos da fortuna e da autoridade, do equilíbrio e da robustez.
Não se encontram aqueles que os desfrutam na Terra contemplados por favores especiais, mas semi libertados pela benção do Céu, em regime de exame, nas escolas do mundo.
* * *
Dessa forma, nos momentos de paz, segurança e alegria, muitos de nós outros apenas respiramos, à luz de experiências novas, nas quais demonstraremos se não mais precisamos da dor e do infortúnio, na construção da estrada de elevação para Deus.

Livro Dinheiro – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

PARÁBOLA DOS TALENTOS


6. O Senhor age como um homem que, tendo que fazer uma longa viagem para fora de seu país, chamou seus servidores e lhes entregou seus bens. E tendo dado cinco talentos a um, dois ao outro e um a outro, segundo a capacidade diferente de cada um, logo partiu. Aquele, pois, que havia recebido cinco talentos, foi-se embora; negociou esse dinheiro e ganhou outros cinco. Aquele que havia recebido dois, ganhou da mesma forma outros dois. Mas aquele que havia recebido apenas um, cavou um buraco na terra e lá guardou o dinheiro do seu amo. Muito tempo depois, tendo o amo voltado, chamou seus servidores, para que lhe prestassem contas. E aquele que havia recebido cinco talentos veio e apresentou-lhe outros cinco, dizendo-lhe: Senhor, vós me colocastes cinco talentos nas mãos; e tendes aqui mais outros cinco que ganhei. O amo respondeu-lhe: Bom e fiel servidor, porque fostes fiel com pouca coisa, dar-vos-ei muitas outras; entrai no gozo de vosso Senhor. Aquele que havia recebido dois talentos, também veio se apresentar e disse: Senhor, vós me colocastes dois talentos nas mãos; tendes aqui mais outros dois que ganhei. E o amo respondeu-lhe: Bom e fiel servidor, porque fostes fiel com pouca coisa, dar-vos-ei muitas outras; entrai no gozo de vosso Senhor. Aquele que tinha recebido apenas um talento veio em seguida e lhe disse: Senhor, sei que sois exigente; que ceifais onde não semeastes, e que colheis onde não haveis semeado; porque eu vos temia, fui esconder vosso dinheiro na terra; eis aqui, eu vos entrego o que vos pertence. Mas o amo respondeu-lhe: Servidor mau e preguiçoso, sabíeis que ceifo onde não semeei, e que colho onde não espalhei; devíeis, pois, colocar meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, a fim de que, em meu retorno, retirasse com juros o que me pertencia. Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o àquele que tem dez talentos; pois dar-se-á a todos que têm, e terão em abundância; mas àquele que nada tem, tirar-se-lhe-á até mesmo o que parece ter; e que se lance esse servidor inútil nas trevas exteriores: ali haverá choros e ranger de dentes. (Mateus, 25:14 a 30)

ADMINISTRAÇÃO

"Dá conta de tua administração". - Jesus. (LUCAS, 16:2).

Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que realiza na obra do Supremo Pai, e, simultaneamente, é administrador, porquanto cada criatura humana detém possibilidades enormes no plano em que moureja.
Mordomo do mundo não é somente aquele que encanece os cabelos, à frente dos interesses coletivos, nas empresas públicas ou particulares, combatendo intrigas mil, a fim de cumprir a missão a que se dedica.
Cada inteligência da Terra dará conta dos recursos que lhe foram confiados.
A fortuna e a autoridade não são valores únicos de que devemos dar conta hoje e amanhã o corpo é um templo sagrado.
A saúde física é um tesouro.
A oportunidade de trabalhar é uma bênção.
A possibilidade de servir é um obséquio divino.
O ensejo de aprender é uma porta libertadora.
O tempo é um patrimônio inestimável.
O lar é uma dádiva do Céu.
O amigo é um benfeitor.
A experiência benéfica é uma grande conquista.
A ocasião de viver em harmonia com o Senhor, com os semelhantes e com a Natureza é uma glória comum a todos.
A hora de ajudar os menos favorecidos de recursos ou entendimento é valiosa.
O chão para semear, a ignorância para ser instruída e a dor para ser consolada são apelos que o
Céu envia sem palavras ao mundo inteiro.
Que fazes, portanto, dos talentos preciosos que repousam em teu coração, em tuas mãos e no teu caminho? Vela por tua própria tarefa no bem, diante do Eterno, porque chegará o momento em que o Poder Divino te pedirá: - "Dá conta de tua administração".

Livro Fonte Viva – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

domingo, 1 de setembro de 2019

PARÁBOLA DO MAU RICO


5. Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho, e que se cuidava magnificamente todos os dias. Havia também um mendigo chamado Lázaro, deitado à sua porta, todo coberto de chagas, que desejava saciar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; mas ninguém lhe dava nada, e os cães vinham lamber-lhe as chagas. Aconteceu que esse mendigo morreu, e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. O rico também morreu, e foi sepultado no inferno. E quando estava nos tormentos, levou os olhos ao alto e viu de longe Abraão e Lázaro em seu seio; e gritando, disse estas palavras: Meu Pai, tende piedade de mim, e enviai-me Lázaro, a fim de que ele molhe a ponta de seu dedo na água para refrescar minha língua, pois sofro extremos tormentos nesta chama.
Mas Abraão lhe respondeu: Meu filho, lembrai-vos de que recebestes vossos bens em vida, e que Lázaro somente recebeu males; por isso está agora na consolação, e vós, nos tormentos. E além disso, está firmado um grande abismo entre nós e vós; de maneira que aqueles que querem passar daqui para onde estais não o podem, como não se pode passar daí para cá.
O rico lhe disse: Eu vos suplico que o mandeis à casa de meu pai, onde tenho cinco irmãos, a fim de que lhes dê testemunho, para que eles também não venham para este lugar de tormentos. Abraão lhe disse: Eles têm Moisés e os profetas; que eles os ouçam. Mas o rico respondeu: Meu pai, se algum dos mortos for encontrá-los, farão penitência. Abraão lhe respondeu: Se eles não ouvem nem a Moisés nem aos profetas, não acreditarão em mais nada, ainda que algum dos mortos ressuscite. (Lucas, 16:19 a 31)

EM TORNO DA HUMILDADE

"Toda boa dádiva a todo Dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”. - TIAGO. (Tiago, 1:17.).

Afinal, que possuímos que não devemos a Deus?
A própria vida de que dispomos se reveste de tanta grandeza e de tanta complexidade, que só a loucura ou a ignorância não reconhecem a Divina Sabedoria em seus fundamentos.
Para a consideração disso, basta que o homem reflita no usufruto inegável de que se vale na mobilização dos bens que o felicitam no mundo.
O corpo que lhe serve de transitória moradia é uma doação dos Poderes Superiores, por intermédio do santuário genético das criaturas.
Os familiares se lhe erigem como sendo apoios de empréstimo.
A inteligência se lhe condiciona a determinados fatores de expressão.
O ar que respira é patrimônio de todos.
As conquistas da ciência, sobre as quais baseia o progresso, são realizações corretas, mas provisórias, porquanto se ampliam consideravelmente, de século para século.
Os seus elementos de trabalho são alteráveis de tempo a tempo.
A saúde física é uma dádiva em regime de comodato.
A fortuna é um depósito a título precário.
A autoridade é uma delegação de competência, obviamente transferível.
Os amigos são mutáveis na troca incessante de posições, pela qual são frequentemente chamados a prestação de serviço, segundo os ditames que os princípios de aperfeiçoamento ou de evolução lhes indiquem.
Os próprios adversários, a quem devemos preciosos avisos, são substituídos periodicamente.
Os mais queridos objetos de uso pessoal passam de mão em mão.
Em qualquer plano ou condição de existência, estamos subordinados à lei da renovação. À vista disso, sempre que nos vejamos inclinados a envaidecer-nos por alguma coisa, recordemos que nos achamos inelutavelmente ligados à Vida de Deus que, a benefício de nossa própria vida, ainda hoje tudo pode rearticular, refundir, refazer ou modificar.

Livro Ceifa de Luz – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

JESUS NA CASA DE ZAQUEU


4. E tendo Jesus entrado em Jericó, atravessou a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, chefe dos publicanos e bastante rico, e, querendo encontrar Jesus para conhecê-Lo, não o podia devido à multidão, porque era de estatura baixa; foi por isso que correu adiante e subiu numa grande árvore para vê-Lo, pois Ele devia passar por lá. E, tendo Jesus chegado a esse lugar, levantou os olhos para o alto; e tendo-o visto, disse-lhe: Zaqueu, descei depressa pois preciso ficar hoje em vossa casa. Zaqueu desceu depressa, e recebeu-o com alegria. Todos viram isso e disseram murmurando: Ele foi hospedar-se na casa de um homem de má vida.
Entretanto, Zaqueu, apresentando-se diante do Senhor, Lhe disse: Senhor, dou a metade de meus bens aos pobres, e, se fiz o mal a quem quer que seja, pago-lhe quatro vezes mais. Sobre o que Jesus lhe disse: Esta casa recebeu hoje a salvação, pois este também é filho de Abraão; pois o Filho do Homem veio para procurar e salvar o que estava perdido. (Lucas, 19:1 a 10)

ANTE O PRÓXIMO

Quando as circunstancias nos ofereçam incompreensões ou acusações, em torno do próximo, busquemos examinar acontecimentos e pessoas com os olhos do Cristo.
Imaginemo-nos de posse do senso divino, sem perder a noção de nossa reconhecida pequenez e a incomensurável grandeza daquele a quem nomeamos por nosso Mestre e Senhor.

Como teria visto Jesus a estreita espiritualidade do seu tempo, senão por gleba inculta que lhe cabia arrotear e semear? Como teria apreciado as criticas que lhe acompanharam a obra a não ser por tumulto necessário de opiniões, a fim de que a verdade prevalecesse? Fossem quais fossem as crises, jamais pedia o mais alto padrão de serenidade, aproveitando o tempo para construir e situando no futuro a concretização dos seus luminosos objetivos.

Muitos viam em Zaqueu o avarento incorrigível; ele, no entanto, nele identificou o homem rico de nobre coração, capaz de transfigurar a riqueza em trabalho e beneficência. Em Bartolomeu, a multidão enxergava o infortúnio de um cego; ele anotou os obstáculos de um doente, suscetível de ser curado para glorificar a Bondade de Deus.
Em Maria de Magdala, cuja personalidade apresentava a mulher obsidiada por sete Espíritos infelizes, reconheceu a criatura decidida a renovar-se e que lhe seria, mais tarde, a mensageira da própria ressurreição. Em Pedro, que o povo definia por discípulo frágil, a ponto de negá-lo três vezes, descobriu o amigo sincero que, convenientemente amadurecido na fé, lhe presidiria o apostolado em formação.

Múltiplos os óbices que se agigantam no caminho da fé, mas não permitas que eles te venham conduzir ao desanimo ou à negação. Procura enumerá-los por fora, com as pupilas de Jesus, e encontrarás sublime compreensão e balsamizar-te por dentro. Feito isso, registraremos dificuldades e aflições, desgostos e contratempos, não ao modo de barreiras intransponíveis na senda de elevação espiritual e sim reconhecê-lo-emos por necessidades justas e inevitáveis do campo de serviço em que fomos chamados a produzir, no bem da Humanidade e de nós mesmos, aí trabalhando e abençoando como Jesus abençoou e trabalhou.

Livro Caridade – Médium Chico Xavier – Espíritos Diversos – Mensagem de Emmanuel.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

RESGUARDAR-SE DA AVAREZA


3. Então um homem Lhe disse do meio da multidão: Mestre, dizei a meu irmão que reparta comigo a herança que nos coube. Mas Jesus lhe disse: Homem, quem estabeleceu que eu pudesse ser juiz, ou fazer vossas partilhas? Depois lhe disse: Tende cuidado para guardar-vos de toda avareza; pois, em qualquer abundância que o homem esteja, sua vida não depende dos bens que possui.
Jesus lhes disse em seguida esta parábola: Havia um homem rico cujas terras tinham produzido extraordinariamente; e revolvia dentro de si estes pensamentos: O que farei, se não tenho lugar onde guardar tudo o que vou colher? Eis o que farei, pensou: Derrubarei meus celeiros e construirei outros maiores, e aí colocarei toda minha colheita e todos os meus bens; e direi à minha alma: Tendes agora muitos bens em reserva para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus nesse mesmo instante disse a esse homem: Como és insensato! Tua alma será arrebatada ainda esta noite, e para quem ficará isso que guardaste?
Assim acontece com aquele que guarda tesouros para si mesmo e que não é rico perante Deus. (Lucas, 12:13 a 21)

OURO E PODER

Muita gente acredita encontrar na riqueza e no poder sinais de privilégios, quando ouro e influência simplesmente não passam de recursos destinados à aferição do valor que nos assinala.
Lembremo-nos de que um homem aprisionado à sombra do cárcere é sempre alguém constrangido a mostrar virtudes que raramente possui.
Silencia por impossibilitado de gritar a desesperação que lhe vergasta o peito e revela quietação e tristeza, quais se fossem humildade e compreensão, porquanto, posto a ferros, é compelido a guardar-se em reserva compulsória.
Assim também ocorre com a enfermidade e o pauperismo, a inibição e o desvalimento na maior parte das circunstâncias.
Segregada, dentro deles, a alma reencarnada não dispõe de outros meios senão o de aceita-los como preço ao resgate das próprias dívidas.
Entretanto, qual o sentenciado que abandona a cadeia sob exata observação, assim é a criatura que retém os talentos da fortuna e da autoridade, do equilíbrio e da robustez.
Não se encontram aqueles que os desfrutam na Terra contemplados por favores especiais, mas semi-libertados pela benção do Céu, em regime de exame, nas escolas do mundo.
Dessa forma, nos momentos de paz, segurança e alegria, muitos de nós outros apenas respiramos, à luz de experiências novas, nas quais demonstraremos se mais não precisamos da dor e do infortúnio, na construção da estrada de elevação para Deus.

Livro Dinheiro – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

SALVAÇÃO DOS RICOS


1. Ninguém pode servir a dois senhores, porque, ou ele aborrecerá a um e amará ao outro, ou se afeiçoará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir ao mesmo tempo a Deus e a Mamon. (Lucas, 16:13)
2. Então um jovem se aproximou de Jesus e disse: Bom mestre, o que é preciso fazer para alcançar a vida eterna? Jesus lhe respondeu: Por que me chamais de bom? Só Deus é bom. Se quereis entrar na vida, guardai os mandamentos. Que mandamentos, perguntou-Lhe? Jesus lhe respondeu: Não matareis; não cometereis adultério; não roubareis; não direis falso testemunho. Honrai vosso pai e vossa mãe, e amai ao vosso próximo como a vós mesmos.
O jovem respondeu: Guardei todos esses mandamentos desde minha juventude; o que ainda me falta? Jesus lhe disse: Se quiserdes ser perfeito, ide, vendei o que tendes e dai-o aos pobres, e tereis um tesouro no Céu; depois, vinde e segui-me.
Porém o jovem, ouvindo estas palavras, retirou-se muito triste, pois possuía muitos bens. E então, Jesus disse a seus discípulos: Eu vos digo, em verdade, que é bem difícil a um rico entrar no reino dos Céus. Ainda vos digo mais: É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus. (Mateus, 19:16 a 24; Lucas, 18:18 a 25; Marcos, 10:17 a 25)

SEJAMOS RICOS EM JESUS

Quem julga pelas aparências, quase sempre esbarra na areia móvel das transformações repentinas a lhe solaparem o edifício das errôneas conclusões.
Existem criaturas altamente tituladas nas convenções do mundo, que trazem consigo uma fonte viva de humildade no coração, enquanto que há mendigos, de rosto desfigurado, que carreiam no íntimo a névoa espessa do orgulho a empanar-lhes o entendimento.
Há ricos que são maravilhosamente pobres de avareza e encontramos pobres lamentavelmente ricos de sovinice.
Somos defrontados, em toda a parte, por grandes almas que se fazem humildes, a serviço do Senhor, na pessoa do próximo e, frequentemente, surpreendemos espíritos rasteiros envergando túnicas de vaidade e dominação.
Jesus, louvando os ‘pobres de espírito’, não tecia encômios à ignorância, à incultura, à insipiência ou à nulidade, e sim exaltava os corações simples que descobrem na vida, em qualquer ângulo da existência, um tesouro de bênçãos, com o qual é possível o enriquecimento efetivo da alma para as alegrias da elevação.
“Pobres de espírito”, na plataforma evangélica, significa tão-somente “pobres de fatuidade, de pretensos destaques intelectuais, de supostos cabedais da inteligência”. É necessário nos acautelemos contra a interpretação exagerada do texto, em suas expressões literais, para penetrarmos o verdadeiro sentido da lição.
A pobreza e a pequenez não existem na obra divina.
Constituem apenas posições transitórias criadas por nós mesmos, na jornada evolutiva em que aprenderemos, pouco a pouco, sob o patrocínio da luta e da experiência, que tudo é grande no Universo de Deus.
Todos os seres, todas as tarefas e todas as coisas são peças preciosas na estruturação da vida.
Onde estiveres faze-te espontâneo para recolher a luz da compreensão.
Alijemos os farrapos dourados da ilusão, que nos obscurecem a alma, estabelecendo a necessária receptividade no coração, e entenderemos que todos somos infinitamente ricos de oportunidades de trabalhar e servir, de aprender e aperfeiçoar, infatigavelmente.
O ouro será, muitas vezes, difícil provação e os cimos sociais na Terra, quase sempre, são amargos purgatórios para a alma sensível, tanto quanto a carência de recursos materiais é bendita escola de sofrimento, mas a simplicidade e o amor fraterno, brilhando, por dentro de nosso espírito, em qualquer situação no caminho da vida, são invariavelmente o nosso manancial de alegrias sem fim.

Livro Dinheiro – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO


Paulo, Apóstolo - Paris, 1860

10. Meus filhos, fora da caridade não há salvação é o ensinamento moral que contém a destinação dos homens, tanto na Terra quanto no Céu. Na Terra, porque à sombra dessa bandeira viverão em paz; no Céu, porque aqueles que a tiverem praticado encontrarão graça diante do Senhor. Este símbolo é a luz celeste, a coluna luminosa que guia o homem no deserto da vida para conduzi-lo à Terra da Promissão; e brilha no Céu como uma auréola santa na fronte dos eleitos e, na Terra, está gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: passai à direita, vós, os abençoados de meu Pai. Vós os reconhecereis pelo perfume de caridade que espalham ao seu redor. Nada exprime melhor o pensamento de Jesus, nada resume melhor os deveres do homem do que este ensinamento moral de ordem divina. O Espiritismo não podia provar melhor sua origem do que dando-a por regra, pois ela é o reflexo do mais puro Cristianismo, e, com esta orientação, o homem nunca se desencaminhará. Dedicai-vos, meus amigos, a compreender-lhe o profundo significado e suas consequências, e nela procurar, por vós mesmos, as suas aplicações. Deixai que a caridade governe todas as vossas ações, e vossa consciência responderá; ela não somente evitará a vós de fazer o mal, mas levar-vos a fazer o bem, porque não basta uma virtude passiva, é preciso uma virtude ativa. Para fazer o bem, é preciso sempre a ação da vontade; para não fazer o mal, basta frequentemente o não fazer nada e a indiferença.
Meus amigos, agradecei a Deus, que vos permitiu desfrutar da luz do Espiritismo. Não é porque só os que a possuem podem salvar-se, mas porque, ao vos ajudar a compreender melhor os ensinamentos do Cristo, ela faz de vós melhores cristãos. Que os vossos irmãos, ao vos observar, possam dizer que o verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, pois todos aqueles que praticam a caridade são discípulos de Jesus, qualquer que seja o culto a que pertençam.

ESMOLA

"Dai antes esmola do que tiverdes." - Jesus. (LUCAS, 11:41.)

A palavra do Senhor está sempre estruturada em luminosa beleza que não podemos perder de vista.
No capítulo da esmola, a recomendação do Mestre, dentro da narrativa de Lucas, merece apontamentos especiais.
"Dai antes esmola do que tiverdes".
Dar o que temos é diferente de dar o que detemos.
A caridade é sublime em todos os aspectos sob os quais se nos revele e em circunstância alguma devemos esquecer a abnegação admirável daqueles que distribuem pão e agasalho, remédio e socorro para o corpo, aprendendo a solidariedade e ensinando-a.
É justo, porém, salientar que a fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem.
O Dono de todo o poder e de toda a riqueza no Universo é Deus, nosso Criador e Pai, que empresta recursos aos homens, segundo os méritos ou as necessidades de cada um.
Não olvidemos, assim, as doações de nossa esfera íntima e perguntemos a nós mesmos:
Que temos de nós próprios para dar?
Que espécie de emoção estamos comunicando aos outros?
Que reações provocamos no próximo?
Que distribuímos com os nossos companheiros de luta diária?
Qual é o estoque de nossos sentimentos?
Que tipo de vibrações espalhamos?
Para difundir a bondade, ninguém precisa cultivar riso estridente ou sorrisos baratos, mas, para não darmos pedras de indiferença aos corações famintos de pão da fraternidade, é indispensável amealhar em nosso espírito as reservas da boa compreensão, emitindo o tesouro de amizade e entendimento que o Mestre nos confiou em serviço ao bem de quantos nos rodeiam, perto ou longe.
É sempre reduzida a caridade que alimenta o estômago, mas que não esquece a ofensa, que não se dispõe a servir diretamente ou que não acende luz para a ignorância.
O aviso do Instrutor Divino nas anotações de Lucas significa: - dai esmola de vossa vida íntima, ajudai por vós mesmos, espalhai alegria e bom ânimo, oportunidade de crescimento e elevação com os vossos semelhantes, sede irmãos dedicados ao próximo, porque, em verdade, o amor que se irradia em bênçãos de felicidade e trabalho, paz e confiança, é sempre a dádiva maior de todas.

Livro Fonte Viva – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.