domingo, 16 de agosto de 2020

NÃO VOS INQUIETEIS PELA POSSE DO OURO


9. e 10. Não vos inquieteis pela posse do ouro ou da prata, ou de outra moeda em vosso bolso. Não prepareis nem um saco para o caminho, nem duas roupas, nem sapatos, nem bastões, pois aquele que trabalha merece ser alimentado.

Em qualquer cidade ou em qualquer vila que entrardes, informai-vos de quem é digno de vos hospedar, e permanecei na sua casa até que vos retireis. Ao entrar na casa, saudai-a dizendo: Que a paz esteja nesta casa. Se essa casa for digna disso, vossa paz virá sobre ela; e se não for digna, vossa paz voltará para vós.

Quando alguém não quiser vos receber, nem escutar vossas palavras, sacudi a poeira de vossos pés ao sair dessa casa. Eu vos digo em verdade que, no dia do julgamento, Sodoma e Gomorra serão tratadas menos rigorosamente do que essa cidade.(Mateus, 10:9 a 15)

11. Estas palavras, que Jesus dirigiu a seus apóstolos quando os enviou pela primeira vez para anunciar a boa-nova, nada tinham de estranho naquela época; elas estavam de acordo com os costumes patriarcais do Oriente, onde o viajante era sempre recebido na tenda. Mas, então, os viajantes eram raros. Entre os povos modernos, o crescimento das viagens criou novos costumes. Encontram-se viajores dos tempos antigos apenas em regiões afastadas, onde o grande tráfego ainda não penetrou. Se Jesus voltasse hoje, não diria mais a seus apóstolos: Colocai-vos a caminho sem provisões.

Além do seu sentido próprio, estas palavras têm um conteúdo moral muito profundo: Jesus ensinava seus discípulos a confiar na Providência. Além disso, eles, nada tendo, não poderiam provocar a cobiça naqueles que os recebessem; era o meio de distinguir os caridosos dos egoístas, e é por isso que lhes diz: Informai-vos quem é digno de vos hospedar; isto é, quem é bastante humano para abrigar o viajante que não tem com o que pagar, é digno de ouvir vossas palavras, e é pela caridade que os reconhecereis.

Quanto àqueles que não os quisessem receber e escutar, acaso recomendou que os amaldiçoassem, que se impusessem a eles, que usassem de violência e de força para os converter? Não. Simplesmente recomendou irem a outros lugares, procurar pessoas de boa-vontade.

O mesmo diz hoje o Espiritismo a seus adeptos: Não violenteis nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar sua crença para adotar a vossa; não amaldiçoeis os que não pensem como vós; acolhei os que vêm até vós e deixai em paz os que vos repelem.

Lembrai-vos das palavras do Cristo: Antigamente o Céu era tomado com violência, mas hoje o é pela brandura.

DIANTE DO SENHOR

“Por que não entendeis a minha linguagem?

Por não poderdes ouvir a minha palavra.”

Jesus. (João, 8:43.)

A linguagem do Cristo sempre se afigurou a muitos aprendizes indecifrável e estranha.

Fazer todo o bem possível, ainda quando os males sejam crescentes e numerosos.

Emprestar sem exigir retribuição.

Desculpar incessantemente.

Amar os próprios adversários.

Ajudar aos caluniadores e aos maus.

Muita gente escuta a Boa Nova, mas não lhe penetra os ensinamentos.

Isso ocorre a muitos seguidores do Evangelho, porque se utilizam da força mental em outros setores.

Crêem vagamente no socorro celeste, nas horas de amargura, mostrando, porém, absoluto desinteresse ante o estudo e ante a aplicação das leis divinas. A preocupação da posse lhes absorve a existência.

Reclamam o ouro do solo, o pão do celeiro, o linho usável, o equilíbrio da carne, o prazer dos sentidos e a consideração social, com tamanha volúpia que não se recordam da posição de simples usufrutuários do mundo em que se encontram e nunca refletem na transitoriedade de todos os patrimônios materiais, cuja função única é a de lhes proporcionar adequado clima ao trabalho na caridade e na luz, para engrandecimento do espírito eterno.

Registram os chamamentos do Cristo, todavia, algemam furiosamente a atenção aos apelos da vida primária.

Percebem, mas não ouvem.

Informam-se, mas não entendem.

Nesse campo de contradições, temos sempre respeitáveis personalidades humanas e, por vezes, admiráveis amigos.

Conservam no coração enormes potenciais de bondade, contudo, a mente deles vive empenhada no jogo das formas perecíveis.

São preciosas estações de serviço aproveitável, com o equipamento, porém, ocupado em atividades mais ou menos inúteis.

Não nos esqueçamos, pois, de que é sempre fácil assinalar a linguagem do Senhor, mas é preciso apresentar-lhe o coração vazio de resíduos da Terra, para receber-lhe, em espírito e verdade, a palavra divina.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Francisco Cândido Xavier.

domingo, 9 de agosto de 2020

OBSERVAI OS PÁSSAROS DO CÉU

6. Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os consumirão, onde os ladrões os desenterram e os roubam; acumulai tesouros no Céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os consumirão; onde os ladrões não penetram nem roubam, pois, onde está vosso tesouro, também está o vosso coração.

É por isso que vos digo: Não vos inquieteis por encontrar o que comer para o sustento de vossa vida, nem por terdes roupas para cobrir vosso corpo. A vida não é mais do que o alimento, e o corpo mais do que a roupa?

Observai os pássaros do céu: eles não semeiam e não colhem, e não guardam nada nos celeiros; mas vosso Pai Celeste os alimenta; vós não sois muito mais do que eles? E quem é aquele dentre vós que pode, com todos os seus cuidados, acrescentar à sua estatura a altura de um côvado?

Por que também vos inquietais pela roupa? Observai como crescem os lírios dos campos; eles não trabalham, nem fiam; e entretanto, eu vos declaro que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, nunca se vestiu como um deles. Se, pois, Deus tem o cuidado de vestir desse modo uma erva dos campos, que hoje existe e que amanhã será lançada na fornalha, quanto mais cuidado terá em vos vestir, homens de pouca fé!

Não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos, ou o que beberemos, ou com o que nos vestiremos? – como fazem os pagãos que procuram todas essas coisas; vosso Pai sabe que tendes necessidades delas.

Buscai, pois, primeiramente o reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. Por isso, não fiqueis inquietos pelo dia de amanhã, pois o amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta a sua aflição. (Mateus, 6:19 a 21, 25 a 34)

7. As palavras do ensinamento de Jesus, interpretadas ao pé da letra, seriam a negação de toda a previdência, de todo o trabalho e, por conseguinte, de todo o progresso. Dessa forma, o homem seria reduzido a um espectador passivo; suas forças físicas e intelectuais não teriam atividade. Se essa tivesse sido sua condição normal na Terra, jamais teria saído do estado primitivo e, se fizesse dessa condição sua lei atual, viveria sem ter nada a fazer. Esse não pode ter sido o pensamento de Jesus, pois estaria em contradição com o que disse, em outras vezes, e com as próprias leis da Natureza. Deus criou o homem sem roupas e sem abrigo, mas deu-lhe a inteligência para fabricá-los. (Veja nesta obra Caps. 16:6; e 25:2.)

Estas palavras devem ser entendidas apenas como uma alegoria poética da Providência, que jamais abandona os que nela depositam sua confiança, mas que, por seu lado, trabalham. Se nem sempre vem em ajuda com o socorro material, inspira-lhes ideias com as quais encontram os meios de se livrar das dificuldades por si mesmos. (Veja nesta obra Cap. 27:8.)

Deus conhece nossas necessidades, e as atende segundo o necessário. O homem, sempre insatisfeito em seus desejos, nem sempre se contenta com o que tem. O necessário já não lhe basta, tem necessidade do supérfluo. A Providência deixa-o entregue à própria sorte. Torna-se então infeliz por sua própria culpa e por ter ignorado a voz interior que o advertia em sua consciência. Deus o deixa sofrer as consequências disso, a fim de que lhe sirvam de lição para o futuro. (Veja nesta obra Cap. 5:4.)

8. A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes quando os homens souberem administrar os bens que ela dá, segundo as leis de justiça, de caridade e de amor ao próximo. Quando a fraternidade reinar entre os diversos povos, como entre as províncias de um mesmo império, o supérfluo momentâneo de um suprirá a insuficiência momentânea do outro, e todos terão o necessário. O rico, então, se considerará como um homem que tem uma grande quantidade de sementes. Se as plantar, produzirão ao cêntuplo para ele e para os outros. Se as comer sozinho, ou se desperdiçar o excedente do que não conseguiu comer, elas não produzirão nada, e delas não tirará proveito para os outros. Se as guardar em seu celeiro, os vermes as comerão. Foi por isso que Jesus disse: Não acumuleis tesouros na Terra, pois são perecíveis, mas acumulai-os no Céu, onde são eternos. Em outras palavras, não vos apegueis demasiadamente aos bens materiais e nem lhes deis mais importância do que aos bens espirituais, e aprendei a sacrificar os primeiros em benefício dos segundos. (Veja nesta obra Cap. 16:7 e seguintes.)

Não é com leis que se decretam a caridade e a fraternidade. Se elas não estiverem no coração do homem, o egoísmo imperará sempre.

Cabe ao Espiritismo fazê-las penetrar nele.

 

VIVER EM PAZ

“... Vivei em paz...” – Paulo. (2ª Epístola aos Coríntios, 13:11.)

 Mantém-te em paz.

É provável que os outros te guerreiem gratuitamente, hostilizando-te a maneira de viver; entretanto, podes avançar em teu roteiro, sem guerrear a ninguém.

Para isso, contudo – para que a tranquilidade te banhe o pensamento –, é necessário que a compaixão e a bondade te sigam todos os passos.

Assume contigo mesmo o compromisso de evitar a exasperação.

Junto da serenidade, poderás analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e na posição que lhes dizem respeito.

Repara, carinhosamente, os que te procuram no caminho...

Todos os que surgem, aflitos ou desesperados, coléricos ou desabridos, trazem chagas ou ilusões. Prisioneiros da vaidade ou da ignorância, não souberam tolerar a luz da verdade e clamam irritadiços... Unge-te de piedade e penetra-lhes os recessos do ser, e identificarás em todos eles crianças espirituais que se sentem ultrajadas ou contundidas.

Uns acusam, outros choram.

Ajuda-os, enquanto podes.

Pacificando-lhes a alma, harmonizarás, ainda mais, a tua vida.

Aprendamos a compreender cada mente em seu problema.

Recorda-te de que a Natureza, sempre divina em seus fundamentos, respeita a lei do equilíbrio e conserva-a sem cessar.

Ainda mesmo quando os homens se mostram desvairados, nos conflitos abertos, a Terra é sempre firme e o Sol fulgura sempre.

Viver de qualquer modo é de todos, mas viver em paz consigo mesmo é serviço de poucos.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Francisco Cândido Xavier.


domingo, 2 de agosto de 2020

AJUDA-TE E O CÉU TE AJUDARÁ


1. Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; pois todo aquele que pede recebe, e quem procura acha, e se abrirá àquele que bater à porta. Qual é o homem dentre vós que dá uma pedra a seu filho quando lhe pede pão? Ou, em lhe pedindo um peixe, dá uma serpente? Se, pois, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, com quanto mais forte razão vosso Pai, que está nos Céus, dará os verdadeiros bens àqueles que Lhe pedirem. (Mateus, 7:7 a 11)

2. Do ponto de vista terreno, o ensinamento: Buscai e achareis, é semelhante a este: Ajuda-te, e o Céu te ajudará. É o fundamento da lei do trabalho e, por conseguinte, da lei do progresso, uma vez que o progresso é filho do trabalho, e que põe em ação todas as forças da inteligência do homem.

Na infância da Humanidade, o homem apenas usa da sua inteligência à procura dos alimentos, dos meios de proteger-se das tempestades e defender-se de seus inimigos. Deus, porém, diferenciando-o dos animais irracionais, deu-lhe o desejo incessante de melhorar-se. É esse desejo que o leva a pesquisar meios de melhorar sempre suas condições de vida e o conduz às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da Ciência, visto que é a Ciência que lhe proporciona o que lhe falta. Por essas pesquisas, sua inteligência se desenvolve, sua moral se purifica. Às necessidades do corpo sucedem as do Espírito. Além do alimento material, é preciso a alimentação espiritual, e é assim que o homem passa do estado de selvagem para o de civilizado.

Porém, o progresso que cada homem realiza individualmente durante sua vida é muito pequeno, até mesmo imperceptível para um grande número deles. Como é que então a Humanidade poderia ter progredido sem a preexistência e a reexistência da alma? Supondo-se que as almas deixassem a Terra todos os dias para não mais voltar, a Humanidade não progrediria, visto que seres primitivos encarnariam incessantemente, e teriam de fazer tudo de novo e aprender tudo outra vez. Se isto ocorresse, não haveria razão para que o homem fosse hoje mais avançado do que nas primeiras idades do mundo, uma vez que, a cada nascimento, todo o trabalho intelectual teria que recomeçar. Ao contrário, retornando com o progresso que adquiriu, e acrescentando a cada reencarnação alguma experiência a mais, a alma passa gradualmente do estado de selvagem à civilização material, e desta à civilização moral.

3. Se Deus tivesse desobrigado o homem do trabalho físico, seus membros ficariam atrofiados, e se não o obrigasse ao trabalho da inteligência, seu Espírito permaneceria na infância, no estado de instinto animal. É por isso que fez do trabalho uma necessidade, e disse-lhe: Buscai e achareis; trabalhai e produzireis. Deste modo, sereis filho de vossas obras, tereis o mérito da sua realização e sereis recompensado segundo o que fizerdes.

4. É por causa deste princípio que os Espíritos não vêm isentar o homem ao trabalho de pesquisas, trazendo-lhe descobertas e invenções já feitas e prontas para serem utilizadas, porque o levaria a usar apenas o que fosse colocado em suas mãos, sem ao menos ter o trabalho de abaixar-se para pegar e, nem mesmo, o trabalho de pensar. Se assim fosse, o mais preguiçoso dos homens poderia ficar rico, o mais inculto se tornaria sábio, ambos sem nenhum esforço, e se atribuiriam o mérito do que não fizeram.

Não. Os Espíritos não vêm desobrigar o homem da lei do trabalho e, sim, mostrar-lhe o objetivo que deve atingir e o caminho que o conduz até lá, ao lhe dizer: Andai e chegareis. Encontrareis pedras no caminho; olhai-as e afastai-as; nós vos daremos a força necessária se quiserdes empregá-la.

5. Do ponto de vista moral, estas palavras de Jesus significam: Pedi a luz que deve iluminar vosso caminho e ela vos será dada; pedi a força para resistir ao mal e a tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos e eles virão vos acompanhar e, como o anjo de Tobias*, vos servirão de guias; pedi bons conselhos e nunca vos serão recusados; batei à nossa porta e ela vos será aberta; mas pedi sinceramente, com fé, fervor e confiança; apresentai-vos com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças, e as quedas que sofrereis serão a punição de vosso orgulho. É este o sentido destas palavras do Cristo: Buscai e achareis, batei e se vos abrirá. 

* N. E. - Tobias: patriarca judeu do 1o- século a.C., autor do Livro de Tobias, em que relata a sua convivência com um Espírito.

GLORIFIQUEMOS

“Ora, a nosso Deus e Pai seja dada glória para todo o sempre.”

Paulo. (Filipenses, 4:20.)

Quando o vaso se retirou da cerâmica, dizia sem palavras:

Bendito seja o fogo que me proporcionou a solidez. 

Quando o arado se ausentou da forja, afirmava em silêncio:

Bendito seja o malho que me deu forma.

Quando a madeira aprimorada passou a brilhar no palácio, exclamava, sem voz:

Bendita seja a lâmina que me cortou cruelmente, preparando-me a beleza.

Quando a seda luziu, formosa, no templo, asseverava no íntimo:

Bendita seja a feia lagarta que me deu vida.

Quando a flor se entreabriu, veludosa e sublime, agradeceu, apressada:

Bendita a terra escura que me encheu de perfume.

Quando o enfermo recuperou a saúde, gritou, feliz:

Bendita seja a dor que me trouxe a lição do equilíbrio.

Tudo é belo, tudo é grande, tudo é santo na casa de Deus.

Agradeçamos a tempestade que renova, a luta que aperfeiçoa, o sofrimento que ilumina.

A alvorada é maravilha do céu que vem após a noite na Terra.

Que em todas as nossas dificuldades e sombras seja nosso Pai glorificado para sempre.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Francisco Cândido Xavier.


domingo, 26 de julho de 2020

CARREGAR A CRUZ. QUEM QUISER SALVAR A VIDA, A PERDERÁ.

17. Sereis bem felizes, quando os homens vos odiarem, vos separarem, vos tratarem injuriosamente, rejeitarem vosso nome como mau por causa do Filho do Homem. Regozijai-vos nesse dia, e alegrai-vos, pois uma grande recompensa vos está reservada no Céu, pois foi assim que os pais deles trataram os profetas. (Lucas, 6:22 e 23)
18. Ao chamar a si o povo e os discípulos, Jesus disse: Se alguém quiser me seguir, que renuncie a si mesmo, que carregue sua cruz e siga-me; pois aquele que quiser salvar a si mesmo se perderá; e aquele que se perder por amor a mim e ao Evangelho se salvará. De fato, de que serviria a um homem ganhar tudo e perder a si mesmo? (Marcos, 8:34 a 36; Lucas, 9:23 a 25; Mateus, 10:39; João, 12:25 e 26)
19. Alegrai-vos, disse Jesus, quando os homens vos odiarem e vos perseguirem por minha causa, porque sereis recompensados no Céu. Estas palavras podem ser interpretadas do seguinte modo: “Sede felizes quando os homens, pela má vontade manifestada para convosco, vos derem a ocasião de provar a sinceridade de vossa fé, porque o mal que vos fizerem reverterá em vosso proveito. Lamentai-os, por sua cegueira, e não os amaldiçoeis”.
Depois, acrescenta: Aquele que quer me seguir carregue sua cruz, ou seja, que suporte corajosamente as dificuldades que sua fé lhe acarretar; pois aquele que quiser salvar sua vida e seus bens renunciando a mim perderá as vantagens do reino dos Céus, enquanto aqueles que tiverem perdido tudo na Terra, até mesmo a vida, para o triunfo da verdade, receberão na vida futura o prêmio da coragem, da perseverança e do desprendimento demonstrados. Mas, àqueles que sacrificam os bens celestes aos prazeres terrenos, Deus dirá: Já recebestes a vossa recompensa.

APÓS JESUS

“E, quando o iam levando, tomaram um certo Simão, cireneu,
que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas,
para que a levasse após Jesus.” – (Lucas, 23:26.)

A multidão que rodeava o Mestre, no dia supremo, era enorme.
Achavam-se ali os gozadores impenitentes do mundo, os campeões da usura, os ridicularizadores, os ignorantes, os espíritos fracos que reconheciam a superioridade do Cristo e temiam anunciar as próprias convicções, os amigos vacilantes do Evangelho, as testemunhas acovardadas, os beneficiados pelo Divino Médico, que se ocultavam, medrosos, com receio de sacrifícios.
Mas um estrangeiro, instado pelo povo, aceitou o madeiro, embora constrangidamente, e seguiu carregando-o, após Jesus.
A lição, entretanto, seria legada aos séculos do futuro...
O mundo ainda é uma Jerusalém enorme, congregando criaturas dos mais variados matizes, mas se te aproximas do Evangelho, com sinceridade e fervor, colocam-te a cruz sobre o coração.
Daí em diante, serás compelido às maiores demonstrações de renúncia, raros te observarão o cansaço e a angústia e, não obstante a tua condição de servidor, com os mesmos problemas dos outros, exigir-te-ão espetáculos de humildade e resistência, heroísmo e lealdade ao bem.
Sofre e trabalha, de olhos voltados para a Divina Luz.
Do Alto descerão para o teu Espírito as torrentes invisíveis das fontes celestes, e vencerás valorosamente.
Por enquanto, a cruz ainda é o sinal dos aprendizes fiéis.
Se não tens contigo as marcas do testemunho pela responsabilidade, pelo trabalho, pelo sacrifício ou pelo aprimoramento íntimo, é possível que ames profundamente o Mestre, mas é quase certo que ainda não te colocaste, junto dele, na jornada redentora.
Abençoemos, pois, a nossa cruz e sigamo-lo, destemerosos, buscando a vitória do amor e a ressurreição eterna.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Francisco Cândido Xavier.

domingo, 19 de julho de 2020

CORAGEM DA FÉ


13. Todo aquele que me confessar e me reconhecer diante dos homens, eu o reconhecerei e confessarei diante de meu Pai que está nos Céus; e todo aquele que me renegar diante dos homens, eu o renegarei também, diante de meu Pai que está nos Céus. (Mateus, 10:32 e 33)
14. Se alguém se envergonha de mim e de minhas palavras, o Filho do Homem se envergonhará dele também, quando vier em sua glória e na de seu Pai e dos santos anjos. (Lucas, 9:26)
15. A coragem de manifestar opinião própria sempre foi estimada entre os homens, pois há mérito em enfrentar os perigos, as perseguições, as contradições, e até mesmo as simples ironias, aos quais se expõe, quase sempre, aquele que não teme proclamar abertamente as ideias que não são as de todos. Nisto, como em tudo, o mérito está na razão das circunstâncias e da importância do resultado.
Há sempre fraqueza em recuar diante das dificuldades de defender sua opinião e de renegá-la, mas há casos em que isto equivale a uma covardia tão grande quanto a de fugir no momento do combate.
Jesus destaca essa covardia, do ponto de vista especial da sua doutrina, ao dizer que, se alguém se envergonha de suas palavras, Ele se envergonhará também dele; que renegará aquele que O tiver renegado; que aquele que O confessar diante dos homens, Ele o reconhecerá diante do Pai que está nos Céus; em outras palavras: Aqueles que tiverem medo de se confessar discípulos da verdade não são dignos de ser admitidos no reino da verdade. Perderão, assim, a vantagem de sua fé, porque é uma fé egoísta, que guardam para si mesmos, mas que escondem com medo que lhes acarrete prejuízo neste mundo, ao passo que, ao colocar a verdade acima de seus interesses materiais, proclamando-a abertamente, trabalham ao mesmo tempo pelo seu futuro e pelo dos outros.
16. Assim será com os adeptos do Espiritismo, uma vez que sua doutrina é o desenvolvimento e a aplicação do Evangelho. É a eles, portanto, que também se dirigem as palavras do Cristo: Semeiam na Terra o que colherão na vida espiritual; lá, recolherão os frutos de sua coragem ou de sua fraqueza.

NA GRANDE ROMAGEM

“Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para
um lugar que havia de receber por herança; e saiu,
sem saber para onde ia.” – Paulo. (Hebreus, 11:8.)

Pela fé, o aprendiz do Evangelho é chamado, como Abraão, à sublime herança que lhe é destinada.
A conscrição atinge a todos.
O grande patriarca hebreu saiu sem saber para onde ia...
E nós, por nossa vez, devemos erguer o coração e partir igualmente.
Ignoramos as estações de contacto na romagem enorme, mas estamos informados de que o nosso objetivo é Cristo Jesus.
Quantas vezes seremos constrangidos a pisar sobre espinheiros da calúnia? Quantas vezes transitaremos pelo trilho escabroso da incompreensão? Quantos aguaceiros de lágrimas nos alcançarão o espírito? Quantas nuvens estarão interpostas, entre o nosso pensamento e o Céu, em largos trechos da senda?
Insolúvel a resposta.
Importa, contudo, marchar sempre, no caminho interior da própria redenção, sem esmorecimento.
Hoje, é o suor intensivo; amanhã, é a responsabilidade; depois, é o sofrimento e, em seguida, é a solidão...
Ainda assim, é indispensável seguir sem desânimo.
Quando não seja possível avançar dois passos por dia, desloquemo-nos para diante, pelo menos, alguns milímetros.
Abre-se a vanguarda em horizontes novos de entendimento e bondade, iluminação espiritual e progresso na virtude.
Subamos, sem repouso, pela montanha escarpada:
- vencendo desertos;
- superando dificuldades;
- varando nevoeiros;
- eliminando obstáculos.
Abraão obedeceu, sem saber para onde ia, e encontrou a realização da sua felicidade.
Obedeçamos, por nossa vez, conscientes de nossa destinação e convictos de que o Senhor nos espera, além da nossa cruz, nos cimos resplandecentes da eterna ressurreição.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Francisco Cândido Xavier.

domingo, 12 de julho de 2020

OS SÃOS NÃO TÊM NECESSIDADE DE MÉDICO

11. Jesus, estando à mesa na casa deste homem (Mateus), vieram muitos publicanos e pessoas de má vida que se colocaram à mesa com Jesus e seus discípulos; e vendo isso, os fariseus disseram a seus discípulos: Por que vosso Mestre come com os publicanos e pessoas de má vida? Mas Jesus, os tendo escutado, lhes disse: Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. (Mateus, 9:10 a 12)
12. Jesus dirigia-se, principalmente, aos pobres e aos deserdados, pois são eles os que têm maior necessidade de consolação; aos cegos dóceis e de boa-fé, porque pedem para ver, e não aos orgulhosos, que acreditam possuir toda luz e não ter necessidade de nada.
Estas palavras causam admiração como tantas outras, mas aplicam-se perfeitamente ao Espiritismo. A mediunidade está neste caso. Parece estranho que ela seja concedida a pessoas indignas e capazes de fazer mau uso dela; costuma-se dizer que um dom tão precioso deveria ser dado somente aos mais merecedores.
Digamos, primeiramente, que a mediunidade faz parte da condição orgânica de qualquer pessoa. Qualquer um a pode ter, assim como vê, ouve e fala, e qualquer criatura, em virtude do seu livre-arbítrio, pode delas abusar. Se Deus tivesse concedido a palavra apenas àqueles que fossem capazes de dizer coisas boas, haveria na Terra mais mudos do que falantes. Deus deu aos homens os dons, e os deixou livres para usá-los, embora sempre puna os que deles abusam.
Se o dom de comunicar-se com os Espíritos fosse dado apenas aos mais dignos, quem ousaria pretendê-lo? Onde estaria o limite da dignidade e da indignidade? A mediunidade é, portanto, dada a todos, a fim de que os Espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, tanto ao pobre quanto ao rico; aos sábios para fortalecê-los no bem, aos viciosos para corrigi-los. Não são estes últimos, os doentes, que têm necessidade de médico? Por que Deus, que não quer a morte do pecador, o privaria da ajuda que pode tirá-lo do lamaçal? Os bons Espíritos vêm ajudá-lo, e os conselhos que recebe diretamente são de natureza a impressioná-lo mais vivamente do que se os recebesse por outros caminhos. Deus, em sua bondade, para lhe poupar o trabalho de ir procurar a luz ao longe, a coloca em suas mãos; não será bem mais culpado se não quiser ver? Poderá se desculpar por sua ignorância, quando ele mesmo tiver escrito, visto com seus olhos, ouvido com seus ouvidos e pronunciado com a própria boca sua condenação? Se não aproveita, é então punido pela perda ou pela perversão do seu dom, do qual os maus Espíritos se aproveitam para obsediá-lo e enganá-lo, além das aflições comuns com que a Lei de Deus atinge seus servidores indignos e os corações endurecidos pelo orgulho e o egoísmo.
A mediunidade não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos superiores; é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos útil aos Espíritos em geral. O bom médium não é, portanto, aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos, e que só deles recebe assistência. É somente nesse sentido que a excelência das qualidades morais tem influência sobre a mediunidade.

Mediunidade

Mediunidade sem exercício no bem, é semelhante ao título profissional sem a função que lhe corresponde.
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A medicina é venerável em suas finalidades, mas se o médico abomina os doentes, não lhe vale o ingresso no apostolado da cura.
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A lavoura é serviço que assegura à comunidade o pão de cada dia, contudo, se o homem do campo odeia o arado, preferindo acomodar-se com a inércia, debalde a gleba em suas mãos recolherá o apoio do sol e a bênção da chuva.
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Mediunidade não é pretexto para situar-se a criatura no fenômeno exterior ou no êxtase inútil, à maneira da criança atordoada no deslumbramento da festa vulgar.
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É, acima de tudo, caminho de árduo trabalho em que o espírito, chamado a servi-la, precisa consagrar o melhor das próprias forças para colaborar no desenvolvimento do bem.
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O médium, por isso, será vigilante cultor do progresso, assistindo-lhe a obrigação de aprimorar-se incessantemente para refletir com mais segurança a palavra ou o alvitre, o pensamento ou a sugestão da Vida Maior.
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Nesse sentido, sabendo que a experiência humana é vasta colmeia de luta na qual enxameiam desencarnados de toda sorte, urge saiba ajustar-se à companhia de ordem superior, buscando no convívio de Espíritos Benevolentes e Sábios o clima ideal para a missão que lhe compete cumprir, significando isso disciplina constante no estudo nobre e ação incansável na beneficência em favor dos outros.
*
Essa é a única senda de acesso à vida mais alta, através da qual, auxiliando sem a preocupação de ser auxiliado, servindo sem exigência e distribuindo, sem retribuição, os talentos que recebe, poderá o medianeiro honrar efetivamente a mediunidade, por ela espalhando os frutos de Paz e Amor que lhe repontam da vida, em marcha gradativa para a Grande Luz.

Livro Mediunidade e Sintonia – Espírito Emmanuel – Médium Francisco Cândido Xavier.

domingo, 5 de julho de 2020

NÃO PROCUREIS OS GENTIOS


8. Jesus enviou seus doze apóstolos, após lhes ter dado as seguintes instruções: Não procureis os gentios, e não entreis nas cidades dos samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; e nos lugares onde fordes, pregai dizendo que o reino dos Céus está próximo. (Mateus, 10:5 a 7)
9. Jesus prova, em muitas circunstâncias, que os seus ensinamentos não estão voltados somente ao povo judeu, mas abrangem toda a Humanidade. Se Ele disse aos apóstolos para não irem aos pagãos, não foi por desprezar a conversão deles, o que seria pouco caridoso. É que os judeus já acreditavam num único deus e esperavam um messias, estando preparados, pela lei de Moisés e pelos profetas, para receber essas promessas. Entre os pagãos, como não houvesse base, tudo estava por fazer, e os apóstolos ainda não estavam suficientemente esclarecidos para uma tarefa tão difícil; é por isso que lhes diz: Ide às ovelhas desgarradas de Israel, ou seja, ide semear em terreno já desbravado, sabendo que a conversão dos gentios viria a seu tempo. De fato, mais tarde, foi no próprio centro do paganismo que os apóstolos foram plantar a cruz.
10. Estas palavras podem também se aplicar aos seguidores e aos propagadores do Espiritismo, para os quais os incrédulos sistemáticos, os zombadores obstinados, os adversários interesseiros são o que eram os gentios para os apóstolos, e, seguindo-lhes o exemplo, devem procurar, primeiramente, seguidores entre as pessoas de boa vontade, que desejam a luz, e que têm um gérmen fecundo de fé, e cujo número é grande. Não devem perder tempo com os que se recusam a ver e a ouvir, e tanto mais resistem por orgulho quanto mais se parece dar valor à sua conversão. Mais vale abrir os olhos a cem cegos que desejam ver claramente do que a um só que prefere as trevas. Disto resultará um maior número de sustentadores da Doutrina. Deixar os
outros tranquilos não é indiferença, mas boa política. A vez deles chegará, quando, dominados pela opinião geral, e ouvindo a mesma coisa sem parar, repetidamente, ao redor deles, acreditarão aceitar a ideia voluntariamente, por si mesmos, e não influenciados por outras pessoas. Além disso, ocorre com as ideias o mesmo que com as sementes: elas não podem germinar antes da estação, e somente em terreno preparado. Eis por que é melhor esperar o tempo propício e cultivar primeiro as que germinem, evitando perder as outras ao apressá-las muito.
No tempo de Jesus, em consequência das ideias restritas e materiais da época, tudo era limitado e localizado; a casa de Israel era um pequeno povo; os gentios eram também pequenos povos vizinhos. Hoje, as ideias se universalizam e se espiritualizam. A nova luz já não é privilégio de nenhuma nação; para ela não existe mais barreira; o seu foco está em todos os lugares, e todos os homens são irmãos. Mas os gentios também não são mais um pequeno povo, eles são agora uma opinião que encontramos em muitos lugares, sobre a qual a verdade triunfa pouco a pouco, como o Cristianismo triunfou sobre o paganismo. Não é mais com as armas de guerra que são combatidos, mas com a força da ideia.

* N. E. - Gentio: pagão, idólatra; (neste caso) que não aceitava a crença em um único deus.

ESTENDAMOS O BEM

“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”.
– Paulo. (Romanos, 12:21.)

Repara que, em plena casa da Natureza, todos os elementos, em face do mal, oferecem o melhor que possuem para o reajustamento da harmonia e para a vitória do bem.
Quando o temporal parece haver destruído toda a paisagem, congregam-se as forças divinas da vida para a obra do refazimento.
O Sol envia luz sobre o lamaçal, curando as chagas do chão.
O vento acaricia o arvoredo e enxuga-lhe os ramos.
O cântico das aves substitui a voz do trovão.
A planície recebe a enxurrada, sem revoltar-se, e converte-a em adubo precioso.
O ar que suporta o peso das nuvens e o choque da faísca destruidora, torna à leveza e à suavidade.
A árvore de frondes quebradas ou feridas regenera-se, em silêncio, a fim de produzir novas flores e novos frutos.
A terra, nossa mãe comum, sofre a chuva de granizos e o banho de lodo, periodicamente, mas nem por isso deixa de engrandecer o bem cada vez mais.
Por que conservaremos, por nossa vez, o fel e o azedume do mal, na intimidade do coração?
Aprendamos a receber a visita da adversidade, educando-lhe as energias para proveito da vida.
A ignorância é apenas uma grande noite que cederá lugar ao sol da sabedoria.
Usa o tesouro de teu amor, em todas as direções, e estendamos o bem por toda parte.
A fonte, quando tocada de lama, jamais se dá por vencida.
Acolhe os detritos no próprio seio e, continuando a fluir, transforma-os em bênçãos, no curso de suas águas que prosseguem correndo, com brandura e humildade, para benefício de todos.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Francisco Cândido Xavier.