domingo, 25 de julho de 2021

É PERMITIDO ABREVIAR A VIDA DE UM DOENTE QUE SOFRE SEM ESPERANÇA DE CURA?

São Luís - Paris, 1860

28. Um homem está agonizante, vítima de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado não tem esperanças. É permitido poupar-lhe alguns instantes de agonia, apressando o seu fim?

Quem, no entanto, vos daria o direito de prejulgar os planos de Deus? Não pode o Senhor conduzir um homem à margem do abismo para retirá-lo de lá, a fim de fazê-lo voltar-se sobre si mesmo e de conduzi-lo a outros pensamentos? Ainda que se pense que haja chegado o momento final para um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que essa hora tenha chegado. A Ciência nunca se enganou nessas previsões?

Sei muito bem que há casos que se podem considerar, com razão, como desesperadores. Mas, se não há nenhuma esperança fundada de um retorno definitivo à vida e à saúde, não há também incontáveis exemplos de que, no momento de dar o último suspiro, o doente se reanima e recobra sua lucidez por alguns instantes?

Pois bem! Essa hora de graça que lhe é concedida pode ser para ele da maior importância, pois ignorais os pensamentos que seu Espírito pôde fazer nos momentos finais da sua agonia e quantos tormentos pode lhe poupar um minuto, um momento de arrependimento.

O materialista que apenas vê o corpo e não se dá conta da alma não pode compreender estas coisas. Mas o espírita, que sabe o que se passa além-túmulo, conhece o valor do último pensamento.

Suavizai os últimos sofrimentos tanto quanto vos seja possível fazê-lo; mas guardai-vos de encurtar a vida, que seja apenas por um minuto, pois esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro. 

PORTA ESTREITA

"Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos

procurarão entrar, e não poderão." - Jesus. (LUCAS, 13:24.)

Antes da reencarnação necessária ao progresso, a alma estima na "porta estreita" a sua oportunidade gloriosa nos círculos carnais.

Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina. Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.

Obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de retificação e aperfeiçoamento.

Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as "portas largas" por onde transitam as multidões.

Fugindo à dificuldade, empenha-se pelo menor esforço.

Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal. Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.

E, no sono doentio do passado, atravessa os campos de evolução, sem algo realizar de útil, menosprezando os compromissos assumidos.

Em geral, quase todos os homens somente acordam quando a enfermidade lhes requisita o corpo às transformações da morte.

"Ah! se fosse possível voltar!..." - pensam todos.

Com que aflição acariciam o desejo de tornar a viver no mundo, a fim de aprenderem a humildade, a paciência e a fé!... com que transporte de júbilo se devotariam então à felicidade dos outros! ...

Mas... é tarde. Rogaram a "porta estreita" e receberam-na, entretanto, recuaram no instante do serviço justo. E porque se acomodaram muito bem nas "portas largas", volvem a integrar as fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar, de novo, e não conseguem.

Livro Vinha de Luz – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 18 de julho de 2021

DEVE-SE PÔR UM FIM ÀS PROVAS DO PRÓXIMO?

Bernardin, Espírito Protetor - Bordeaux, 1863

27. Deve-se pôr um fim às provas do próximo, ou é preciso, por respeito às vontades de Deus, deixá-las seguir o seu curso?

Dissemos e repetimos muitas vezes que estais na Terra de expiação para concluir vossas provas, e tudo o que vos acontece é uma consequência de vossas existências anteriores, é o peso e obrigação da dívida que tendes a pagar. Mas este pensamento provoca reflexões em algumas pessoas, ideias as quais é necessário combater, pois poderiam ter consequências desastrosas.

Alguns pensam que, a partir do momento em que se está na Terra para expiar, é preciso que as provas sigam seu curso. Existem mesmo os que até acreditam que não somente é preciso não fazer nada para atenuá-las, mas que, ao contrário, é preciso contribuir para torná-las mais proveitosas, agravando-as. É um grande erro.

Sim, vossas provas devem seguir o curso que Deus lhes traçou, mas conheceis esse curso? Sabeis até que ponto elas devem ir, ou se vosso Pai Misericordioso não disse ao sofrimento deste ou daquele de vossos irmãos: “Não irás mais além?” Sabeis se a Providência não vos escolheu, não como um instrumento de suplício para agravar os sofrimentos do culpado, mas como o alívio de consolação que deve cicatrizar as chagas que Sua justiça tinha aberto? Quando virdes, pois, um de vossos irmãos feridos, não deveis dizer: “É a justiça de Deus, é preciso que ela siga seu curso”; mas dizei, ao contrário: “Vejamos que meios nosso Pai Misericordioso colocou em meu poder para suavizar o sofrimento de meu irmão. Vejamos se minhas consolações morais, meu apoio material, meus conselhos não poderão ajudá-lo a transpor esta prova com ânimo, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não colocou em minhas mãos os meios de fazer parar esse sofrimento; se não me foi dado também como prova, ou expiação, deter o mal e substituí-lo pela paz”.

Ajudai-vos uns aos outros, sempre, em vossas provas. Nunca vos torneis instrumento de tortura para ninguém. Este pensamento deve revoltar todo homem de bom coração, principalmente os espíritas, pois estes devem entender o alcance infinito da bondade de Deus.

O espírita deve pensar que toda a sua vida tem de ser um ato de amor e de dedicação, e que qualquer coisa que faça não contrariará, não causará embaraços às decisões do Senhor, não alterará o curso da Justiça Divina. Pode, sem receio, usar todos os seus esforços para suavizar a amargura da expiação do seu próximo, mas somente Deus pode detê-la ou prolongá-la, segundo julgue necessário.

Não haveria um extremo orgulho por parte do homem ao se acreditar no direito de remexer, por assim dizer, a lâmina na ferida?

De aumentar a dose de amargura no peito daquele que sofre, sob o pretexto de que isso é sua expiação? Olhai-vos sempre como um instrumento escolhido para fazê-la parar. Resumamos desse modo: Estais todos na Terra para expiar; mas todos, sem exceção, deveis empregar todos os vossos esforços para suavizar a expiação de vossos irmãos, segundo a lei de amor e de caridade.

GUARDA A PACIÊNCIA

 “Porque necessitais de paciência, para que, depois de

haverdes feito a Vontade de Deus, possais alcançar a promessa.”

Paulo. (Hebreus, 10:36.)

Provavelmente estarás retendo, há muito tempo, a esperança torturada.

Desejarias que a resposta do mundo aos teus anseios surgisse, imediata, agasalhando-te o coração; entretanto, que paz desfrutarias no triunfo aparente dos próprios sonhos, sem resgatares os débitos que te encadeiam ao problema e à dificuldade?

Como repousar, ante a exigência do credor que nos requisita?

Descansará o delinquente antes da justa reparação à falta cometida?

Sabes que o destino materializar-te-á os planos de ventura, que a vitória te coroará, enfim, a senda de luta, mas reconheceste preso ao círculo de certas obrigações.

O lar convertido em forja de angústia...

A instituição a que serves, onde sofres a intromissão da calúnia ou o golpe da crueldade...

O parente a quem deves respeito e carinho, do qual recolhes menosprezo e ingratidão...

A rede dos obstáculos...

A conspiração das sombras...

A perseguição gratuita, a enfermidade do corpo, a imposição do ambiente...

Se as provas te encarceram nas grades constringentes do dever a cumprir, tem paciência e satisfaze as obrigações a que te enlaçaste!... 

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 11 de julho de 2021

PROVAS VOLUNTÁRIAS. O VERDADEIRO CILÍCIO.

Um Anjo Guardião - Paris, 1863

26. Perguntais se é permitido ao homem suavizar suas próprias provas? Essa questão lembra estas outras: É permitido àquele que se afoga procurar se salvar? Àquele que tem um espinho cravado, retirá-lo? Àquele que está doente, chamar um médico? As provas têm por objetivo exercitar a inteligência, a paciência e a resignação. Um homem pode nascer numa posição humilde e difícil, precisamente para o obrigar a procurar os meios de vencer as dificuldades. O mérito consiste em suportar sem lamentação as consequências dos males que não se podem evitar, em continuar na luta, em não se desesperar se não for bem sucedido, sem nunca, porém, agir com displicência, o que seria antes preguiça do que virtude.

Esta questão conduz naturalmente a uma outra, uma vez que Jesus disse: Bem-aventurados os aflitos, há mérito em procurar aflições, agravando suas provas com sofrimentos voluntários? A isso responderei muito claramente: sim, há um grande mérito quando os sofrimentos e as privações têm por objetivo o bem do próximo, pois isto é a caridade por meio do sacrifício. Não, quando visa apenas favorecer a si mesmo, porque é egoísmo vaidoso.

Aqui, há uma grande distinção a se fazer: para vós, pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus vos envia e não aumenteis a carga por vezes já tão pesada; aceitai-as sem lamentação e com fé, é tudo o que Ele vos pede. Não enfraqueçais vosso corpo com privações inúteis e mortificações sem objetivo, pois tendes necessidade de todas as vossas forças para realizar vossa missão de trabalho na Terra. Torturar voluntariamente e martirizar vosso corpo é transgredir a Lei de Deus, que vos dá os meios de sustentá-lo e fortificá-lo; enfraquecê-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio. Usai, mas não abuseis: esta é a lei. O abuso das melhores coisas traz sua punição, que acarreta consequências inevitáveis.

Outra coisa são os sofrimentos que alguém impõe a si próprio em favor de outrem. Se suportais o frio e a fome para reanimar e alimentar aquele que tem necessidade do alimento e do agasalho, e se vosso corpo padece em consequência disso, eis o sacrifício que é abençoado por Deus. Vós, que deixais vossos aposentos perfumados para ir a uma habitação miserável levar a consolação, que sujais vossas mãos delicadas cuidando de chagas, que vos privais do sono para velar à cabeceira de um doente que apenas é vosso irmão em Deus, enfim, vós que usais vossa saúde na prática das boas obras, eis vosso sacrifício abençoado, pois as alegrias do mundo não ressecaram vosso coração; não adormecestes em meio aos prazeres ilusórios da riqueza, mas vos fizestes anjos consoladores dos pobres abandonados.

Mas vós, que vos retirais do mundo para evitar suas seduções e viver no isolamento, que utilidade tendes na Terra? Onde está vossa coragem nas provas, uma vez que fugis da luta e desertais do combate? Se quiserdes um sacrifício, aplicai-o sobre vossa alma e não sobre vosso corpo; mortificai vosso Espírito e não vossa carne; castigai vosso orgulho, recebei as humilhações sem vos lamentardes; pisai em vosso amor-próprio; resisti à dor das ofensas e à calúnia mais torturante que a dor física. Eis a verdadeira penitência, cujas feridas vos serão contadas, porque atestarão vossa coragem e vossa submissão à vontade de Deus.

COMO SOFRES? 

"Mas, se padece como cristão, não se envergonhe,

antes glorifique a Deus nesta parte."

Pedro. (I PEDRO, 4:16.) 

Não basta sofrer simplesmente para ascender à glória espiritual.

Indispensável é saber sofrer, extraindo as bênçãos de luz que a dor oferece ao coração sequioso de paz.

Muita gente padece, mas quantas criaturas se complicam, angustiadamente, por não saberem aproveitar as provas retificadoras e santificantes?

Vemos os que recebem a calúnia, transmitindo-a aos vizinhos; os que são atormentados por acusações, arrastando companheiros às perturbações que os assaltam; e os que pretendem eliminar enfermidades reparadoras, com a desesperação.

Quantos corações se transformam em poços envenenados de ódio e amargura, porque pequenos sofrimentos lhes invadiram o circulo pessoal? Não são poucos os que batem à porta da desilusão, da descrença, da desconfiança ou da revolta injustificáveis, em razão de alguns caprichos desatendidos.

Seria útil sofrer com a volúpia de estender o sofrimento aos outros? Não será agravar a divida o ato de agressão ao credor, somente porque resolveu ele chamar-nos a contas?

Raros homens aprendem a encontrar o proveito das tribulações. A maioria menospreza a oportunidade de edificação e, sobretudo, agrava os próprios débitos, confundindo o próximo e precipitando companheiros em zonas perturbadas do caminho evolutivo.

Todas as criaturas sofrem no cadinho das experiências necessárias, mas bem poucos espíritos sabem padecer como cristãos, glorificando a Deus.

Livro Vinha de Luz – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 4 de julho de 2021

A MELANCOLIA

 François de Genève - Bordeaux

25. Sabeis por que uma certa tristeza se apodera, às vezes, de vossos corações e vos faz achar a vida tão amarga? É o vosso Espírito que anseia pela liberdade e felicidade e, no corpo, que lhe serve de prisão, esgota-se em esforços inúteis para dele sair. Mas, ao ver que não consegue, cai em desânimo, e o corpo sofre uma influência com o enfraquecimento, o abatimento e uma espécie de indiferença que se apoderam de vós, e julgai-vos infelizes.

Acreditai em mim, resisti com energia a essas impressões que enfraquecem a vontade. Esses desejos a uma vida melhor são próprios do Espírito de todos os homens, mas não a procureis aqui na Terra. Neste momento, quando Deus vos envia seus Espíritos para vos instruir sobre a felicidade que vos reserva, esperai pacientemente o anjo da libertação que deve vos ajudar a romper os laços que mantêm vosso Espírito cativo.

Lembrai-vos de que tendes a cumprir, durante vossa prova na Terra, uma missão, e não duvideis nunca, seja na dedicação à vossa família, seja no cumprimento dos diversos deveres que Deus vos confiou. Se, no decorrer dessa prova, ao desempenhar vossa tarefa, virdes os deveres, as preocupações, os desgostos investindo contra vós, sede fortes e corajosos para os suportar. Enfrentai-os corajosamente; são de curta duração e devem vos conduzir para perto dos amigos por quem chorais, que se alegrarão com vossa chegada entre eles e vos estenderão os braços para vos conduzir a um lugar onde os desgostos da Terra não existem. 

EXAMINA A PRÓPRIA AFLIÇÃO

Examina a própria aflição para que não se converta a tua inquietude em arrasadora tempestade emotiva.

Todas as aflições se caracterizam por tipos e nomes especiais.

A aflição do egoísmo chama-se egolatria.

A aflição do vício chama-se delinquência.

A aflição da agressividade chama-se cólera.

A aflição do crime chama-se remorso.

A aflição do fanatismo chama-se intolerância.

A aflição da fuga chama-se covardia.

A aflição da inveja chama-se despeito.

A aflição da leviandade chama-se insensatez.

A aflição da indisciplina chama-se desordem.

A aflição da brutalidade chama-se violência.

A aflição da preguiça chama-se rebeldia.

A aflição da vaidade chama-se loucura.

A aflição do relaxamento chama-se evasiva.

A aflição da indiferença chama-se desânimo.

A aflição da inutilidade chama-se queixa.

A aflição do ciúme chama-se desespero.

A aflição da impaciência chama-se intemperança.

A aflição da sovinice chama-se miséria.

A aflição da injustiça chama-se crueldade.

Cada criatura tem a aflição que lhe é própria.

A aflição do reino doméstico e da esfera profissional, do raciocínio e do sentimento...

Os corações unidos ao Sumo Bem, contudo, sabem que suportar as aflições menores da estrada é evitar as aflições maiores da vida e, por isso, apenas eles, anônimos heróis da luta cotidiana, conseguem receber e acumular em si mesmos os talentos de amor e paz reservados por Jesus aos sofredores da Terra, quando pronunciou no monte a divina promessa:

— “Bem-aventurados os aflitos!”

Livro Religião dos Espíritos – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 27 de junho de 2021

A VERDADEIRA INFELICIDADE

Delphine de Girardin - Paris, 1861

24. Todos falam da infelicidade, já a sentiram alguma vez e acreditam conhecer seus vários aspectos. Eu venho vos dizer que quase todas as pessoas se enganam e que a verdadeira infelicidade não é aquilo que os homens, ou seja, os infelizes, supõem. Eles a veem na miséria, na lareira sem fogo, no credor exigente, no berço vazio do anjo que sorria, nas lágrimas, no caixão que se acompanha com afronte descoberta e o coração partido, na angústia da traição, na miséria do orgulhoso que gostaria de se vestir de ouro e que esconde com dificuldade sua nudez sob os farrapos da vaidade. Tudo isso e ainda a muitas outras coisas dá-se o nome de infelicidade na linguagem humana. Sim, é a infelicidade para aqueles que apenas veem o presente; mas a verdadeira infelicidade está mais nas consequências de um fato do que nele próprio. Dizei-me se o acontecimento mais feliz para o momento, mas que depois resulta em consequências desastrosas, não é na realidade mais infeliz do que aquele que à primeira vista causa uma viva contrariedade, mas acaba produzindo o bem? Dizei-me se a tempestade que quebra as árvores, mas que saneia o ar ao eliminar os vírus insalubres que causam a morte, não é antes uma felicidade do que uma infelicidade?

Para julgar algo é preciso ver-lhe as consequências. É assim que, para apreciar o que é realmente feliz ou infeliz para o homem, é preciso se transportar além desta vida, pois é lá que as consequências se fazem sentir. Portanto, tudo o que ele chama de infelicidade, segundo sua curta visão, cessa com a vida corporal e encontra sua compensação na vida futura.

Vou revelar-vos a infelicidade sob uma nova face, sob a forma bela e florida que acolheis e desejais, com todas as forças de vossas almas iludidas. A infelicidade é essa alegria falsa, esse prazer egoísta, a fama enganadora, a agitação fútil, a louca satisfação da vaidade que faz calar a consciência, que perturba a ação do pensamento, que confunde o homem quanto ao seu futuro. A infelicidade é o ópio do esquecimento que buscais incessantemente.

Esperai, vós que chorais! Acautelai-vos, vós que rides, pois vosso corpo está satisfeito! Ninguém transgride, impunemente, as leis de Deus; ninguém foge das responsabilidades de seus atos. As provações, essas credoras impiedosas e cruéis, com a sequência de desgraças que nos atinge na miséria, observam o vosso repouso enganador, para vos mergulhar, de repente, na agonia da verdadeira infelicidade, aquela que surpreende a alma enfraquecida pela indiferença e pelo egoísmo.

Que o Espiritismo vos esclareça e recoloque no seu verdadeiro lugar a verdade e o erro, tão estranhamente desfigurados pela vossa cegueira! Então, agireis como bravos soldados que, ao invés de fugir do perigo, preferem as lutas em combates arriscados à paz que não lhes pode dar nem glória, nem promoções. O que importa ao soldado perder durante a ação suas armas, seus equipamentos e suas roupas, contanto que saia vencedor e com glória? O que importa àquele que tem fé no futuro deixar no campo de batalha da vida sua fortuna e sua veste carnal, contanto que sua alma entre gloriosa no reino celeste? 

ALGUMA COISA 

“Não necessitam de médico os que estão sãos,

mas sim os que estão enfermos.”

Jesus. (Lucas, 5:31.)

Quem sabe ler não se esqueça de amparar o que ainda não se alfabetizou.

Quem dispõe de palavra esclarecida ajude ao companheiro, ensinando-lhe a ciência da frase correta e expressiva.

Quem desfruta o equilíbrio orgânico não despreze a possibilidade de auxiliar o doente.

Quem conseguiu acender alguma luz de fé no próprio espírito suporte com paciência o infeliz que ainda não se abriu à mínima noção de responsabilidade perante o Senhor, auxiliando-o a desvencilhar-se das trevas.

Quem possua recursos para trabalhar não olvide o irmão menos ajustado ao serviço, conduzindo-o, sempre que possível, a atividade digna.

Quem estime a prática da caridade compadeça-se das almas endurecidas, beneficiando-as com as vibrações da prece.

Quem já esteja entesourando a humildade não se afaste do orgulhoso, conferindo-lhe, com o exemplo, os elementos indispensáveis ao reajuste.

Quem seja detentor da bondade não recuse assistência aos maus, de vez que a maldade resulta invariavelmente da revolta ou da ignorância.

Quem estiver em companhia da paz ajude aos desesperados.

Quem guarde alegria divida a graça do contentamento com os tristes.

Asseverou o Senhor que os sãos não precisam de médico, mas, sim, os enfermos.

Lembra-te dos que transitam no mundo entre dificuldades maiores que as tuas.

A vida não reclama o teu sacrifício integral em favor dos outros, mas, a benefício de ti mesmo, não desdenhes fazer alguma coisa na extensão da felicidade comum.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 20 de junho de 2021

OS TORMENTOS VOLUNTÁRIOS

Fénelon - Lyon, 1860

23. O homem está incessantemente à procura da felicidade que lhe foge sem parar, pois a felicidade pura não existe na Terra. Entretanto, apesar dos sofrimentos que formam o desfile inevitável desta vida, ele poderia pelo menos desfrutar de uma felicidade relativa se não condicionasse essa felicidade às coisas perecíveis e sujeitas às mesmas contrariedades, ou seja, aos prazeres materiais, ao invés de procurá-la nos prazeres da alma, que são uma antecipação dos prazeres celestes imperecíveis. Ao invés de procurar a paz do coração, única felicidade real aqui na Terra, é ávido por tudo aquilo que pode agitá-lo e perturbá-lo e, coisa curiosa, parece criar propositadamente tormentos que dependia só dele evitar.

Haverá maiores tormentos do que aqueles causados pela inveja e pelo ciúme? Para o invejoso e o ciumento não há repouso: estão sempre excitados pelo desejo, o que eles não têm e os outros possuem causa-lhes insônia. O sucesso de seus rivais lhes dá vertigem; seu único interesse é o de menosprezar os outros, toda a sua alegria está em excitar, nos insensatos como eles, a ira do ciúme de que estão possuídos. Pobres insensatos, de fato, nem sonham que talvez amanhã será preciso deixar todas essas futilidades cuja cobiça envenena suas vidas! Não é para eles que se aplicam estas palavras: Bem-aventurados os aflitos, pois serão consolados, visto que suas preocupações não têm recompensa no Céu.

De quantos tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe se contentar com o que tem, que vê sem inveja aquilo que não é seu, que não procura parecer mais do que é. Ele está sempre rico, pois, se olha abaixo de si, ao invés de olhar acima, verá sempre pessoas que têm menos. É calmo, pois não cria necessidades ilusórias, e não é a calma, em si mesma, uma felicidade em meio às tempestades da vida? 

ATRIBULADOS E PERPLEXOS

"Em tudo somos atribulados, mas não angustiados;

perplexos, mas não desanimados."

Paulo. (II CORÍNTIOS, 4:8.)

Desde os primeiros tempos do Evangelho, os leais seguidores de Jesus conhecem tribulações e perplexidades, por permanecerem na fé.

Quando se reuniam em Jerusalém, recordando o Mestre nos serviços do Reino Divino, conheceram a lapidação, a tortura, o exílio e o confisco dos bens; quando instituíram os trabalhos apostólicos de Roma, ensinando a verdade e o amor fraterno, foram confiados aos leões do circo, aos espetáculos sangrentos e aos postes de martírio.

Desde então, experimentam dolorosas surpresas em todas as partes do mundo. A idade medieval, envolvida em sombras, tentou desconhecer a missão do Cristo e acendeu-lhes fogueiras, conduzindo-os, além disso, a tormentos inesperados e desconhecidos, através dos tribunais políticos e religiosos da Inquisição.

E, ainda hoje, enquanto oram confiantes, exemplificando o amor evangélico, reparam o progresso dos ímpios e sofrem a dominação dos vaidosos de todos os matizes.

Enquanto triunfam os maus e os indiferentes, nas facilidades terrestres, são eles relegados a dificuldades e tropeços, à frente das situações mais simples.

Apesar da evolução inegável do direito no mundo, ainda são chamados a contas pelo bem que fazem e vigiados, com rudeza, devido à verdade consoladora que ensinam.

Mas todos os discípulos fiéis sabem, com Paulo de Tarso, que "em tudo serão atribulados e perplexos", todavia, jamais se entregarão à angústia e ao desânimo. Sabem que o Mestre Divino foi o Grande Atribulado e aprenderam com Ele que da perplexidade, da aflição, do martírio e da morte, transfere-se a alma para a Ressurreição Eterna

Livro Vinha de Luz – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 13 de junho de 2021

SE FOSSE UM HOMEM DE BEM, TERIA MORRIDO.

22. Dizeis, muitas vezes, referindo-vos a um homem mau que escapa de um perigo: Se fosse um homem de bem, teria morrido. Pois bem, ao dizer isso podeis até estar com a verdade. Muitas vezes, Deus dá efetivamente a um Espírito, ainda jovem nos caminhos do progresso, uma prova mais longa do que a um bom, o qual poderá receber, como recompensa de seu mérito, o favor de uma prova tão curta quanto possível. De qualquer forma, quando dizeis: Se fosse um homem de bem, teria morrido, estais cometendo uma ofensa.

Se um homem de bem morre e se o vizinho da casa ao lado é um malvado, dizeis: Seria bem melhor que este se fosse. Acontece que estais julgando erroneamente, pois aquele que parte acabou sua tarefa, e aquele que fica talvez nem a tenha começado. Por que gostaríeis, então, que o mau não tivesse tempo de terminá-la e que o outro ficasse ligado à gleba terrena? Que diríeis de um prisioneiro que, tendo cumprido o tempo da sua pena, permanecesse na prisão e fosse dada a liberdade a um outro que não tivesse esse direito? Sabei, pois, que a verdadeira liberdade está na libertação dos laços corporais, e, enquanto estiverdes na Terra, estareis em cativeiro.

Habituai-vos a não julgar aquilo que não podeis compreender e acreditai que Deus é justo em todas as coisas. Muitas vezes o que vos parece um mal é um bem; mas vossas capacidades são tão limitadas que o conjunto do grande todo escapa aos vossos rudes sentidos.

Esforçai-vos para deixar, pelo pensamento, vossa mesquinha visão, e, à medida que vos elevardes, a importância da vida material diminuirá aos vossos olhos e apenas vos parecerá um incidente, na duração infinita de vossa existência espiritual, a única existência verdadeira.

APASCENTA

“Apascenta as minhas ovelhas.” – Jesus. (João, 21:17.)

Significativo é o apelo do Divino Pastor ao coração amoroso de Simão Pedro para que lhe continuasse o apostolado.

Observando na Humanidade o seu imenso rebanho, Jesus não recomenda medidas drásticas em favor da disciplina compulsória.

Nem gritos, nem xingamentos.

Nem cadeia, nem forca.

Nem chicote, nem vara.

Nem castigo, nem imposição.

Nem abandono aos infelizes, nem flagelação aos transviados.

Nem lamentação, nem desespero. “Pedro, apascenta as minhas ovelhas!” Isso equivale a dizer:

– Irmão, sustenta os companheiros mais necessitados que tu mesmo.

Não te desanimes perante a rebeldia, nem condenes o erro, do qual a lição benéfica surgirá depois.

Ajuda ao próximo, ao invés de vergastá-lo.

Educa sempre.

Revela-te por trabalhador fiel.

Sê exigente para contigo mesmo e ampara os corações enfermiços e frágeis que te acompanham os passos.

Se plantares o bem, o tempo se incumbirá da germinação, do desenvolvimento, da florescência e da frutificação, no instante oportuno.

Não analises, destruindo.

O inexperiente de hoje pode ser o mentor de amanhã.

Alimenta a “boa parte” do teu irmão e segue para diante. A vida converterá o mal em detritos e o Senhor fará o resto.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.