segunda-feira, 24 de setembro de 2018

OBEDIÊNCIA E RESIGNAÇÃO


8. A doutrina de Jesus ensina, em todos os seus pontos, a obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da doçura e muito ativas, se bem os homens erradamente as confundam com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração, forças ativas ambas, porquanto carregam o fardo das provações que a revolta insensata deixa cair. O pusilânime (covarde) não pode ser resignado, do mesmo modo que o orgulhoso e o egoísta não podem ser obedientes. Jesus foi a encarnação dessas virtudes que a antiguidade material desprezava. Ele veio no momento em que a sociedade romana perecia nos desfalecimentos da corrupção. Veio fazer que, no seio da Humanidade deprimida, brilhassem os triunfos do sacrifício e da renúncia carnal.
Cada época é marcada, assim, com o cunho da virtude ou do vício que a tem de salvar ou perder. A virtude da vossa geração é a atividade intelectual; seu vício é a indiferença moral. Digo, apenas, atividade, porque o gênio se eleva de repente e descobre, por si só, horizontes que a multidão somente mais tarde verá, enquanto a atividade é a reunião dos esforços de todos para atingir um fim menos brilhante, mas que prova a elevação intelectual de uma época. Submetei-vos à impulsão que vimos dar aos vossos espíritos; obedecei à grande lei do progresso, que é a palavra da vossa geração. Ai do espírito preguiçoso, ai daquele que cerra o seu entendimento! Ai dele! Porquanto nós, que somos os guias da Humanidade em marcha, lhe aplicaremos o látego (Castigo/Chicote) e lhe submeteremos a vontade rebelde, por meio da dupla ação do freio e da espora. Toda resistência orgulhosa terá de, cedo ou tarde, ser vencida. Bem-aventurados, no entanto, os que são brandos, pois prestarão dócil ouvido aos ensinos. – Lázaro. (Paris, 1863.)

ACORDAR E ERGUER-SE
"Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e o Cristo te iluminará."
Paulo. (EFÉSIOS, 5:14.)

Há milhares de companheiros nossos que dormem, indefinidamente, enquanto se alonga debalde para eles o glorioso dia de experiência sobre a Terra.
Percebem vagamente a produção incessante da Natureza, mas não se recordam da obrigação de algo fazer em benefício do progresso coletivo.
Diante da árvore que se cobre de frutos ou da abelha que tece o favo de mel, não se lembram do comezinho dever de contribuir para a prosperidade comum.
De maneira geral, assemelham-se a mortos preciosamente adornados.
Chega, porém, um dia em que acordam e começam a louvar o Senhor, em êxtase admirável...
Isso, no entanto, é insuficiente.
Há muitos irmãos de olhos abertos, guardando, porém, a alma na posição horizontal da ociosidade.
É preciso que os corações despertos se ergam para a vida, se levantem para trabalhar na sementeira e na seara do bem, a fim de que o Mestre os ilumine.
Esforcemo-nos por alertar os nossos companheiros adormecidos, mas não olvidemos a necessidade de auxiliá-los no soerguimento.
É imprescindível saibamos improvisar os recursos indispensáveis em auxílio dos nossos afeiçoados ou não que precisam levantar-se para as bênçãos de Jesus.
Não basta recomendar.
Quem receita serviço e virtude ao próximo, sem antes preparar-lhe o entendimento, através do espírito de fraternidade, identifica-se com o instrutor exigente, que reclama do aluno integral conhecimento acerca de determinado e valioso livro, sem antes ensiná-lo a ler.
Disse Paulo: - "Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e o Cristo te iluminará."
E nós repetiremos: - "Acordemos para a vida superior e levantemo-nos na execução das boas obras e o Senhor nos ajudará, para que possamos ajudar os outros."

Livro Fonte Viva – Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

domingo, 16 de setembro de 2018

A PACIÊNCIA


7. A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.
Sedes pacientes! A paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei de caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas. Outra há, porém, muito mais penosa e, conseguintemente, muito mais meritória: “a de perdoarmos aos que Deus colocou em nosso caminho para serem instrumentos do nosso sofrer e para nos porem à prova a paciência.”
A vida é difícil, bem o sei. Compõe-se de mil nadas, que são outras tantas picadas de alfinetes, mas que acabam por ferir. Se, porém, atentarmos nos deveres que nos são impostos, nas consolações e compensações que, por outro lado, recebemos, havemos de reconhecer que são as bênçãos muito mais numerosas do que as dores. O fardo parece menos pesado, quando se olha para o alto, do que quando se curva para a terra a fronte.
Coragem, amigos! Tendes no Cristo o vosso modelo. Mais sofreu Ele do que qualquer de vós e nada tinha de que se penitenciar, ao passo que vós tendes de expiar o vosso passado e de vos fortalecer para o futuro.
Sede, pois, pacientes, sede cristãos. Essa palavra resume tudo. – Um Espírito amigo. (Havre, 1862.)
TENDE CALMA
“E disse Jesus: Mandai assentar os homens.” — (JOÃO, capítulo 6, versículo 10.)
Esta passagem do Evangelho de João é das mais significativas. Verifica-se quando a multidão de quase cinco mil pessoas tem necessidade de pão, no isolamento da natureza.
Os discípulos estão preocupados.
Filipe afirma que duzentos dinheiros não bastarão para atender à dificuldade imprevista.
André conduz ao Mestre um jovem que trazia consigo cinco pães de cevada e dois peixes.
Todos discutem.
Jesus, entretanto, recebe a migalha sem descrer de sua preciosa significação e manda que todos se assentem, pede que haja ordem, que se faça harmonia. E distribuí o recurso com todos, maravilhosamente.
A grandeza da lição é profunda.
Os homens esfomeados de paz reclamam a assistência do Cristo. Falam nEle, suplicam-lhe socorro, aguardam-lhe as manifestações. Não conseguem, todavia, estabelecer a ordem em si mesmos para a recepção dos recursos celestes. Misturam Jesus com as suas imprecações, suas ansiedades loucas e seus desejos criminosos. Naturalmente se desesperam, cada vez mais desorientados, porquanto não querem ouvir o convite à calma, não se assentam para que se faça a ordem, persistindo em manter o próprio desequilíbrio.

Livro Caminho, Verdade e Vida – Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

domingo, 9 de setembro de 2018

A AFABILIDADE E A DOÇURA


6. A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são as formas de sua manifestação. Entretanto, nem sempre se deve confiar nas aparências; a educação e a vivência do mundo podem dar o verniz dessas qualidades. Quantos há cuja fingida bondade nada mais é do que uma máscara para o exterior, uma roupagem, cuja aparência bem talhada e calculada disfarça as deformidades escondidas! O mundo está repleto de pessoas que têm o sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são mansas sob a condição de nada lhes machucar, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua dourada, quando falam face a face, se transforma em dardo envenenado, quando estão por detrás.
A essa classe pertencem ainda aqueles homens benignos por fora e que, tiranos domésticos, fazem sua família e seus subordinados sofrer com o peso de seu orgulho e de sua tirania, querendo compensar assim o constrangimento a que se submetem fora de casa. Não ousando agir autoritariamente com estranhos, que os recolocariam no seu lugar, querem pelo menos ser temidos pelos que não podem resistir-lhes. Sua vaidade alegra-se por poderem dizer: “Aqui, eu mando e sou obedecido”; sem se lembrar de que poderiam acrescentar com mais razão: “E sou detestado”.
Não basta que os lábios falem leite e mel; se o coração nada tem a ver com isso, trata-se de hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas nunca se contradiz. É o mesmo, sempre, diante do mundo e na intimidade. Ele sabe, aliás, que pode enganar os homens pelas aparências, mas não pode enganar a Deus. (Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 9 - Item 6 - Instruções dos Espíritos - Lázaro - Paris - 1861).

PURIFICAÇÃO ÍNTIMA
“Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.”
— (TIAGO, capítulo 4, versículo 8.)
Cada homem tem a vida exterior, conhecida e analisada pelos que o rodeiam, e a vida íntima da qual somente ele próprio poderá fornecer o testemunho.
O mundo interior é a fonte de todos os princípios bons ou maus e todas as expressões exteriores guardam aí os seus fundamentos.
Em regra geral somos todos portadores de graves deficiências íntimas, necessitadas de retificação.
Mas o trabalho de purificar não é tão simples quanto parece.
Será muito fácil ao homem confessar a aceitação de verdades religiosas, operar a adesão verbal a ideologias edificantes... Outra coisa, porém, é realizar a obra da elevação de si mesmo, valendo-se da autodisciplina, da compreensão fraternal e do espírito de sacrifício.
O apóstolo Tiago entendia perfeitamente a gravidade do assunto e aconselhava aos discípulos alimpassem as mãos, isto é, retificassem as atividades do plano exterior, renovassem suas ações ao olhar de todos, apelando para que se efetuasse, igualmente, a purificação do sentimento, no recinto sagrado da consciência, apenas conhecido pelo aprendiz, na soledade indevassável de seus pensamentos. O companheiro valoroso do Cristo, contudo, não se esqueceu de afirmar que isso é trabalho para os de duplo ânimo, porque semelhante renovação jamais se fará tão-somente à custa de palavras brilhantes.

Livro Caminho, Verdade e Vida – Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

domingo, 2 de setembro de 2018

INJÚRIAS E VIOLÊNCIAS


1. Bem-aventurados aqueles que são mansos, porque possuirão a Terra. (Mateus, 5:4)
2. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. (Mateus, 5:9)
3. Aprendestes o que foi dito aos antigos: Não matarás; todo aquele que matar merecerá ser condenado pelo julgamento. Porém, eu vos digo que aquele que se encolerizar contra seu irmão merecerá ser condenado pelo julgamento; que aquele que disser a seu irmão: "racca", merecerá ser condenado pelo conselho. E que aquele que lhe disser: "és louco", merecerá ser condenado ao fogo do inferno. (Mateus, 5:21 e 22)
4. Por estes ensinamentos morais, Jesus estabeleceu como lei a doçura, a moderação, a mansidão, a afabilidade e a paciência. Condena, por conseguinte, a violência, a cólera e até mesmo qualquer expressão descortês para com os nossos semelhantes. Raca era, entre os hebreus, um termo de desprezo que significava homem de má conduta e era pronunciado cuspindo-se e virando-se o rosto. Ele vai ainda mais longe, visto que ameaça lançar ao fogo do inferno aquele que disser a seu irmão: És louco.
É evidente que, nesta como em qualquer situação, a intenção agrava ou atenua a falta. Mas, por que uma simples palavra pode ser tão grave e suficiente para merecer uma reprovação tão severa? É que toda palavra que ofenda é a expressão de um sentimento contrário à lei de amor e de caridade, que deve estabelecer as relações entre os homens e manter entre eles a concórdia e a união; que é um insulto à benevolência recíproca e à fraternidade; que alimenta o ódio e o rancor; enfim, que, depois da humildade perante Deus, a caridade para com o próximo é a primeira lei de todo cristão.
5. Mas como entender o significado destas palavras: Bem-aventurados aqueles que são mansos, porque possuirão a Terra, se Jesus havia recomendado renunciar aos bens desse mundo e prometia os do Céu?
O homem, enquanto aguarda os bens do Céu, tem necessidade dos da Terra para viver. O que Jesus recomenda é não se dar aos bens da Terra mais importância do que aos do Céu.
Por estas palavras, Jesus quis dizer que, até agora, os bens da Terra foram um privilégio exclusivo dos quais os violentos se apossaram, em prejuízo daqueles que são mansos e pacíficos; que frequentemente estes não têm o necessário, enquanto os outros têm em excesso. Promete Jesus que a justiça lhes será feita assim na Terra como no Céu; porque eles serão chamados filhos de Deus. Quando a lei do amor e da caridade for a lei da Humanidade, não havendo mais egoísmo, o fraco e o pacífico não serão mais explorados nem esmagados pelo forte e pelo violento. Assim será a Terra, quando, de acordo com a lei do progresso e a promessa de Jesus, ela se tornar um mundo feliz em razão do afastamento dos maus.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

BEM-AVENTURADOS AQUELES QUE TEM OS OLHOS FECHADOS


Vianney, Cura de Ars - Paris, 1863
20. Meus bons amigos, por que me chamastes? Será para que eu imponha as mãos sobre esta pobre sofredora que está aqui e curá-la? Que sofrimento, bom Deus! Ela perdeu a visão, e as trevas se fizeram para ela. Pobre criança! Que ore e espere. Não sei fazer milagres sem a vontade do bom Deus. Todas as curas que pude obter e que vos foram anunciadas devem ser atribuídas apenas ao Senhor, Pai de todos nós.
Em vossas aflições, portanto, olhai sempre o Céu e dizei, do fundo de vosso coração: “Meu Pai, curai-me, mas fazei com que minha alma doente seja curada antes das enfermidades de meu corpo; que minha carne seja castigada se for preciso, para que minha alma se eleve até vós com a brancura que tinha quando a criastes.” Após esta prece, meus bons amigos, que o bom Deus sempre ouvirá, a força e a coragem vos serão dadas e talvez também a cura que pedistes apenas timidamente, como recompensa ao vosso devotamento.
Mas, uma vez que estou aqui, em uma assembleia onde se trata, acima de tudo, de estudos, eu vos direi que aqueles que estão privados da visão deveriam considerar-se como os bem-aventurados da expiação. Lembrai-vos de que o Cristo disse que seria preciso arrancar vosso olho se ele fosse mau, e que mais valeria lançá-lo ao fogo do que ser a causa de vossa perdição. Quantos há em vossa Terra que amaldiçoarão um dia, nas trevas, terem visto a luz! Como são felizes os que, na expiação, são atingidos na vista! Seu olho não será de modo algum motivo de escândalo e de queda. Podem viver inteiramente a vida das almas; podem ver mais do que vós, que vedes claramente... Quando Deus me permite abrir as pálpebras de algum desses pobres sofredores e lhes devolver a visão, digo a mim mesmo: alma querida, por que tu não conheces todas as delícias do Espírito, que vive de meditação e de amor? Então, não pedirias para ver imagens menos puras e menos suaves do que aquelas que podes perceber em tua cegueira.
Bem-aventurado o cego que quer viver com Deus! Mais feliz do que vós que estais aqui, ele sente a alegria, pode tocá-la, vê as almas e pode se lançar com elas nas esferas espirituais, que nem mesmo os predestinados da Terra conseguem ver. O olho aberto está sempre pronto a fazer com que a alma caia; o olho fechado, pelo contrário, está sempre pronto a fazê-la se elevar a Deus. Acreditai em mim, meus bons e caros amigos, a cegueira dos olhos é, muitas vezes, a verdadeira luz do coração, enquanto a visão é, frequentemente, o anjo tenebroso que conduz à morte.
E agora, algumas palavras para ti, minha pobre sofredora: Espera e tem coragem! Se eu te dissesse: Minha filha, teus olhos vão se abrir, como ficarias feliz! E quem sabe se esta alegria não te poria a perder? Tem confiança no bom Deus que fez a felicidade e permite a tristeza! Farei por ti tudo o que me for permitido; mas, por tua vez, ora e reflete sobre o que acabo de te dizer.
Antes que me afaste, vós que estais aqui, recebei minha bênção.

21. Nota: Quando uma aflição não é consequência dos atos da vida presente, é preciso procurar a sua causa em uma vida anterior. O que chamamos de caprichos da sorte nada mais são do que os efeitos da justiça de Deus, que não aplica punições injustas e determina que, entre a falta e a pena, sempre haja uma relação. Se, em sua bondade, lançou um véu sobre nossos atos passados, aponta-nos, entretanto, o caminho, dizendo: “Quem matou pela espada, pela espada morrerá”. Palavras que podem ser traduzidas assim: “Sempre se é punido naquilo em que se pecou”. Se, porém, alguém é afligido pela perda da visão, é que a visão foi para ele um motivo de queda. Talvez também tenha sido o motivo da perda da visão para um outro; talvez alguém tenha se tornado cego pelo excesso de trabalho que lhe impôs, ou em consequência de maus tratos, de falta de cuidado, etc. É desse modo que ele sofre agora a pena de talião. Ele mesmo, em seu arrependimento, pôde escolher essa expiação, aplicando a si próprio estas palavras de Jesus: Se teu olho é motivo de escândalo, arranca-o.

* N. E. - “Os erros explicados se transformarão em verdades.” Erros são erros, nunca se transformarão em verdades. O sentido deve ser este: Os erros que vos foram apresentados como verdades cairão. A verdade triunfará.
* N. E. - “E eis aqui o seu enviado, que vai resplandecer...” Também aqui ficamos fiéis ao texto original, porém, o sentido deve ser este: Eis-me aqui (João), como seu enviado, ela, a manifestação Espírita, resplandecerá como o Sol acima das montanhas.
(1) Esta comunicação foi dada a respeito de uma pessoa cega, para a qual havia sido evocado o
Espírito de J. B. Vianney, Cura de Ars.

domingo, 12 de agosto de 2018

DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS - INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS


João, o Evangelista - Paris, 1863
18. Disse o Cristo: Deixai vir a mim as criancinhas. Estas palavras, sábias em sua simplicidade, não continham apenas um chamamento dirigido às crianças, mas especialmente àqueles que estacionam nos círculos inferiores, onde o infortúnio e a miséria desconhecem a esperança. Jesus atraía para si, para os esclarecer, as criaturas adultas, mas que ainda estavam na infância da inteligência, da compreensão: os fracos, os escravizados e os viciosos. Jesus não ensinaria nada às crianças que elas não pudessem entender, porque, sob o domínio dos instintos da infância, que são um benefício, não entenderiam o ensinamento e nem teriam a vontade própria para o praticar.
Jesus queria que os homens fossem até Ele, com a confiança daqueles pequenos seres, as crianças, de passos vacilantes, cujo chamamento conquista, para o seu, o coração das mulheres que são todas mães. As almas seriam assim envolvidas pela sua terna e misteriosa autoridade. Foi a tocha que ilumina as trevas, o clarim matinal que toca a alvorada. Ele foi o iniciador do Espiritismo, que deve, por sua vez, chamar a si não as criancinhas, mas sim os homens de boa vontade. A vigorosa ação foi iniciada. Não se trata mais de crer por crer e de obedecer maquinalmente; é preciso que o homem examine e siga a lei inteligente, que lhe revelará que ele é universal.
Meus bem-amados, é chegado o tempo em que os erros, explicados, se transformarão em verdades. Nós vos ensinaremos o verdadeiro sentido das parábolas e vos mostraremos a forte correlação que une o que foi ao que é. Eu vos digo em verdade: a manifestação espírita alarga os horizontes, e eis aqui o seu enviado, que vai resplandecer como o Sol acima das montanhas.
Um Espírito Protetor - Bordeaux, 1861
19. Deixai vir a mim as criancinhas, pois tenho o alimento que fortifica os fracos. Deixai vir a mim os tímidos e os frágeis, que têm necessidade de amparo e de consolo. Deixai vir a mim os ignorantes para que eu os esclareça. Deixai vir a mim todos aqueles que sofrem, a multidão dos aflitos e dos infelizes, e lhes darei o grande remédio para aliviar os males da vida, o segredo para curar suas feridas. Qual é, meus amigos, este remédio supremo que possui a virtude, que aplicada sobre todas as chagas do coração as cicatriza? É o amor, é a caridade! Se tiverdes essa chama divina, o que temereis? Direis em todos os instantes de vossa vida: “Meu Pai, que seja feita a vossa vontade e não a minha; se vos agrada provar-me pela dor e pelas aflições, bendito sejais, pois sei que é para o meu bem que vossa mão pesa sobre mim. Se vos agrada, Senhor, ter piedade de vossa fraca criatura, dar-lhe ao coração as alegrias puras, bendito sejais também, mas fazei com que o amor divino não adormeça na minha alma e que, sem cessar, suba a vossos pés a prece do meu reconhecimento!...”
Se sentirdes amor, tereis tudo o que se pode desejar na Terra, possuireis a pérola sublime, que nem os incidentes nem as maldades daqueles que vos odeiam e vos perseguem poderão vos tirar. Se tiverdes amor, tereis guardado vossos tesouros onde nem a traça nem a ferrugem podem destruir e vereis desaparecer de vossa alma tudo o que possa desonrar-lhe a pureza. Sentireis o peso da matéria aliviar-se dia após dia e, tal como o pássaro que voa nos ares e não se lembra mais da terra, subireis sem cessar, subireis sempre, até que vossa alma possa se fartar deliciada com a verdadeira vida no seio do Senhor.

Por amor à criança
Cap. VIII – Item 18
Nós que tantas vezes rogamos o socorro da Providência Divina, oremos ao coração da Mulher, suplicando pelos filhos das outras! Peçamos às seareiras do bem pelas crianças desamparadas, flores humanas atingidas pela ventania do infortúnio, nas promessas do alvorecer!...
Pelas crianças que foram enjeitadas nos becos de ninguém; pelas que vagueiam sem direção, amedrontadas nas trevas noturnas; pelas que sugam os próprios dedos, contemplando, por vidraças faustosas, a comida que sobeja desperdiçada; pelas que nunca viram a luz da escola; pelas que dormem, estremunhadas, na goela escura do esgoto; pelas que foram relegadas aos abrigos de lama e se transformam em cobaias de vermes destruidores; pelas que a tuberculose espia, assanhada, através dos molambos com que se cobrem; pelas que se afligem no tormento da fome e mentalizam o furto do pão; pelas que jamais ouviram uma voz que as abençoasse e se acreditam amaldiçoadas pelo destino; pelas que foram perfilhadas por falsa ternura e são mantidas nas casas nobres quais pequenas alimárias constantemente batidas pelas varas da injúria; e por aquelas outras que caíram, desorientadas, nas armadilhas do crime e são entregues ao vício e à indiferença, entre os ferros e os castigos do cárcere!
Mães da Terra, enquanto vos regozijais no amor de vossos filhos, descerrai os braços para os órfãos de mãe!... Lembremos o apelo inolvidável do Cristo: “deixai vir a mim os pequeninos”. E recordemos, sobretudo, que se o homem deve edificar as paredes imponentes do mundo porvindouro, só a mulher poderá convertê-lo em alegria da vida e carinho do lar.
Emmanuel

Do Livro O Espírito Verdade – Médium Chico Xavier – Diversos Espíritos

domingo, 5 de agosto de 2018

ESCÂNDALOS. SE VOSSA MÃO É MOTIVO DE ESCÂNDALO, CORTAI-A.


11. Aquele que escandalizar, porém, a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande mó e o lançassem ao fundo do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos. Porque é necessário que sucedam escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo. Ora, se a tua mão ou o teu pé te escandalizam, corta-o e lança-o fora de ti. Melhor te é entrar na vida manco ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo do inferno. E se o teu olho te escandaliza, tira-o, e lança-o fora de ti. Melhor te é entrar na vida com um só olho do que, tendo dois, seres lançado no fogo do inferno. Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos declaro que os seus anjos no Céu, incessantemente, estão vendo a face de meu Pai, que está nos Céus. Porque o Filho do Homem veio salvar o que havia perecido. (Mateus, 18: 6 a 11)
E se o teu olho direito te serve de escândalo, arranca-o e lança-o fora de ti; porque melhor te é que se perca um de teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado no inferno. E se a tua mão direita te serve de escândalo, corta-a e lança-a fora de ti; porque melhor te é que se perca um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno. (Mateus, 5: 29 e 30)
12. No sentido vulgar, escândalo é tudo aquilo que choca a moral ou as regras da sociedade de uma maneira evidente, que atrai as atenções. O escândalo não está na ação em si mesma e sim na repercussão que ela pode ter. A palavra escândalo está sempre associada à ideia de um certo tumulto e alvoroço. Muitas pessoas se contentam em evitar o escândalo, pois seu orgulho sofreria com isso, sua reputação seria diminuída entre os homens. Contanto que suas maldades sejam ocultadas, isso lhes basta e sua consciência fica tranquila. Estes são, conforme as palavras de Jesus, sepulcros caiados por fora, mas cheios de podridão por dentro; vasos limpos por fora e sujos por dentro. É muito amplo o significado da palavra escândalo, tantas vezes usada no Evangelho, e precisamos compreender o seu alcance. Escândalo não é somente o que ofende a consciência dos outros, é também tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições dos homens, toda reação má de indivíduo para indivíduo, com ou sem repercussão. O escândalo, neste caso, é o resultado efetivo do mal moral.
13. É necessário que sucedam escândalos no mundo, disse Jesus, porque os homens, sendo imperfeitos na Terra, são tendentes a fazer o mal e porque árvores ruins dão frutos ruins. É preciso, pois, entender com estas palavras que o mal é uma consequência da imperfeição dos homens e não que exista para eles a obrigação de praticá-lo.
14. É necessário que sucedam escândalos, pois os homens, estando em expiação na Terra, punem-se a si mesmos, pelo contato de seus vícios, dos quais são as primeiras vítimas e cujos males acabam por compreender, e, somente depois que estiverem cansados de sofrer seus efeitos, procurarão o remédio no bem. A reação desses vícios serve, portanto, ao mesmo tempo de castigo para uns e de provação para outros. É assim que Deus faz surgir o bem do mal e que os próprios homens tiram ensinamentos de coisas ruins ou desagradáveis.
15. Se assim for, poderá se dizer que o mal é necessário e sempre existirá e, se desaparecesse, Deus ficaria sem um poderoso meio de castigar os culpados; portanto, é inútil procurar melhorar os homens. Mas se não houvesse mais culpados, não haveria necessidade de castigos. Suponhamos que toda a Humanidade fosse transformada em homens de bem: ninguém procuraria fazer mal ao próximo e todos seriam felizes, porque seriam bons. Tal é o estado dos mundos evoluídos, de onde o mal foi excluído, e assim será o estado da Terra quando tiver progredido o suficiente. Mas, enquanto alguns mundos avançam, outros se formam, povoados por Espíritos primitivos e que servem, por outro lado, de morada, de exílio e de lugar de expiação para Espíritos imperfeitos, rebeldes, que permanecem no mal e que são rejeitados nos mundos que se tornaram felizes.
16. Mas ai daquele por quem vem o escândalo, ou seja: o mal é sempre o mal. Portanto, aquele que serviu, de alguma modo, de instrumento para a Justiça Divina, cujos maus instintos foram utilizados, nada mais fez do que fazer o mal, deve, portanto, ser punido. É desse modo, por exemplo, que um filho ingrato é uma punição ou uma provação para o pai que o suporta. Talvez esse pai tenha sido um mau filho que fez seu pai sofrer e que está sofrendo como se fosse a pena de talião; mas o filho não terá desculpas por proceder assim, e, por sua vez, poderá ser castigado, tendo filhos rebeldes ou de qualquer outra maneira.
17. Se tua mão é motivo de escândalo, corta-a; afirmativa enérgica que seria um absurdo se tomada ao pé da letra. Significa, simplesmente, a necessidade de destruir em si todas as causas de escândalo, ou seja, do mal. É preciso arrancar do coração todo sentimento impuro e toda tendência viciosa; será melhor para um homem ter a mão cortada, antes que essa mão lhe sirva de instrumento de uma ação má. Será melhor ser privado da visão do que seus olhos servirem para idealizar maus pensamentos. Jesus nada disse de absurdo para quem quer entender o sentido figurado e profundo de suas palavras; mas muitas coisas não podem ser compreendidas sem a chave que o Espiritismo dá.

VIDAS SUCESSIVAS
“Não te maravilhes de te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.”
— Jesus. (JOÃO, capítulo 3, versículo 7.)
A palavra de Jesus a Nicodemos foi suficientemente clara.
Desviá-la para interpretações descabidas pode ser compreensível no sacerdócio organizado, atento às injunções da luta humana, mas nunca nos espíritos amantes da verdade legítima.
A reencarnação é lei universal.
Sem ela, a existência terrena representaria turbilhão de desordem e injustiça; à luz de seus esclarecimentos, entendemos todos os fenômenos dolorosos do caminho.
O homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos processos de resgate e reajustamento.
Entre os homens, o criminoso é enviado a penas cruéis, seja pela condenação à morte ou aos sofrimentos prolongados.
A Providência, todavia, corrige, amando... Não encaminha os réus a prisões infectas e úmidas. Determina somente que os comparsas de dramas nefastos troquem a vestimenta carnal e voltem ao palco da atividade humana, de modo a se redimirem, uns à frente dos outros.
Para a Sabedoria Magnânima nem sempre o que errou é um celerado, como nem sempre a vítima é pura e sincera. Deus não vê apenas a maldade que surge à superfície do escândalo; conhece o mecanismo sombrio de todas as circunstâncias que provocaram um crime.
O algoz integral como a vítima integral são desconhecidos do homem; o Pai, contudo, identifica as necessidades de seus filhos e reúne-os, periodicamente, pelos laços de sangue ou na rede dos compromissos edificantes, a fim de que aprendam a lei do amor, entre as dificuldades e as dores do destino, com a bênção de temporário esquecimento.

Livro Caminho, Verdade e Vida – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.