segunda-feira, 20 de março de 2023

A FÉ, MÃE DA ESPERANÇA E DA CARIDADE

José, Espírito Protetor - Bordeaux, 1862

11. A fé, para ser proveitosa, deve ser ativa; não deve ficar adormecida. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus, deve velar atentamente pelo desenvolvimento de suas próprias filhas.

A esperança e a caridade são resultantes da fé; essas três virtudes formam uma trindade inseparável. Não é a fé que dá a esperança de se ver cumprirem as promessas do Senhor? Pois, se não tendes fé, o que esperais? Não é a fé que dá o amor? Se não tendes fé, que amor tereis, e que amor será esse?

A fé, inspiração divina, desperta todos os nobres sentimentos que conduzem o homem para o bem e é a base da sua renovação. É preciso que esta base seja forte e durável, pois, se a menor dúvida vier abalá-la, que será do edifício que construístes sobre ela? Construí, portanto, esse edifício sobre sólidas fundações; que vossa fé seja mais forte que as fórmulas enganosas e as zombarias dos incrédulos, pois a fé que não encara a zombaria dos homens não é a verdadeira fé.

A fé sincera é atraente e contagiante; comunica-se àqueles que não a têm ou, até mesmo, não fariam questão de tê-la. Encontra palavras convenientes que chegam até a alma, enquanto a fé aparente usa palavras sonoras que apenas produzem o frio e a indiferença. Pregai pelo exemplo de vossa fé para transmiti-la aos homens; pregai pelo exemplo de vossas obras, para que vejam o mérito da fé; pregai pela vossa esperança inabalável, para que vejam a confiança que fortifica e, até mesmo, estimula a enfrentar todas as contrariedades da vida.

Tende fé com o que ela tem de belo e de bom, em sua pureza e em sua racionalidade. Não vos conformeis em aceitar a fé sem comprovação, filha cega da cegueira. Amai a Deus, mas sabei por que O amais. Acreditai em suas promessas, mas sabei por que crê nelas. Segui nossos conselhos, mas conscientes do objetivo que vos mostramos e dos meios que indicamos para o atingir. Acreditai e esperai sem nunca fraquejar: os milagres são obras da fé.

VARONILMENTE 

“Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede

fortes.” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 16:13.)

Vigiai na luta comum.

Permanecei firmes na fé, ante a tempestade.

Portai-vos varonilmente em todos os lances difíceis.

Sede fortes na dor, para guardar-lhe a lição de luz.

Reveste-se o conselho de Paulo aos Coríntios, ainda hoje, de surpreendente oportunidade.

Para conquistarmos os valores substanciais da redenção, é imprescindível conservar a fortaleza de ânimo de quem confia no Senhor e em si mesmo.

Não vale a chuva de lágrimas despropositadas, ante a falta cometida.

Arrependermo-nos de qualquer gesto maligno é dever, mas pranteá-lo indefinidamente é roubar tempo ao serviço de retificação.

Certo, o mal deliberado é um crime, todavia, o erro impensado é ensinamento valioso, sempre que o homem se inclina aos desígnios do Senhor.

Sem resistência moral, no turbilhão de conflitos purificadores, o coração mais nobre se despedaça.

Não nos cabe, portanto, repousar no serviço de elevação.

É natural que venhamos a tropeçar muitas vezes.

É compreensível que nos firamos frequentemente nos espinhos da senda.

Lastimável, contudo, será a nossa situação toda vez que exigirmos rede macia de consolações indébitas, interrompendo a marcha para o Alto.

O cristão não é aprendiz de repouso falso. Discípulo de um Mestre que serviu sem acepção de pessoas até à cruz, compete-lhe trabalhar na sementeira e na seara do Infinito Bem, vigiando, ajudando e agindo varonilmente.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier. 

segunda-feira, 13 de março de 2023

PARÁBOLA DA FIGUEIRA QUE SECOU

8. Quando saíram de Betânia, Jesus teve fome; e vendo ao longe uma figueira, foi até ela para ver se encontrava alguma coisa, e, ao se aproximar, encontrou apenas folhas, pois não era época de figos. Então Jesus disse à figueira: Que ninguém coma nenhum fruto de ti; foi o que seus discípulos ouviram. No dia seguinte, ao passarem pela figueira, perceberam que esta tinha se tornado seca até a raiz. E Pedro, lembrando-se das palavras de Jesus, Lhe disse: Mestre, vede como a figueira que amaldiçoastes tornou-se seca. Jesus, tomando a palavra, disse: Tende fé em Deus. Eu vos digo, em verdade, que todo aquele que disser a esta montanha: tira-te daí e lança-se ao mar, sem que seu coração hesite, mas acreditando firmemente que tudo aquilo que disser acontecerá, ele o verá de fato acontecer. (Marcos, 11:12 a 14, 20 a 23)

9. A figueira que secou é o símbolo das pessoas que têm apenas a aparência do bem, mas que, na realidade, não produzem nada de bom; oradores que têm mais brilho do que solidez, cujas palavras têm o verniz da superfície, agradam aos ouvidos, mas quando são analisadas, não encontramos nada de proveitoso para o coração e, após tê-las ouvido, fica-se perguntando qual proveito que delas se tirou.

É também o símbolo de todas as pessoas que têm a oportunidade de ser úteis e não o são; de todas as utopias, de todos os sistemas vazios e de todas as doutrinas sem base sólida. O que lhes falta, na maior parte das vezes, é a verdadeira fé, a fé produtiva, a fé que comove as fibras do coração; em uma palavra, a fé que transporta montanhas. São árvores que têm folhas mas não têm frutos.

Eis porque Jesus as condena à esterilidade, pois chegará o dia em que ficarão secas até a raiz, ou seja, todos os sistemas, todas as doutrinas que não tiverem produzido nenhum bem para a Humanidade serão reduzidos ao nada; e todos os homens deliberadamente inúteis, que não utilizaram os recursos de que dispunham, serão tratados como a figueira que secou.

10. Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos; suprem-lhes os organismos materiais que lhes faltam para nos transmitir suas instruções; eis porque são capacitados com dons para esse fim.

Nestes tempos atuais de renovação social, têm uma missão especial: são como árvores que devem dar o alimento espiritual aos seus irmãos. Devem multiplicar-se para que o alimento seja farto; serão encontrados em todas as partes, em todos os países, em todas as classes sociais, junto aos ricos e aos pobres, aos grandes e aos pequenos, a fim de que não faltem em nenhum lugar e para provar aos homens que todos são chamados. Mas se desviam de seu objetivo providencial o dom precioso que lhes foi concedido, a mediunidade, se a fazem servir às coisas fúteis ou prejudiciais, se a colocam a serviço dos interesses materiais, se ao invés de frutos salutares dão maus frutos, se recusam torná-la benéfica para os outros, se dela não tiram proveito para sua própria melhoria, são como a figueira estéril. Deus, então, lhes retirará um dom que se tornou inútil em suas mãos: a semente, que não souberam fazer frutificar; e assim se tornarão vítimas de maus Espíritos. 

PRESERVA A TI PRÓPRIO

“Vai, e não peques mais.” — Jesus. (JOÃO, 8, VERSÍCULO 11.)

A semente valiosa que não ajudas, pode perder-se.

A árvore tenra que não proteges, permanece exposta à destruição.

A fonte que não amparas, poderá secar-se.

A água que não distribuis, forma pântanos.

O fruto não aproveitado, apodrece.

A terra boa que não defendes, é asfixiada pela erva inútil.

A enxada que não utilizas, cria ferrugem.

As flores que não cultivas, nem sempre se repetem.

O amigo que não conservas, foge do teu caminho.

A medicação que não respeitas na dosagem e na oportunidade que lhe dizem respeito, não te beneficia o campo orgânico.

Assim também é a Graça Divina.

Se não guardas o favor do Alto, respeitando-o em ti mesmo, se não usas os conhecimentos elevados que recebes para benefício da própria felicidade, se não prezas a contribuição que te vem de cima, não te vale a dedicação dos mensageiros espirituais. Debalde improvisarão eles milagres de amor e paciência, na solução de teus problemas, porque sem a adesão de tua vontade, ao programa regenerativo, todas as medidas salvadoras resultarão imprestáveis.

“Vai, e não peques mais.”

O ensinamento de Jesus é suficiente e expressivo.

O Médico Divino proporciona a cura, mas se não a conservamos, dentro de nós, ninguém poderá prever a extensão e as consequências dos novos desequilíbrios que nos sitiarão a invigilãncia.

Livro Pão Nosso – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 5 de março de 2023

A FÉ RELIGIOSA. CONDIÇÃO DA FÉ INABALÁVEL.

6. No seu aspecto religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões, e todas as religiões têm seus artigos de fé. Sob esse aspecto, a fé pode ser raciocinada ou cega. A fé cega nada examina, aceita sem verificar tanto o falso como o verdadeiro e choca-se, a cada passo, com a evidência e a razão. Em excesso, leva ao fanatismo. Quando a fé está apoiada no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem por base a verdade é a única que tem o futuro assegurado, pois nada tem a temer com o progresso dos conhecimentos: o que é verdadeiro na sombra também o é à luz do dia. Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade, e impor a alguém a fé cega, sobre uma questão de crença, é confessar sua impotência para demonstrar que se está com a razão.

7. Diz-se vulgarmente que a fé não se receita, não se impõe; daí muitas pessoas dizerem que não são culpadas por não terem fé. Sem dúvida, a fé não se receita, e o que é ainda mais certo: a fé não se impõe. Não, ela é adquirida, e ninguém está impedido de possuí-la, nem mesmo entre os que mais lhe resistem. Falamos de verdades espirituais básicas e não desta ou daquela crença em particular. Não cabe à fé procurar essas pessoas; elas, sim, é que devem procurá-la e, se o fizerem com sinceridade, a encontrarão. Tende certeza de que aqueles que dizem: Não queríamos nada melhor do que crer, mas não o podemos, dizem com os lábios e não com o coração, pois, ao dizer isso, fecham os ouvidos. As provas, entretanto, são muitas ao redor deles; por que se recusam a vê-las? Em alguns é indiferença, noutros é o medo de ser forçado a mudar seus hábitos; na maioria, há o orgulho negando-se a reconhecer uma força que lhes é superior, porque teriam de inclinar-se perante ela. Em certas pessoas, a fé parece ter nascido com elas, é inata, basta uma faísca para desenvolvê-la, sendo essa facilidade em assimilar as verdades espirituais um sinal evidente de progresso anterior; porém, em outras, ao contrário, são assimiladas com dificuldade, o que é um sinal evidente de naturezas em atraso. As primeiras já acreditaram e compreenderam; trazem, ao renascer, a intuição do que sabiam: sua educação está feita; as segundas têm de aprender tudo: sua educação está por fazer, mas ela será feita e, se não concluir nesta existência, será concluída numa outra.

A resistência do que não crê, convenhamos, se deve frequentemente menos a ele do que à maneira pela qual se lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, e essa base é a compreensão perfeita daquilo em que se deve acreditar. Para acreditar não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega não pertence mais a este tempo. É precisamente o dogma da fé cega que produz hoje o maior número de incrédulos, porque ela quer impor-se exigindo, ao homem, a renúncia ao raciocínio e ao livre-arbítrio: preciosos dons do Espírito. É contra essa fé, principalmente, que se levanta o incrédulo, e é a ela que nos referimos quando dizemos que não se impõe. Não admitindo provas, ela deixa no Espírito um vazio, em que nasce a dúvida. A fé raciocinada, aquela que se apoia nos fatos e na lógica, é clara, não deixa atrás de si nenhuma dúvida. Acredita-se porque se tem a certeza, e só se tem a certeza quando se compreendeu. Eis porque não se dobra, pois somente é inabalável a fé que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

É a esse resultado que o Espiritismo conduz, triunfando, assim, sobre a incredulidade, todas as vezes que não encontra oposição sistemática e interesseira. 

Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 19.

FÉ INOPERANTE

“Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.”

(Tiago, 2:17.)

A fé inoperante é problema credor da melhor atenção, em todos os tempos, a fim de que os discípulos do Evangelho compreendam, com clareza, que o ideal mais nobre, sem trabalho que o materialize, a benefício de todos, será sempre uma soberba paisagem improdutiva.

Que diremos de um motor precioso do qual ninguém se utiliza?

De uma fonte que não se movimente para fertilizar o campo?

De uma luz que não se irradie?

Confiaremos com segurança em determinada semente, todavia, se não a plantamos, em que redundará nossa expectativa, senão em simples inutilidade? Sustentaremos absoluta esperança nas obras que a tora de madeira nos fornecerá, mas se não nos dispomos a usar o serrote e a plaina, certo a matéria-prima repousará, indefinidamente, a caminho da desintegração.

A crença religiosa é o meio.

O apostolado é o fim.

A celeste confiança ilumina a inteligência para que a ação benéfica se estenda, improvisando, por toda parte, bênçãos de paz e alegria, engrandecimento e sublimação.

Quem puder receber uma gota de revelação espiritual, no imo do ser, demonstrando o amadurecimento preciso para a vida superior, procure, de imediato, o posto de serviço que lhe compete, em favor do progresso comum.

A fé, na essência, é aquele embrião de mostarda do ensinamento de Jesus que, em pleno crescimento, através da elevação pelo trabalho incessante, se converte no Reino Divino, onde a alma do crente passa a viver.

Guardar, pois, o êxtase religioso no coração, sem qualquer atividade nas obras de desenvolvimento da sabedoria e do amor, consubstanciados no serviço da caridade e da educação, será conservar na terra viva do sentimento um ídolo morto, sepultado entre as flores inúteis das promessas brilhantes.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

PODER DA FÉ

1. Quando se dirigia ao povo, um homem se aproximou d'Ele, ajoelhou-se a seus pés e disse: Senhor, tende piedade de meu filho que está lunático, sofre muito e frequentemente cai, ora no fogo ora na água. Apresentei-o a vossos discípulos, mas não puderam curá-lo. E Jesus respondeu dizendo: Oh, raça incrédula e depravada! Até quando vos sofrerei? Até quando deverei ficar convosco? Trazei-me até aqui essa criança. E Jesus, tendo ameaçado o demônio, fez com que ele saísse da criança, que foi curada no mesmo instante. Então, os discípulos vieram encontrar Jesus em particular, e Lhe disseram: Por que nós mesmos não pudemos tirar esse demônio? Jesus lhes respondeu: É por causa de vossa pouca fé. Pois eu vos digo em verdade que, se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daqui até lá, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível. (Mateus, 17:14 a 19)

2. É certo que a confiança do homem em suas próprias forças o torna capaz de realizar coisas materiais que não se podem fazer quando se duvida de si mesmo; mas, aqui, é unicamente no sentido moral que é preciso entender estas palavras. As montanhas que a fé transporta são as dificuldades, as resistências, a má vontade, que se encontram entre os homens, mesmo quando se trata das melhores coisas. Os preconceitos rotineiros, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo, as paixões orgulhosas são também montanhas que barram o caminho de todo aquele que trabalha pelo progresso da Humanidade. A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem vencer os obstáculos, tanto nas pequenas quanto nas grandes coisas. A fé, que é vacilante, provoca incerteza, hesitação, de que se aproveitam os adversários que devemos combater; ela não procura os meios de vencer, porque não crê na possibilidade de vitória.

3. Noutro sentido, entende-se como fé a confiança que se tem no cumprimento de uma coisa, na certeza de atingir um objetivo. Ela dá uma espécie de lucidez, que faz ver, pelo pensamento, os fins que se tem em vista e os meios para atingi-los, de modo que quem a possui caminha, por assim dizer, com total segurança. Num como noutro caso, ela leva a realizar grandes coisas.

A fé sincera e verdadeira é sempre calma, dá a paciência que sabe esperar, porque, apoiando-se na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de atingir o objetivo. A fé vacilante sente sua própria fraqueza; quando é estimulada pelo interesse, torna-se enfurecida e acredita que, aliando-se à violência, obterá a força que não tem.

A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, é uma prova de fraqueza e dúvida de si mesmo.

4. É preciso não confundir a fé com a presunção. A verdadeira fé se alia à humildade; aquele que a possui confia mais em Deus do que em si mesmo; sabe que, simples instrumento da vontade de Deus, nada pode sem Ele e é por isso que os bons Espíritos o ajudam.

A presunção é mais orgulho do que fé, e o orgulho é sempre castigado, cedo ou tarde, pela decepção e pelos fracassos que lhe são impostos.

5. O poder da fé é demonstrado direta e especialmente no magnetismo.

Por ele, o homem age sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão, por assim dizer, irresistível. Aquele que, a um grande poder fluídico normal, juntar uma fé ardente pode, unicamente pela vontade dirigida para o bem, operar esses fenômenos especiais de cura e outros mais que antigamente eram tidos como prodígios e, no entanto, são apenas o efeito de uma lei natural. Este é o motivo pelo qual Jesus disse a seus apóstolos: Se não o curastes, é porque não tínheis fé.

TUA FÉ

“E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.”

(Lucas, Capítulo 8, Versículo 48.)

É importante observar que o Divino Mestre, após o benefício dispensado, sempre se reporta ao prodígio da fé, patrimônio sublime daqueles que O procuram.

Diversas vezes, ouvimo-lo na expressiva afirmação: — “A tua fé te salvou.” Doentes do corpo e da alma, depois do alívio ou da cura, escutam a frase generosa. É que a vontade e a confiança do homem são poderosos fatores no desenvolvimento e iluminação da vida.

O navegante sem rumo e que em nada confia, somente poderá atingir algum porto em virtude do jogo das forças sobre as quais se equilibra, desconhecendo, porém, de maneira absoluta, o que lhe possa ocorrer.

O enfermo, descrente da ação de todos os remédios, é o primeiro a trabalhar contra a própria segurança. O homem que se mostra desalentado em todas as coisas, não deverá aguardar a cooperação útil de coisa alguma.

As almas vazias embalde reclamam o quinhão de felicidade que o mundo lhes deve.

As negações, em que perambulam, transformam-nas, perante a vida, em zonas de amortecimento, quais isoladores em eletricidade. Passa corrente vitalizante, mas permanecem insensíveis.

Nos empreendimentos e necessidades de teu caminho, não te isoles nas posições negativas.

Jesus pode tudo, teus amigos verdadeiros farão o possível por ti; contudo, nem o Mestre e nem os companheiros realizarão em sentido integral a felicidade que ambicionas, sem o concurso de tua fé, porque também tu és filho do mesmo Deus, com as mesmas possibilidades de elevação.

Livro Pão Nosso – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

RECONHECE-SE O CRISTÃO POR SUAS OBRAS

Simeão - Bordeaux, 1863

16. Nem todos que dizem: Senhor, Senhor, entrarão no reino dos Céus, mas apenas aqueles que fizerem a vontade de meu Pai que está nos Céus.

Escutai estas palavras do Mestre, todos vós que rejeitais a Doutrina Espírita como obra do demônio.

Abri os ouvidos, pois chegou o momento de ouvir.

Basta trazer os sinais do Senhor para ser um fiel servidor? Basta dizer: “sou cristão”, para ser seguidor do Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis por suas obras. Eis as palavras do Mestre: Uma boa árvore não pode dar maus frutos, nem uma árvore ruim dar frutos bons. Toda árvore que não dá bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Discípulos de Cristo, compreendei-as bem. Quais são os frutos que deve produzir a árvore do Cristianismo, árvore majestosa, cujos ramos frondosos cobrem com sua sombra uma parte do mundo, mas que ainda não abrigaram todos aqueles que devem se reunir ao seu redor? Os frutos da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e de fé. O Cristianismo, tal como tem feito há muitos séculos, continua a pregar as divinas virtudes; procura distribuir seus frutos, mas poucos os colhem! A árvore é sempre boa, mas os jardineiros são maus. Eles a moldaram à sua vontade; talharam-na de acordo com suas necessidades; cortaram-na, diminuíram-na, mutilaram-na; seus ramos estéreis já nem maus frutos produzem, porque não produzem nada mais. O viajante cansado que para, procurando em sua sombra o fruto da esperança que deve lhe dar força e coragem, encontra apenas ramos áridos que prenunciam a tempestade. Pede em vão o fruto de vida à árvore da vida: as folhas caem secas; a mão do homem as manuseou e remanejou tanto que as secou!

Abri, pois, vossos ouvidos e vossos corações, meus bem-amados!

Cultivai essa árvore da vida cujos frutos dão a vida eterna. Aquele que a plantou vos convida a cuidar dela com amor, e a vereis dar ainda, com abundância, seus frutos divinos. Deixai-a tal como o Cristo vô-la deu: não a mutileis; ela quer estender sobre o Universo sua imensa sombra: não corteis seus ramos. Seus frutos generosos caem em abundância para sustentar o viajante faminto que quer atingir o seu objetivo; não os amontoeis para guardá-los e deixá-los apodrecer para que não sirvam a ninguém. Muitos são os chamados e poucos os escolhidos; é que existem monopolizadores do pão da vida, como os há do pão material. Não vos coloqueis dentre eles; a árvore que dá bons frutos deve distribuí-los para todos. Ide, então, procurar aqueles que estão famintos; trazei-os para a sombra da árvore e partilhai com eles o abrigo que ela vos oferece. Não se colhem uvas dos espinheiros. Meus irmãos, afastai-vos daqueles que vos chamam para vos arrastar para os espinheiros do caminho, e segui aqueles que vos conduzem à sombra da árvore da vida.

O Divino Salvador, o justo por excelência, disse, e suas palavras não passarão: Nem todos aqueles que me dizem: Senhor, Senhor, entrarão no reino dos Céus, mas só aqueles que fizerem a vontade de meu pai que está nos Céus.

Que o Senhor de bênçãos vos abençoe; que o Deus de luz vos ilumine; que a árvore da vida vos ofereça seus frutos com abundância!

Crede e orai.

EM TI PRÓPRIO

"De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus".

PAULO. (Romanos, 14:12.)

Escutarás muita gente a falar de compreensão e talvez que, sob o reflexo condicionado, repetirás os belos conceitos que ouviste, através de preleções que te angariarão simpatia e respeito.

Entretanto, se não colocares o assunto nas entranhas da alma, situando-te no lugar daqueles que precisam de entendimento, quase nada saberás de compreensão, além da certeza de que temos nela preciosa virtude.

Falarás de paciência e assinalarás muitas vozes, em torno de ti, referindo-se, no entanto, se no imo do próprio ser não tens necessidade de sofrer por algum ente amado, muito pouco perceberás acerca de calma e tolerância.

Exaltarás o amor, a bondade, a paz e a união, mas se nas profundezas do espírito não sentires, algum dia, o sofrimento a ensinar-te o valor da nota de consolação sobre a dor de que te lamentas; a significação da migalha de socorro que outrem te estenda em teus dias de carência material; a importância da desculpa de alguém a essa ou àquela falta que cometeste e o poder do gesto de pacificação da parte de algum amigo que te restituiu a harmonia, em tuas próprias vivências, ignorarás realmente o que sejam entendimento e generosidade, perdão e segurança íntima.

Seja qual a dificuldade em que te vejas, abstém de carregar o fardo das aflições e das perguntas sem remédio.

Penetra no silêncio da própria alma, escuta os pensamentos que te nascem do próprio ser e reconhecerás que a solução da vida surgirá de ti mesmo.

Livro Ceifa de Luz – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

SERÁ DADO ÀQUELE QUE TEM

Um Espírito Amigo - Bordeaux, 1862

13. Seus discípulos, se aproximando, Lhe disseram: Por que falais por parábolas? E lhes respondendo disse: É porque vos foi permitido conhecer o reino dos Céus, mas, quanto a eles, não lhes foi permitido. Pois a todo aquele que já tem será dado ainda mais, e ficará na abundância; mas daquele que nada tem será retirado até mesmo o que tem. Eis por que falo por parábolas; porque, ao ver, nada veem, e, ao ouvir, nada entendem nem compreendem. E a profecia de Isaías neles se cumpre quando disse: Escutareis com vossos ouvidos e não entendereis; olhareis com vossos olhos e não vereis. (Mateus, 13:10 a 14)

14. Prestai atenção ao que ouvis. Com a medida com que medirdes, medir-vos-ão a vós, e ainda darão de acréscimo. Porque, a quem tem dar-se-lhe-á, mas de quem não tem tirar-se-lhe-á ainda aquilo que possui. (Marcos, 4:24 e 25)

15. Dá-se àquele que tem e retira-se daquele que não tem; meditai sobre este grande ensinamento que, muitas vezes, vos parece contraditório.

Aquele que recebeu é aquele que possui o sentido da palavra divina; recebeu porque tentou tornar-se digno disso, e porque o Senhor, em seu amor misericordioso, encoraja-lhe os esforços que tendem para o bem.

Estes esforços contínuos, perseverantes, atraem as graças do Senhor; são como um ímã que atrai as melhoras progressivas, as graças abundantes que vos tornam fortes para subir a montanha sagrada, no cume da qual se encontra o repouso após o trabalho.

Tira-se daquele que nada tem, ou tem pouco; tomai isso como um ensinamento figurado. Deus não retira de suas criaturas o bem que se dignou a fazer-lhes. Homens cegos e surdos! Abri vossas inteligências e vossos corações; vede pelo Espírito, entendei pela alma, e não interpreteis de uma maneira tão grosseiramente injusta as palavras d’Aquele que fez resplandecer aos vossos olhos a justiça do Senhor.

Não é Deus que retira daquele que recebeu pouco, é o próprio Espírito que, dispersivo e descuidado, não sabe conservar o que tem e aumentar, na fecundidade, a dádiva semeada no seu coração.

Aquele que não cultiva o campo que o trabalho de seu pai conquistou e do qual é herdeiro vê esse campo cobrir-se de ervas daninhas.

É seu pai culpado pelas colheitas que ele não quis preparar? Se deixou esses grãos destinados a produzir nesse campo morrerem por falta de cuidado, deve acusar a seu pai se eles nada produzem? Não, não; ao invés de acusar ao pai que tudo lhe deu, e que agora lhe retoma os bens, deve acusar-se a si mesmo por ser o verdadeiro autor do seu fracasso e, então, arrependido e com fé, entregar-se ao trabalho com coragem. Que prepare o solo estéril pelo esforço de sua vontade; que o lavre até o coração com a ajuda do arrependimento e da esperança; que lance com confiança a semente que tiver escolhido como boa entre as más, que o regue com seu amor e sua caridade, e Deus, o Deus de amor e de caridade, dará àquele que já tem. Então, verá seus esforços coroados de sucessos, e um grão produzir cem, e outro, mil.

Coragem, trabalhadores! Pegai vossas grades e vossos arados; arai vossos corações; arrancai deles o joio, o mal; semeai neles o bom grão, o bem, que o Senhor vos confia, e o orvalho do amor os fará produzir frutos de caridade. 

Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 18.

EM NOSSA MARCHA

“Perguntou-lhe Jesus: – “Que queres que eu faça?”

(Marcos, 10:51.)

Cada aprendiz em sua lição.

Cada trabalhador na tarefa que lhe foi cometida.

Cada vaso em sua utilidade.

Cada lutador com a prova necessária.

Assim, cada um de nós tem o testemunho individual no caminho da vida.

Por vezes, falhamos aos compromissos assumidos e nos endividamos infinitamente. No serviço reparador, todavia, clamamos pela misericórdia do Senhor, rogando-lhe compaixão e socorro.

A pergunta endereçada pelo Mestre ao cego de Jericó é, porém, bastante expressiva.

“Que queres que eu faça?”

A indagação deixa perceber que a posição melindrosa do interessado se ajustava aos imperativos da Lei.

Nada ocorre à revelia dos Divinos Desígnios.

Bartimeu, o cego, soube responder, solicitando visão. Entretanto, quanta gente roga acesso à presença do Salvador e, quando por ele interpelada, responde em prejuízo próprio?

Lembremo-nos de que, por vezes, perdemos a casa terrestre a fim de aprendermos o caminho da casa celeste; em muitas ocasiões, somos abandonados pelos mais agradáveis laços humanos, de maneira a retornarmos aos vínculos divinos; há épocas em que as feridas do corpo são chamadas a curar as chagas da alma, e situações em que a paralisia ensina a preciosidade do movimento.

É natural peçamos o auxílio do Mestre em nossas dificuldades e dissabores; entrementes, não nos esqueçamos de trabalhar pelo bem, nas mais aflitivas passagens da retificação e da ascensão, convictos de que nos encontramos invariavelmente na mais justa e proveitosa oportunidade de trabalho que merecemos, e que talvez não saibamos, de pronto, escolher outra melhor.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 29 de janeiro de 2023

A QUEM MUITO FOI DADO, MUITO SERÁ PEDIDO.

10. O servidor que soube a vontade de seu mestre e que não se apercebeu, e não fez o que lhe foi pedido, apanhará rudemente; mas aquele que não soube de sua vontade e que fizer coisas dignas de castigo, apanhará menos. Pedir-se-á muito àquele que muito recebeu, e prestará contas aquele a quem foram confiadas muitas coisas. (Lucas, 12:47 e 48)

11. Vim a este mundo para fazer um julgamento, a fim de que aqueles que não veem vejam, e aqueles que veem se tornem cegos. Alguns fariseus que com Ele estavam, ouviram estas palavras e Lhe disseram: Somos nós, acaso, também cegos? Jesus lhes respondeu: Se fôsseis cegos, não teríeis pecados; mas agora dizeis que vedes, e é por isso que o pecado permanece em vós. (João, 9:39 a 41)

12. É principalmente aos ensinamentos dos Espíritos que se aplicam estas palavras de Jesus. Todo aquele que conhece os ensinamentos do Cristo é certamente culpado se não os praticar, mas, além do Evangelho que os contém estar somente divulgado entre as religiões cristãs, mesmo entre estas muitas pessoas não o leem e, entre as que o leem, muitas não o compreendem! Disso resulta que as palavras de Jesus ficam perdidas para grande número de pessoas.

O ensino dos Espíritos reproduz estas palavras de Jesus sob diferentes formas e por isso desenvolve-as e comenta-as para colocá-las ao alcance de todos e tem uma característica própria: é universal. Qualquer um, letrado ou não, tenha ou não uma crença, cristão ou não, pode recebê-lo, porque os Espíritos se manifestam em todos os lugares. Nenhum daqueles que recebe o ensinamento, diretamente ou por intermédio de outras pessoas, pode alegar ignorância ou desculpar-se, nem por sua falta de instrução, nem por falta de clareza ou sentido alegórico. Aquele, pois, que conhece os ensinamentos de Jesus e não os coloca em prática para melhorar-se, que os admira como coisas interessantes e curiosas, sem que o coração seja tocado por eles, que ao seu contato não se torna menos fútil, menos orgulhoso, menos egoísta, menos apegado aos bens materiais, nem melhor para com seu próximo, é tanto mais culpado quanto mais haja tido meios de conhecer a verdade.

Os médiuns que obtêm boas comunicações são ainda mais repreensíveis se persistirem no mal, pois, muitas vezes, escrevem sua própria condenação e, se não fossem cegos pelo orgulho, reconheceriam que é a eles mesmos que os Espíritos se dirigem. Mas, ao invés de tomar para si as lições que escrevem ou que vem escrever, seu único pensamento é aplicá-las aos outros, confirmando, assim, estas palavras de Jesus: Vedes um argueiro no olho de vosso próximo e não vedes a trave no vosso.

Por estas outras palavras: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado, Jesus quer dizer que a culpa existe em razão do conhecimento que se possui. Portanto, os fariseus, que tinham a pretensão de ser, e que eram de fato, a parte mais esclarecida da nação, eram mais repreensíveis aos olhos de Deus do que o povo sem esclarecimento, inculto.

O mesmo acontece hoje.

Aos espíritas, muito será pedido, porque muito receberam, mas, àqueles que aproveitarem os ensinamentos, muito será dado.

O primeiro pensamento de todo espírita sincero deve ser o de procurar nos conselhos dados pelos Espíritos se não há algo que lhe diga respeito.

O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados; pela fé que proporciona, multiplicará também o número dos escolhidos.

Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 18.

SIGAMOS ATÉ LÁ

“Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis

tudo o que quiserdes, e vos será feito.” — Jesus. (João, Cap. 15, Ves. 7.)

Na oração dominical, Jesus ensina aos cooperadores a necessidade de observância plena dos desígnios do Pai.

Sabia o Mestre que a vontade humana é ainda muito frágil e que inúmeras lutas rodeiam a criatura até que aprenda a estabelecer a união com o Divino.

Apesar disso, a lição da prece foi sempre interpretada pela maioria dos crentes como recurso de fácil obtenção do amparo celestial.

Muitos pedem determinados favores e recitam maquinalmente as fórmulas verbais.

Certamente, não podem receber imediata satisfação aos caprichos próprios, porque, no estado de queda ou de ignorância, o espírito necessita, antes de tudo, aprender a submeter-se aos desígnios divinos, a seu respeito.

Alcançaremos, porém, a época das orações integralmente atendidas. Atingiremos semelhante realização quando estivermos espiritualmente em Cristo. Então, quanto quisermos, ser-nos-á feito, porquanto teremos penetrado o justo sentido de cada coisa e a finalidade de cada circunstância.

Estaremos habilitados a querer e a pedir, em Jesus, e a vida se nos apresentará, em suas verdadeiras características de infinito, eternidade, renovação e beleza.

Na condição de encarnados ou desencarnados, ainda estamos caminhando para o Mestre, a fim de que possamos experimentar a união gloriosa com o seu amor. Até lá, trabalhemos e vigiemos para compreender a vontade divina.

Livro Pão Nosso – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.