sábado, 16 de maio de 2020

INDISSOLUBILIDADE DO CASAMENTO


1. Os fariseus também vieram a Jesus para tentá-lo, e Lhe disseram: É permitido a um homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Ele lhes respondeu: Não lestes que aquele que criou o homem desde o início, os criou macho e fêmea? E disse: Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e farão os dois uma só carne. Assim eles não serão mais dois e, sim, uma só carne. Que o homem, pois, não separe o que Deus uniu.
Mas por que razão, disseram eles, Moisés ordenou que se entregue à mulher uma carta de separação e que a repudie? Jesus lhes respondeu: É devido à dureza de vossos corações que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas isso não aconteceu desde o início. Eu também vos declaro que todo aquele que repudiar sua mulher, se não for por causa de adultério, e se casar com outra, comete adultério; e que aquele que se casar com aquela que um outro repudiou, também comete adultério. (Mateus, 19:3 a 9)
2. Nada é imutável, a não ser o que vem de Deus. Toda obra que é dos homens está sujeita a mudanças. As leis da Natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países; as leis humanas transformam-se de acordo com o tempo, com os lugares e com o progresso da inteligência.
No casamento, o que é de ordem divina é a união dos sexos para permitir a renovação dos seres que morrem, mas as condições que regulam essa união são de tal modo humanas que não há em todo o mundo, e até mesmo na cristandade, dois países em que elas sejam rigorosamente as mesmas, e nem há um sequer em que essas condições não tenham sofrido mudanças impostas pelo tempo. O resultado disso é que pela lei civil o que é legítimo num país e numa época, é adultério noutro e em outro tempo; isto, em razão de ter a lei civil, por objetivo, regular os interesses das famílias na sociedade, e esses interesses variam de acordo com os costumes e as necessidades locais. Assim é, por exemplo, que em certos países apenas o casamento religioso é legítimo e, em outros, é preciso acrescentar-lhe o casamento civil e, em outros, enfim, o casamento civil é o bastante.
3. Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, existe uma outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: é a lei do amor. Deus quis que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se transmitisse aos filhos, e que fossem dois, ao invés de um, a amá-los, a cuidar deles e fazê-los progredir. Nas condições normais do casamento, a lei do amor foi sempre levada em conta? De maneira nenhuma. O que se leva em conta não é a afeição de dois seres que se atraem mutuamente, eis porque, na maioria das vezes, esse sentimento é rompido. O que se procura não é a satisfação do coração e, sim, a do orgulho, da vaidade e da ambição; em resumo: a satisfação de todos os interesses materiais. Se tudo corre bem, segundo esses interesses, diz-se que o casamento é conveniente e, quando as bolsas estão bem cheias, diz-se que os esposos estão bem, e que por isso devem ser bem felizes.
Contudo, nem a lei civil, nem tampouco os compromissos que ela determina podem suprir a lei de amor, se esta lei não presidir à união. Disso resultará que, muitas vezes, o que se uniu à força se separa por si mesmo, e que o juramento que se pronuncia aos pés de um altar se torna uma falsidade, se é dito como uma fórmula banal e, então, surgem as uniões infelizes que acabam por se tornar criminosas. Infelicidade dupla, que seria evitada se, nas condições do casamento, não se esquecesse da única lei que o torna legítimo aos olhos de Deus: a lei de amor. Quando Deus disse: Sereis somente uma só carne; e quando Jesus disse: Não separareis o que Deus uniu, isso deve ser entendido segundo a Lei de Deus que não se altera jamais, e não conforme a lei variável dos homens.
4. Será então supérflua e desnecessária a lei civil, e deveríamos voltar aos casamentos segundo a Natureza? Certamente que não. A lei civil tem por objetivo reger as relações da sociedade e os interesses das famílias de acordo com as exigências da civilização, e eis porque ela é útil, necessária, porém, variável, devendo ser previdente, porque o homem civilizado não pode mais viver como selvagem. Levando-se em conta tudo isto, nada, absolutamente nada, se contrapõe para que ela seja a decorrência e a confirmação da Lei de Deus. Os obstáculos ao cumprimento da lei divina decorrem dos preconceitos humanos e não da lei civil. Estes preconceitos, ainda que muito ativos, já perderam a sua força junto aos povos esclarecidos. Eles desaparecerão totalmente com o progresso moral, que abrirá, definitivamente, os olhos aos homens para os males incontáveis, as faltas e até mesmo os crimes que resultam de uniões contraídas visando apenas interesses materiais; e um dia se perguntará se é mais humano, mais caridoso, mais moral unirem-se, um ao outro, dois seres que não podem viver juntos ou restituir-lhes a liberdade e, ainda, se a perspectiva de uma aliança indissolúvel não aumenta o número das uniões irregulares.

Responsabilidade no Matrimônio

Interrogam, muitos discípulos do Evangelho: não é mais lícito o desquite ou o divórcio, em considerando os graves problemas conjugais, à manutenção de um matrimônio que culmine em tragédia? Não será mais conveniente uma separação, desde que a desinteligência se instalou, ao prosseguimento de uma ida impossível? Não têm direito, ambos os cônjuges, a diversa tentativa de felicidade, ao lado de outrem, já que se não entendem?
E muitas outras inquirições surgem, procurando respostas honestas para o problema que dia-a-dia mais se agrava e avulta.
Inicialmente, deve ser examinado que o matrimônio em linhas gerais é uma experiência de reequilíbrio das almas no orçamento familiar. Oportunidade de edificação sob a bênção da prole — e, quando fatores naturais coercitivos a impedem, justo se faz abrir os braços do amor espiritual às crianças que gravitavam ao abandono— para amadurecer emoções, corrigindo sensações e aprendendo fraternidade.
Não poucas vezes os nubentes, mal preparados para o consórcio matrimonial, dele esperam tudo, guindados ao paraíso da fantasia, esquecidos de que esse é um sério compromisso, e todo compromisso exige responsabilidades recíprocas a benefício dos resultados que se deseja colimar.
A “lua de mel” é imagem rica da Ilusão, porquanto, no período primeiro do matrimônio, nascem traumas e desajustes, Inquietações e receios, frustrações e revoltas, que despercebidos, quase a Princípio, espocam mais tarde em surdas guerrilhas ou batalhas lamentáveis no lar, em que o ódio e o ciúme explodem, descontrolados, impondo soluções, sem dúvida, que sejam menos danosas do que as trágicas.
Todavia, há que meditar, no que concerne aos compromissos de qualquer natureza, que a sua interrupção, somente adia a data da justa quitação. No casamento, não raro, o adiamento promove o ressurgir do pagamento em circunstâncias mais dolorosas no futuro em que, a pesadas renúncias e a fortes lágrimas, somente, se consegue a solução.

Indispensável que para o êxito matrimonial sejam exercitadas singelas diretrizes de comportamento amoroso.
Há alguns sinais de alarme que podem informar a situação de dificuldade antes de agravar a União conjugal:
Silêncios injustificáveis quando os esposos estão juntos;
Tédio inexplicável ante a presença do companheiro ou da companheira;
Ira disfarçada quando o Consorte ou a consorte emite uma opinião;
Saturação dos temas habituais, versados em casa, fugindo para intérminas leituras de jornais ou inacabáveis novelas de televisão;
Irritabilidade contumaz sempre que se avizinha do lar;
Desinteresse pelos problemas do outro;
Falta de intercâmbio de opiniões;
Atritos contínuos que ateiam fagulhas de irascibilidade, capazes de provocar incêndios em forma de agressão desta ou daquela maneira...
E muitos outros mais.
Antes que as dificuldades abram distâncias e os espinhos da incompreensão produzam feridas, justo que se assumam atitudes de lealdade, fazendo um exame das ocorrências e tomando-se providências para sanar os males em pauta.
Assim, a honestidade lavrada na sensatez, que manda “abrir-se o coração” um para com o outro, consegue corrigir as deficiências e reorganizar o panorama afetivo.
É natural que ocorram desacertos. Ao invés, porém, de separação, reajustamento.
A questão não é de uma “nova busca”, mas de redescobrimento do que já possui.
Antes da decisão precipitada, ceder cada um, no que lhe concerne, a benefício dos dois.
Se o companheiro se desloca, lentamente, da família, refaça a esposa o lar, tentando nova fórmula de reconquista e tranquilidade.
Se a companheira se afasta, afetuosamente, pela irritação ou pelo ciúme, tolere o esposo, conferindo-lhe confiança e renovação de ideias.
O cansaço, o cotidiano, a apatia são elementos constritivos da felicidade.
Nesse sentido, o cultivo dos ideais nobilitantes consegue estreitar os laços do afeto e os objetivos superiores unem os corações, penetrando-os de tal forma, que os dois se fazem um, a serviço do bem. E em tal particular, o Espiritismo — a Doutrina do Amor e da Caridade por excelência — consegue renovar o entusiasmo das criaturas, já que desloca o indivíduo de si mesmo, ajuda-o na luta contra o egoísmo e concita-o à responsabilidade ante as leis da vida, impulsionando-o ao labor incessante em prol do próximo. E esse próximo mais próximo dele é o esposo ou a esposa, junto a quem assumiu espontaneamente o dever de amar, respeitar e servir.
Assim, considerando, o Espiritismo, mediante o seu programa de ideal cristão, é senda redentora para os desajustados e ponte de união para os cônjuges, em árduas lutas, mas que não encontraram a paz.

Livro SOS – Espírito Joanna de Ângelis – Divaldo Pereira Franco.

domingo, 10 de maio de 2020

NÃO ACREDITEIS EM TODOS OS ESPÍRITOS


6. Meus bem-amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, pois muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. (João, 1ª. Epístola, 4:1)
7. Os fenômenos espíritas, longe de confirmarem os falsos cristos e os falsos profetas, como algumas pessoas gostam de dizer, vêm, ao contrário, dar-lhes o golpe mortal. Não peçais ao Espiritismo milagres nem prodígios, pois ele declara formalmente que não os produz. Assim como a Física, a Química, a Astronomia e a Geologia vieram revelar as leis do mundo material, ele vem revelar outras leis desconhecidas, aquelas que regem as relações entre o mundo corporal e o mundo espiritual, e que, tanto quanto as leis científicas, são leis da Natureza.
Ao explicar uma certa ordem de fenômenos até então incompreendidos, o Espiritismo destrói o que ainda permanecia sob o domínio do maravilhoso. Aqueles que estivessem tentados a explorar esses fenômenos em seu proveito, fazendo-se passar por messias de Deus, não poderiam abusar por muito tempo da credulidade, e logo seriam desmascarados. Aliás, como já ficou dito, só esses fenômenos por si mesmos nada provam: a missão se prova por efeitos morais que nem todos podem produzir. Eis um dos resultados do desenvolvimento da Ciência Espírita; pesquisando a causa de certos fenômenos, ela levanta o véu de muitos mistérios. Aqueles que preferem a obscuridade à luz são os únicos interessados em combatê-la; mas a verdade é como o sol: dissipa os nevoeiros mais densos.
O Espiritismo vem revelar uma outra categoria bem mais perigosa de falsos cristos e de falsos profetas, que se encontram não entre os homens, mas entre os desencarnados: é a dos Espíritos embusteiros, hipócritas, orgulhosos e falsos sábios, que, da Terra, passaram para a erraticidade, e se disfarçam com nomes veneráveis para procurar, disfarçados pela máscara com que se cobrem, tornar suas ideias aceitáveis, frequentemente as mais extravagantes e absurdas. Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles atuavam com menos ostentação, menos pompa, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou de incorporação. O número daqueles que, em diversas épocas, mas principalmente nesses últimos tempos, se apresentaram como uns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, mãe do Cristo, e até mesmo como Deus, é considerável. O apóstolo João nos previne contra eles quando diz: Meus bem-amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus; pois muitos falsos profetas têm surgido no mundo. O Espiritismo dá os meios de pô-los à prova ao indicar as características pelas quais se reconhecem os bons Espíritos, características sempre morais e nunca materiais. É para distinguir entre os bons e os maus Espíritos que podem, sobretudo, se aplicar estas palavras de Jesus: Reconhece-se a qualidade da árvore pelo seu fruto; uma boa árvore não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não pode produzir bons frutos. Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como a uma árvore pela qualidade de seus frutos.

ORAÇÃO DA MULHER
(Meimei)

Missionária da vida! Ampara o homem para o homem te ampare!
Não te corrompas no prazer e nem te mergulhes no vício.
A felicidade da Terra depende de ti, como fruto depende da árvore.
Mãe – sê o anjo do lar.
Esposa – auxilia sempre.
Companheira – acende o lume da esperança.
Irmã – sacrifica-te e ajuda.
Mestra – ilumina o caminho.
Enfermeira – compadece-te.
Fonte sublime, se as feras do mal te poluírem as águas, imita a corrente cristalina que, no serviço infatigável a todos, expulsa do próprio seio a lama que lhe atiram.
Por mais que te aflijam as dificuldades, não te entregues à tristeza ou ao desânimo.
Lembra os órfãos, os doentes, os velhos e os desvalidos da estrada, que esperam por teus braços; e sorri com serenidade para a luta.
Deixa que o trabalho tanja as cordas celestes do teu sentimento para que não falte a música da harmonia aos pedregosos trilhos da existência terrestre.
Teu coração é uma estrela encarcerada.
Não lhe apague a luz, para que o amor resplandeça sobre as trevas.
- Eleva-te, elevando-nos...
Não te esqueças de que trazes nas mãos a chave da vida, porque a chave da vida é a glória de Deus!

Livro Mãe – Espíritos Diversos – Chico Xavier.

sábado, 2 de maio de 2020

PRODÍGIOS DOS FALSOS PROFETAS


5. Surgirão falsos cristos e falsos profetas que farão grandes prodígios e coisas surpreendentes para enganar os escolhidos. Estas palavras alertam para o verdadeiro sentido da palavra prodígio. No sentido teológico, os prodígios e os milagres são fenômenos excepcionais, fora das leis da Natureza. Estas leis, sendo obra unicamente de Deus, são passíveis de serem modificadas, sem dúvida, se Ele quiser. O simples bom-senso nos diz que Ele não pode ter dado a seres perversos e inferiores um poder igual ao seu e, ainda menos, o direito de desfazer o que Ele fez. Jesus não pode ter consagrado tal princípio. Se, pois, segundo o sentido que se atribui àquelas palavras, o Espírito do mal tem o poder de fazer tais prodígios, que até mesmo os eleitos seriam enganados, disso resultaria que, podendo fazer o que Deus faz, os prodígios e os milagres não são privilégio exclusivo dos enviados de Deus e, por isso, nada provam, uma vez que nada distingue os milagres dos santos dos milagres dos demônios. É preciso, pois, procurar um sentido mais racional para essas palavras de Jesus.
Aos olhos do povo, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa por algo sobrenatural, maravilhoso e miraculoso. Conhecida a causa, reconhece-se que o fenômeno, por mais extraordinário que possa parecer, nada mais é do que a aplicação de uma lei da Natureza.
Assim, o círculo dos fatos sobrenaturais se restringe à medida que se alarga o conhecimento das leis científicas. Em todos os tempos, os homens têm explorado, em benefício de sua ambição, de seu interesse e de seu desejo de dominação, certos conhecimentos que possuíam, a fim de usufruírem de um prestígio e de um poder supostamente sobre-humano, ou que uma pretensa missão divina lhes daria. Estes são os falsos Cristos e os falsos profetas. A propagação dos conhecimentos acaba por desacreditá-los, e eis por que seu número diminui, à medida que os homens se esclarecem. O fato de operarem o que, aos olhos de algumas pessoas, passa por prodígios não é, portanto, sinal de uma missão divina, uma vez que pode resultar de conhecimentos que qualquer um pode adquirir, ou capacidades orgânicas especiais, que tanto o mais digno quanto o mais indigno podem possuir. O verdadeiro profeta se reconhece por características mais sérias e, exclusivamente, de ordem moral.

ANTE FALSOS PROFETAS

Acautela-te em atribuir aos falsos profetas o fracasso de teus empreendimentos morais.
Recorda que todos somos tentados, segundo a espécie de nossas imperfeições.
Não despertarás a fome do peixe com uma isca de ouro, nem atrairás a atenção do cavalo com um prato de pérolas, mas, sim, ofertando-lhes à percepção leve bocado sangrento ou alguma concha de milho.
Desse modo, igualmente, todos somos induzidos ao erro, na pauta de nossa própria estultícia.
Dominados de orgulho, cremos naqueles que nos incitam à vaidade e, sedentos de posse, assimilamos as sugestões infelizes de quantos se proponham explorar-nos a insensatez e a cobiça.
É preciso lembrar que todos somos, no traje físico ou dele desenfaixados, espíritos a caminho, buscando na luta e na experiência os fatores da evolução que nos é necessária, e que, por isso mesmo, se já somos aprendizes do Cristo, temos a obrigação de buscar-lhe o exempio parametro ideal de nossa conduta.
Não vale, assim, alegar confiança na palavra de quantos nos sustentem a fantasia, com respeito a fictícios valores de que sejamos depositários, no pressuposto de que venham até nós, na condição de desencarnados; pois que a morte do corpo é, no fundo, simples mudança de vestimenta, sem afetar, na maioria das circunstâncias, a nossa formação espiritual.
Não creias, desse modo, em todo Espírito — diz-nos o Apóstolo —, porquanto semelhante atitude envolveria a crença cega em nossos próprios enganos, com a exaltação de reiterados caprichos.
O ouvido que escuta é irmão da boca que fala.
Ilusão admitida é nossa própria ilusão.  
Apetite insuflado é apetite que acalentamos.
Mentira acreditada é a própria mentira em nós.
Crueldade aceita é crueldade que nos pertence.
De alguma sorte, somos também a força com a qual entramos em sintonia.
Procuremos, pois, o Mestre dos mestres como sendo a luz de nosso caminho. E cotejando, com as lições dEle, avisos e informes, mensagens e advertências que nos sejam endereçados, desse ou daquele setor de esclarecimento, aprenderemos, sem sombra, que a humildade e o serviço são nossos deveres de cada hora, para que a verdade nos ilumine e para que o amor puro nos regenere, preservando-nos, por fim, contra o assédio de todo mal.

Livro Religião dos Espíritos – Emmanuel – Chico Xavier.

domingo, 26 de abril de 2020

MISSÃO DOS PROFETAS


4. É comum atribuir-se aos profetas o dom de revelar o futuro, de maneira que as palavras profecia e predição passam a ter o mesmo significado. No sentido evangélico, a palavra profeta tem um sentido mais amplo: diz-se de todo enviado de Deus com missão de instruir os homens e lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Um homem pode, então, ser profeta sem fazer profecias; esta era a ideia dos judeus no tempo de Jesus. Eis por que, quando foi levado perante o sumo sacerdote Caifás, os escribas e os anciãos, que estavam reunidos, Lhe cuspiram no rosto, Lhe deram socos e bofetadas, dizendo: “Cristo, profetiza, e dize quem foi que Te bateu”.
Entretanto, é certo que houve profetas que tinham previsão do futuro, seja por intuição, seja por revelação providencial, a fim de transmitir advertências aos homens. Como as suas previsões aconteceram, o dom de adivinhar o futuro foi visto como um dos atributos da qualidade de profeta.

IMPACIÊNCIA

Sempre que se te faça possível, pede aos Céus te fortaleça com a paciência para que não se te dificulte o caminho para a frente.

A impaciência não te servirá em circunstância alguma. Ao invés disso, a precipitação te criará obstáculos de que não necessitas.
Se te aborreces por doença, seja em ti mesmo ou em pessoa querida, semelhante atitude apenas te agravará a situação, aumentado os tropeços em que, porventura, te encontres.
Se pretendes a obtenção de trabalho profissional, a impaciência te fará um candidato indesejável aos olhos daqueles que te prometem auxílio.
Se isso te acontece por desacertos na intimidade familiar, nada conseguirás daqueles que mais amas senão inquietude e dificuldades em derredor de ti.
Se almejas melhoria ou promoção no lugar em que estiveres, a impaciência se te erguerá por empecilho à realização dos desejos mais razoáveis e mais justos.
Se te revelas nesse tipo de intemperança mental, nessa ou naquela fila de pessoas que aspiram a adquirir qualquer recurso dos mais simples, talvez te transformes em motivação para delinquência.

Em qualquer agitação exterior, mantém a serenidade necessária para que não destruas a formação do auxílio que já estará na direção do teu próprio endereço.

Nas horas atormentadas da vida, age com paciência e tolerância.

A paz em ti será paz nos outros e todos nós, seja aqui ou além, necessitamos de paz, a fim de viver fazendo o melhor.

Sorri, ainda quando as dificuldades nos sitiem por todos os lados.

Livro Paciência – Emmanuel – Chico Xavier.

domingo, 19 de abril de 2020

CONHECE-SE A ÁRVORE PELOS FRUTOS


1. A árvore que produz maus frutos não é boa, e a árvore que produz bons frutos não é má; porque se conhece cada árvore por seu próprio fruto. Não se colhem figos dos espinheiros e nem se colhem cachos de uvas dos abrolhos. O homem de bem tira boas coisas do tesouro de seu coração, e o mau, do mau tesouro do seu coração; pois a boca fala aquilo do que o coração está cheio. (Lucas, 6:43 a 45)
2. Guardai-vos dos falsos profetas que por fora se disfarçam de ovelhas e que por dentro são lobos roubadores. Vós os reconhecereis por seus frutos. Acaso podem-se colher uvas de espinheiros ou figos de abrolhos? Assim, toda árvore que é boa produz bons frutos, e toda árvore que é má produz maus frutos. Uma árvore boa não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não pode produzir bons frutos. Toda árvore que não produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Vós as reconhecereis, pois, pelos seus frutos. (Mateus, 7:15 a 20)
3. Tomai cuidado para que ninguém vos engane; pois muitos virão em meu nome, dizendo: “Sou o Cristo”, e enganarão a muitos.
Levantar-se-ão muitos falsos profetas que enganarão muitas pessoas; e a caridade em muitos esfriará porque a iniquidade se multiplicará. Mas será salvo aquele que perseverar até o fim.
Então, se alguém vos disser: O Cristo está aqui, ou, está ali, não acrediteis; pois levantar-se-ão falsos cristos e falsos profetas que farão grandes prodígios e coisas espantosas, a ponto de enganar, se fosse possível, até mesmo aos escolhidos. (Mateus, 24:4 e 5, 11 a 13, 23 e 24; Marcos, 13:5 e 6, 21 e 22)

EXAMINA-TE
“Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade.”
Paulo (FILIPENSES, 2: 3)

O serviço de Jesus é infinito. Na sua órbita, há lugar para todas as criaturas e para todas as ideias sadias em sua expressão substancial.
Se, na ordem divina, cada árvore produz segundo a sua espécie, no trabalho cristão, cada discípulo contribuirá conforme sua posição evolutiva.
A experiência humana não é uma estação de prazer. O homem permanece em função de aprendizado e, nessa tarefa, é razoável que saiba valorizar a oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.
O apóstolo Paulo compreendeu essa verdade, afirmando que nada deveremos fazer por espírito de contenda e vanglória, mas, sim, por ato de humildade.
Quando praticares alguma ação que ultrapasse o quadro das obrigações diárias, examina os móveis que a determinaram. Se resultou do desejo injusto de supremacia, se obedeceu somente à disputa desnecessária, cuida de teu coração para que o caminho te seja menos ingrato. Mas se atendeste ao dever, ainda que hajas sido interpretado como rigorista e exigente, incompreensivo e infiel, recebe as observações indébitas e passa adiante.
Continua trabalhando em teu ministério, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem contendas e vanglórias, Jesus foi tido por imprudente e rebelde, traidor da lei e inimigo do povo, recebendo com a cruz a coroa gloriosa.

Livro Caminho, Verdade e Vida – Emmanuel – Chico Xavier.

sábado, 11 de abril de 2020

OS TRABALHADORES DO SENHOR


O Espírito de Verdade - Paris, 1862

5. É chegado o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade, e felizes serão aqueles que tiverem trabalhado no campo do Senhor generosamente e sem outro interesse que não a caridade! Suas jornadas de trabalho serão recompensadas cem vezes mais do que esperavam. Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos nossos esforços a fim de que o Senhor encontre a obra terminada quando chegar”, e o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, que calastes vossos melindres e discórdias para não deixar a obra prejudicada!” Mas, infelizes daqueles que, por suas divergências vaidosas, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e serão levados no turbilhão! E clamarão: “Graça! Graça, Senhor!” Ele lhes dirá: “Por que pedis graças, vós que não tivestes piedade de vossos irmãos? Que recusastes estender a mão ao fraco e o esmagastes ao invés de socorrê-lo? Por que pedis graças, vós que procurastes na Terra vossa recompensa nos gozos e na satisfação de vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa de acordo com vossa vontade, nada mais deveis pedir. As recompensas celestes são para aqueles que não tenham recebido as recompensas na Terra”.
Deus faz neste momento a enumeração de seus servidores fiéis, e marcou “a dedo” aqueles que do devotamento só têm a aparência, a fim de que não se apoderem do salário dos servidores corajosos. A estes, que não recuarem perante a tarefa, é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo, e estas palavras se cumprirão: “Os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros no reino dos Céus”.

Aproveitamento
“Medita estas coisas; ocupa-te nelas para que o teu
aproveitamento seja manifesto a todos.”
Paulo (I Timóteo, 4:15)

Geralmente, o primeiro impulso dos que ingressam na fé constitui a preocupação de transformar compulsoriamente os outros.
Semelhante propósito, às vezes, raia pela imprudência, pela obsessão. O novo crente flagela a quantos lhe ouvem os argumentos calorosos, azorragando costumes, condenando ideias alheias e violentando situações, esquecido de que a experiência da alma é laboriosa e longa e de que há muitas esferas de serviço na casa de Nosso Pai.
Aceitar a boa doutrina, decorar-lhe as fórmulas verbais e estender-lhe os preceitos são tarefas importantes, mas aproveitá-la é essencial.
Muitos companheiros apregoam ensinamentos valiosos, todavia, no fundo, estão sempre inclinados a rudes conflitos, em face da menor alfinetada no caminho da crença. Não toleram pequeninos aborrecimentos domésticos e mantêm verdadeiro jogo de máscara em todas as posições.
A palavra de Paulo, no entanto, é muito clara.
A questão fundamental é de aproveitamento.
Indubitável que a cultura doutrinária representa conquista imprescindível ao seguro ministério do bem; contudo, é imperioso reconhecer que se o coração do crente ambiciona a santificação de si mesmo, a caminho das zonas superiores da vida, é indispensável se ocupe nas coisas sagradas do espírito, não por vaidade, mas para que o seu justo aproveitamento seja manifesto a todos.

Livro Vinha de Luz – Emmanuel – Chico Xavier.

domingo, 5 de abril de 2020

MISSÃO DOS ESPÍRITAS


Erasto, Protetor do Médium - Paris, 1863

4. Não percebeis desde já a formação da tempestade que deve arrebatar o velho mundo e reduzir ao nada a soma das perversidades terrenas? Louvai ao Senhor, vós que colocastes vossa fé na sua soberana justiça e que, novos apóstolos da crença revelada pelas proféticas vozes superiores, ides pregar e ensinar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos à medida que cumpram bem ou mal as suas missões e tenham suportado suas provas terrenas.
Nada de temor! As línguas de fogo* estão sobre vossas cabeças.
Verdadeiros adeptos do Espiritismo, vós sois os eleitos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar, em favor da sua divulgação, hábitos, trabalhos, ocupações fúteis. Ide e pregai: os Espíritos elevados estão convosco. Certamente falareis com pessoas que não quererão ouvir a palavra de Deus, pois ela recomenda a renúncia constante. Pregareis o desinteresse aos avarentos, a abstinência aos devassos, a mansidão aos tiranos domésticos e aos opressores. Palavras perdidas? Talvez, mas o que importa! É preciso regar com vosso suor o terreno que deveis semear, pois ele apenas frutificará e produzirá sob os constantes esforços da enxada e do arado evangélicos. Ide e pregai!
Sim, todos vós, homens de boa-fé, que sabeis da vossa pequenez observando os mundos espaciais no Infinito, parti em cruzada contra a injustiça e a maldade. Ide e aniquilai esse culto ao bezerro de ouro, que se expande dia após dia. Ide, Deus vos conduz! Homens simples e ignorantes, vossas línguas se soltarão, e falareis como nenhum orador fala. Ide e pregai, as populações atentas recolherão com alegria vossas palavras de consolação, fraternidade, esperança e paz.
Que importam as ciladas que armarem no vosso caminho! Apenas os lobos caem na armadilha de lobos, pois o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras do sacrifício.
Ide, homens confiantes perante Deus, mais felizes do que São Tomé, que acreditais sem precisar ver e aceitais os fatos da mediunidade até mesmo quando nunca conseguistes obtê-los por vós mesmos. Ide, o Espírito de Deus vos guia!
Marchai, pois, adiante, legião majestosa pela vossa fé! Os grandes batalhões dos incrédulos se desmancharão perante vós como as névoas da manhã aos primeiros raios do sol matinal.
A fé é a virtude que transporta montanhas, disse Jesus. Porém, mais pesadas que as maiores montanhas são as jazidas da impureza e de todos os vícios que dela derivam no coração humano. Parti, com coragem, para remover essas montanhas de maldades das quais as gerações futuras ouvirão referências apenas como lenda, tal como vós conheceis, muito vagamente, os tempos que antecederam à civilização pagã.
Sim, as revoluções morais e filosóficas surgirão em todos os pontos da Terra. Aproxima-se a hora em que a luz divina brilhará sobre os dois mundos.
Ide, pois, levando a palavra divina aos grandes, que a desprezarão; aos sábios, que exigirão provas; aos simples e pequeninos, que a aceitarão, porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação terrena, encontrareis entusiasmo e fé. Eles a receberão alegremente, agradecendo, louvando a Deus a consolação divina que lhes oferecerdes e, baixando a fronte, renderão graças pelas aflições que a Terra lhes reservou.
Arme-se de decisão e coragem a vossa legião! Mãos à obra! O arado está pronto e a terra preparada: Arai!
Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que vos confiou. Mas, cuidado: entre os chamados para o Espiritismo, muitos se desviaram do caminho! Alerta, pois, no vosso caminho, buscai a verdade.
Perguntareis: Se entre os chamados para o Espiritismo, muitos se desviaram, como reconhecer os que se acham no bom caminho?
Responderemos: Podeis reconhecê-los pelo ensino e pela prática dos princípios verdadeiros da caridade; pela consolação que distribuírem aos aflitos; pelo amor que dedicarem ao próximo; pela sua renúncia, pela dedicação ao próximo. Podeis reconhecê-los, finalmente, pela vitória dos seus princípios divinos, porque Deus quer que a sua lei triunfe; os que a seguem são os escolhidos que vencerão.
Os que, porém, falseiam o espírito dessa lei, para satisfazer à sua vaidade e à sua ambição, esses serão destruídos.

* N. E. - Línguas de fogo: referência à manifestação dos Espíritos em que os apóstolos falavam línguas desconhecidas e que ocorreu no dia de Pentecostes. Os videntes atestaram o fenômeno hoje perfeitamente explicado pela Doutrina Espírita. (Veja no Novo Testamento Atos, 2:2 a 13 e 3:17.)

NA GLEBA DO MUNDO

"Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende.
Este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um”.
- JESUS. (Mateus, 13:23.).

Efetivamente, a vida é comparável ao trato de solo que nos é concedido cultivar.
Ergue-te, cada dia, e ampara o teu campo de serviço, a fim de que te incumbes. O terreno é o próximo que te propicia colheita.
Lavrar o talhão é dar de nós sem pensar em nós.
Basta plantes o bem para que o bem te responda. Para isso, no entanto, é imperioso agir e perseverar no trabalho.
Nunca esmorecer.
Qual ocorre na lavoura comum, é preciso contar com aguaceiro e canícula, granizo e vento, praga e detrito.
Não valem reclamações. Remova a dificuldade e prossegue firme.
Acima de tudo, importa o rendimento da produção para o benefício de todos.
Se alguém te despreza, menoscabando a suposta singeleza do encargo que te coube, esquece a incompreensão alheia e continua plantando para abastança geral.
Muita gente não se recorda de que o pão alvo sobe à mesa à custa do suor de quantos mergulham as mãos no barro da gleba, a fim de que a semente possa frutificar.
Quando essa ou aquela pessoa te requisite a descanso, sem que a tua consciência acuse fadiga, não acredites nessa ilusão.
A ferrugem do ócio consome o arado muito mais que a movimentação no serviço.
Trabalha e confia, na certeza de que o Senhor da Obra te observa e segue vigilante.
Não duvides, nem temas.
Dá o melhor de ti mesmo a Seara da vida, e o Divino Lavrador, sem que percebas, pendurará nas frondes do teu ideal a floração da esperança e a messe do triunfo.

Livro Ceifa de Luz – Emmanuel – Chico Xavier.