segunda-feira, 19 de agosto de 2019

RESGUARDAR-SE DA AVAREZA


3. Então um homem Lhe disse do meio da multidão: Mestre, dizei a meu irmão que reparta comigo a herança que nos coube. Mas Jesus lhe disse: Homem, quem estabeleceu que eu pudesse ser juiz, ou fazer vossas partilhas? Depois lhe disse: Tende cuidado para guardar-vos de toda avareza; pois, em qualquer abundância que o homem esteja, sua vida não depende dos bens que possui.
Jesus lhes disse em seguida esta parábola: Havia um homem rico cujas terras tinham produzido extraordinariamente; e revolvia dentro de si estes pensamentos: O que farei, se não tenho lugar onde guardar tudo o que vou colher? Eis o que farei, pensou: Derrubarei meus celeiros e construirei outros maiores, e aí colocarei toda minha colheita e todos os meus bens; e direi à minha alma: Tendes agora muitos bens em reserva para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus nesse mesmo instante disse a esse homem: Como és insensato! Tua alma será arrebatada ainda esta noite, e para quem ficará isso que guardaste?
Assim acontece com aquele que guarda tesouros para si mesmo e que não é rico perante Deus. (Lucas, 12:13 a 21)

OURO E PODER

Muita gente acredita encontrar na riqueza e no poder sinais de privilégios, quando ouro e influência simplesmente não passam de recursos destinados à aferição do valor que nos assinala.
Lembremo-nos de que um homem aprisionado à sombra do cárcere é sempre alguém constrangido a mostrar virtudes que raramente possui.
Silencia por impossibilitado de gritar a desesperação que lhe vergasta o peito e revela quietação e tristeza, quais se fossem humildade e compreensão, porquanto, posto a ferros, é compelido a guardar-se em reserva compulsória.
Assim também ocorre com a enfermidade e o pauperismo, a inibição e o desvalimento na maior parte das circunstâncias.
Segregada, dentro deles, a alma reencarnada não dispõe de outros meios senão o de aceita-los como preço ao resgate das próprias dívidas.
Entretanto, qual o sentenciado que abandona a cadeia sob exata observação, assim é a criatura que retém os talentos da fortuna e da autoridade, do equilíbrio e da robustez.
Não se encontram aqueles que os desfrutam na Terra contemplados por favores especiais, mas semi-libertados pela benção do Céu, em regime de exame, nas escolas do mundo.
Dessa forma, nos momentos de paz, segurança e alegria, muitos de nós outros apenas respiramos, à luz de experiências novas, nas quais demonstraremos se mais não precisamos da dor e do infortúnio, na construção da estrada de elevação para Deus.

Livro Dinheiro – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

SALVAÇÃO DOS RICOS


1. Ninguém pode servir a dois senhores, porque, ou ele aborrecerá a um e amará ao outro, ou se afeiçoará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir ao mesmo tempo a Deus e a Mamon. (Lucas, 16:13)
2. Então um jovem se aproximou de Jesus e disse: Bom mestre, o que é preciso fazer para alcançar a vida eterna? Jesus lhe respondeu: Por que me chamais de bom? Só Deus é bom. Se quereis entrar na vida, guardai os mandamentos. Que mandamentos, perguntou-Lhe? Jesus lhe respondeu: Não matareis; não cometereis adultério; não roubareis; não direis falso testemunho. Honrai vosso pai e vossa mãe, e amai ao vosso próximo como a vós mesmos.
O jovem respondeu: Guardei todos esses mandamentos desde minha juventude; o que ainda me falta? Jesus lhe disse: Se quiserdes ser perfeito, ide, vendei o que tendes e dai-o aos pobres, e tereis um tesouro no Céu; depois, vinde e segui-me.
Porém o jovem, ouvindo estas palavras, retirou-se muito triste, pois possuía muitos bens. E então, Jesus disse a seus discípulos: Eu vos digo, em verdade, que é bem difícil a um rico entrar no reino dos Céus. Ainda vos digo mais: É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus. (Mateus, 19:16 a 24; Lucas, 18:18 a 25; Marcos, 10:17 a 25)

SEJAMOS RICOS EM JESUS

Quem julga pelas aparências, quase sempre esbarra na areia móvel das transformações repentinas a lhe solaparem o edifício das errôneas conclusões.
Existem criaturas altamente tituladas nas convenções do mundo, que trazem consigo uma fonte viva de humildade no coração, enquanto que há mendigos, de rosto desfigurado, que carreiam no íntimo a névoa espessa do orgulho a empanar-lhes o entendimento.
Há ricos que são maravilhosamente pobres de avareza e encontramos pobres lamentavelmente ricos de sovinice.
Somos defrontados, em toda a parte, por grandes almas que se fazem humildes, a serviço do Senhor, na pessoa do próximo e, frequentemente, surpreendemos espíritos rasteiros envergando túnicas de vaidade e dominação.
Jesus, louvando os ‘pobres de espírito’, não tecia encômios à ignorância, à incultura, à insipiência ou à nulidade, e sim exaltava os corações simples que descobrem na vida, em qualquer ângulo da existência, um tesouro de bênçãos, com o qual é possível o enriquecimento efetivo da alma para as alegrias da elevação.
“Pobres de espírito”, na plataforma evangélica, significa tão-somente “pobres de fatuidade, de pretensos destaques intelectuais, de supostos cabedais da inteligência”. É necessário nos acautelemos contra a interpretação exagerada do texto, em suas expressões literais, para penetrarmos o verdadeiro sentido da lição.
A pobreza e a pequenez não existem na obra divina.
Constituem apenas posições transitórias criadas por nós mesmos, na jornada evolutiva em que aprenderemos, pouco a pouco, sob o patrocínio da luta e da experiência, que tudo é grande no Universo de Deus.
Todos os seres, todas as tarefas e todas as coisas são peças preciosas na estruturação da vida.
Onde estiveres faze-te espontâneo para recolher a luz da compreensão.
Alijemos os farrapos dourados da ilusão, que nos obscurecem a alma, estabelecendo a necessária receptividade no coração, e entenderemos que todos somos infinitamente ricos de oportunidades de trabalhar e servir, de aprender e aperfeiçoar, infatigavelmente.
O ouro será, muitas vezes, difícil provação e os cimos sociais na Terra, quase sempre, são amargos purgatórios para a alma sensível, tanto quanto a carência de recursos materiais é bendita escola de sofrimento, mas a simplicidade e o amor fraterno, brilhando, por dentro de nosso espírito, em qualquer situação no caminho da vida, são invariavelmente o nosso manancial de alegrias sem fim.

Livro Dinheiro – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO


Paulo, Apóstolo - Paris, 1860

10. Meus filhos, fora da caridade não há salvação é o ensinamento moral que contém a destinação dos homens, tanto na Terra quanto no Céu. Na Terra, porque à sombra dessa bandeira viverão em paz; no Céu, porque aqueles que a tiverem praticado encontrarão graça diante do Senhor. Este símbolo é a luz celeste, a coluna luminosa que guia o homem no deserto da vida para conduzi-lo à Terra da Promissão; e brilha no Céu como uma auréola santa na fronte dos eleitos e, na Terra, está gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: passai à direita, vós, os abençoados de meu Pai. Vós os reconhecereis pelo perfume de caridade que espalham ao seu redor. Nada exprime melhor o pensamento de Jesus, nada resume melhor os deveres do homem do que este ensinamento moral de ordem divina. O Espiritismo não podia provar melhor sua origem do que dando-a por regra, pois ela é o reflexo do mais puro Cristianismo, e, com esta orientação, o homem nunca se desencaminhará. Dedicai-vos, meus amigos, a compreender-lhe o profundo significado e suas consequências, e nela procurar, por vós mesmos, as suas aplicações. Deixai que a caridade governe todas as vossas ações, e vossa consciência responderá; ela não somente evitará a vós de fazer o mal, mas levar-vos a fazer o bem, porque não basta uma virtude passiva, é preciso uma virtude ativa. Para fazer o bem, é preciso sempre a ação da vontade; para não fazer o mal, basta frequentemente o não fazer nada e a indiferença.
Meus amigos, agradecei a Deus, que vos permitiu desfrutar da luz do Espiritismo. Não é porque só os que a possuem podem salvar-se, mas porque, ao vos ajudar a compreender melhor os ensinamentos do Cristo, ela faz de vós melhores cristãos. Que os vossos irmãos, ao vos observar, possam dizer que o verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, pois todos aqueles que praticam a caridade são discípulos de Jesus, qualquer que seja o culto a que pertençam.

ESMOLA

"Dai antes esmola do que tiverdes." - Jesus. (LUCAS, 11:41.)

A palavra do Senhor está sempre estruturada em luminosa beleza que não podemos perder de vista.
No capítulo da esmola, a recomendação do Mestre, dentro da narrativa de Lucas, merece apontamentos especiais.
"Dai antes esmola do que tiverdes".
Dar o que temos é diferente de dar o que detemos.
A caridade é sublime em todos os aspectos sob os quais se nos revele e em circunstância alguma devemos esquecer a abnegação admirável daqueles que distribuem pão e agasalho, remédio e socorro para o corpo, aprendendo a solidariedade e ensinando-a.
É justo, porém, salientar que a fortuna ou a autoridade são bens que detemos provisoriamente na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem.
O Dono de todo o poder e de toda a riqueza no Universo é Deus, nosso Criador e Pai, que empresta recursos aos homens, segundo os méritos ou as necessidades de cada um.
Não olvidemos, assim, as doações de nossa esfera íntima e perguntemos a nós mesmos:
Que temos de nós próprios para dar?
Que espécie de emoção estamos comunicando aos outros?
Que reações provocamos no próximo?
Que distribuímos com os nossos companheiros de luta diária?
Qual é o estoque de nossos sentimentos?
Que tipo de vibrações espalhamos?
Para difundir a bondade, ninguém precisa cultivar riso estridente ou sorrisos baratos, mas, para não darmos pedras de indiferença aos corações famintos de pão da fraternidade, é indispensável amealhar em nosso espírito as reservas da boa compreensão, emitindo o tesouro de amizade e entendimento que o Mestre nos confiou em serviço ao bem de quantos nos rodeiam, perto ou longe.
É sempre reduzida a caridade que alimenta o estômago, mas que não esquece a ofensa, que não se dispõe a servir diretamente ou que não acende luz para a ignorância.
O aviso do Instrutor Divino nas anotações de Lucas significa: - dai esmola de vossa vida íntima, ajudai por vós mesmos, espalhai alegria e bom ânimo, oportunidade de crescimento e elevação com os vossos semelhantes, sede irmãos dedicados ao próximo, porque, em verdade, o amor que se irradia em bênçãos de felicidade e trabalho, paz e confiança, é sempre a dádiva maior de todas.

Livro Fonte Viva – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO. FORA DA VERDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO


8. Enquanto o ensinamento moral: fora da caridade não há salvação se apoia num princípio universal e abre a todos os filhos de Deus o acesso à suprema felicidade, o dogma fora da Igreja não há salvação se apoia não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, mas numa fé especial em dogmas particulares; é separatista e incontestável. Ao invés de unir os filhos de Deus, divide-os; ao invés de estimulá-los ao amor fraterno, mantém e deixa evidente o rancor entre os seguidores de diferentes cultos, que se consideram reciprocamente como malditos na eternidade, ainda que eles sejam parentes ou amigos neste mundo. Desprezando a grande lei de igualdade diante do túmulo, separa-os até mesmo no cemitério. O ensinamento moral: fora da caridade não há salvação, consagra o princípio de igualdade perante Deus e da liberdade de consciência; tendo como norma que todos os homens são irmãos, seja qual for sua maneira de adorar ao Criador, eles se estendem as mãos e oram uns pelos outros. Com o dogma: fora da Igreja não há salvação, eles se amaldiçoam, se perseguem e vivem como inimigos; o pai não ora por seu filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, por julgarem-se mutuamente condenados, para sempre. Este dogma da Igreja é, portanto, essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.
9. Fora da verdade não há salvação equivaleria a: fora da Igreja não há salvação, e seria também exclusivo, pois não existe uma única seita que não pretenda ter o privilégio da verdade. Qual é o homem que pode se vangloriar de possuí-la integralmente, se a área dos conhecimentos cresce sem cessar e as ideias evoluem a cada dia? A verdade absoluta é apenas acessível aos Espíritos da mais elevada ordem, e a Humanidade terrena não poderia pretender possuí-la, pois não lhe é permitido saber tudo; ela pode apenas conhecer uma verdade relativa e proporcional ao seu adiantamento. Se Deus tivesse feito da posse da verdade absoluta a condição expressa da felicidade futura, isso seria como um decreto de proscrição (banimento) geral, enquanto a caridade, até mesmo no seu sentido mais amplo, pode ser praticada por todos.
O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo que se pode ser salvo seja qual for a crença, contanto que se observe a Lei de Deus, não diz: fora do Espiritismo não há salvação e, como ele não pretende ensinar ainda toda a verdade, também não diz: fora da verdade não há salvação, o que dividiria ao invés de unir e tornaria eternos os antagonismos, isto é, as rivalidades.

Verdade e crença

“E se vos digo a verdade, por que não credes?” – Jesus
(João, 8: 46)

Jesus lecionou a verdade em todas as situações da peregrinação messiânica.
A todos concedeu amor puro, bênçãos de luz e bens para a Eternidade.
Provou com os próprios testemunhos a excelência de seus ensinos...
Ministrou a caridade simples e natural, sem melindrar ou ferir...
A cada qual apontou a lógica real das circunstâncias da vida...
A ninguém enganou...
Não sofismou por nenhuma razão...
Perdoou sem apresentar condições...
Cedeu a benefício de todos.
Não temeu, nem vacilou ao indicar a realidade, nem fugiu de demonstrá-la no próprio exemplo.
Não aguardou bonificações: serviu sempre.
De ninguém reclamou: sacrificou a si mesmo.
Não permaneceu em posição de neutralidade: definiu-se.
Cabe, portanto, a quem recolhe os dons divinos da claridade evangélica amar e perdoar, construindo o bem e a paz, esposando ostensivamente a Vida Cristã, na elucubração da teoria e no esforço da aplicação.
Se possuímos a luz da verdade, por que não lhe seguir a rota de luz?

Livro O Espírito Verdade – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

domingo, 21 de julho de 2019

NECESSIDADE DA CARIDADE SEGUNDO SÃO PAULO


6. Ainda que eu fale as línguas dos homens e até mesmo a língua dos anjos, se não tiver caridade, sou apenas como um metal que soa e um sino que tine; e ainda que tivesse o dom de profecia, e penetrasse em todos os mistérios, e tivesse uma perfeita ciência de todas as coisas; e se tivesse toda a fé possível, capaz de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada serei. E quando tivesse distribuído meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, tudo isso de nada me servirá.
A caridade é paciente, é doce e benigna; a caridade não é invejosa, não é temerária e precipitada; não se enche de orgulho, não é desdenhosa; não procura seus próprios interesses; não se vangloria e não se irrita com nada; não suspeita mal, não se alegra com a injustiça, e sim com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera e tudo sofre.
Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas entre elas, a mais excelente é a caridade. (Paulo, 1ª. Epístola aos Coríntios, 13:1 a 7, 13.)
7. O apóstolo Paulo compreendeu tão claramente esta grande verdade que disse: Ainda que eu tivesse a linguagem dos anjos; e ainda que tivesse o dom de profecia, e penetrasse em todos os mistérios; e ainda que tivesse toda fé possível capaz de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada serei. Destas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade. Coloca assim, com clareza, a caridade até mesmo acima da fé, porque a caridade está ao alcance de todos: do inculto, do sábio, do rico e do pobre, e é independente de toda crença particular. E faz mais: define a verdadeira caridade; mostra-a não apenas na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.

DIANTE DO BEM

Diante de cada dia que surge, reflitamos na edificação do bem a que somos chamados.
Para isso, comecemos abençoando pessoas e acontecimentos, circunstâncias e coisas, para que o melhor se realize.
De principio costumam reportar no cotidiano os problemas triviais do instituto doméstico. Habilmente aparece o assunto palpitante da hora, solicitando-nos atenção. Saibamos subtrair-lhe a sombra provável projetando nele a réstia de luz que sejamos capazes de improvisar. Logo após, de imediato, estamos quase sempre defrontados pelos contratempos de ordem familiar.
Renteando com eles, usemos o verbo calmante e conciliador para que as engrenagens do lar funcionem lubrificadas em bálsamos de harmonia.
Mais adiante é o grupo de trabalho com os pontos fracos à mostra.
Abracemos com paciência e alegria as tarefas excedentes que nos imponha, esquecendo essas ou àquelas falhas dos companheiros e trazendo a nós sem queixa ou censura a obrigação que ficou por fazer. Em seguida é o campo vasto das relações, com as surpresas menos felizes que sobrevenham: o amigo modificado, a trama da incompreensão, a atitude mal interpretada, o irmão que se vai para longe de nós...
A cada ocorrência menos agradável procuremos responder com os nossos mais altos recursos de entendimento, justificando o amigo que se transforma, desfazendo sem mágoa o emaranhado das trevas, removendo equívocos em pauta e apoiando o colega que se afasta, oferecendo-lhe a íntima certeza com referência à continuidade de nossa estima. Tudo que existe é peça da vida, e se aqui ou além, a deficiência aparece, isso significa que a obra do bem, nessa ou naquela peça da vida está pedindo a nossa colaboração a fim de que lhe doemos o pedaço do bem, que por ventura ainda lhe falte.

Livro Mãos Unidas – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

O MAIOR MANDAMENTO


4. Mas os fariseus, ao verem que Jesus tinha feito calar a boca dos saduceus, reuniram-se, e um deles, que era doutor da lei, veio fazer essa pergunta para tentá-Lo: Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Jesus lhe respondeu: Amareis ao Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma, e de todo o vosso Espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que lhe é semelhante: Amareis ao vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos. (Mateus, 22:34 a 40)
5. Caridade e humildade, eis portanto o único caminho para a salvação; egoísmo e orgulho, eis o caminho da perdição. Este ensinamento está formulado em termos precisos nestas palavras: Amareis a Deus de toda vossa alma e ao vosso próximo como a vós mesmos; toda lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos.
Jesus, para que não houvesse dúvidas na interpretação do amor a Deus e ao próximo, acrescentou: E eis o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro, isto é: não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar ao próximo, nem amar ao próximo sem amar a Deus.
Portanto, tudo o que se faz contra o próximo, é o mesmo que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos neste ensinamento moral: Fora da caridade não há salvação.

A ESMOLA MAIOR

"Amados, amemo-nos uns aos outros, porque a caridade é de Deus”.
JOÃO. (I João, 4:7.).

No estudo da caridade, não olvides a esmola maior que o dinheiro não consegue realizar.
Ela é o próprio coração a derramar-se, irradiando o amor por sol envolvente da vida.
No lar, ela surge no sacrifício silencioso da mulher que sabe exercer o perdão sem alarde para com as faltas do companheiro; na renúncia materno do coração que se oculta, aprendendo a morrer cada dia, para que a paz e a segurança imperem no santuário doméstico; no homem reto que desculpa as defecções da esposa enganada sem cobrar-lhe tributos de aflição; nos filhos laboriosos e afáveis que procuram retribuir em ternura incessante para com os pais sofredores as dívidas do berço que todo ouro da terra não conseguiria jamais resgatar.
No ambiente profissional é o esquecimento espontâneo das ofensas entre os que dirigem e os que obedecem, tanto quanto o concurso desinteressado e fraterno dos companheiros que sabem sorrir nas horas graves ofertando cooperação e bondade para que o estímulo ao bem seja o clima de quantos lhes comungam a experiência.
No campo social é a desistência da pergunta maliciosa; a abstenção dos pensamentos indignos; o respeito sincero e constante; a frase amiga e generosa; e o gesto de compreensão que se exprime sem paga.
Na via pública é a gentileza que ninguém pede; a simplicidade que não magoa; a saudação de simpatia ainda mesmo inarticulada e a colaboração imprevista que o necessitado espera de nós muita vez sem coragem de endereçar-nos qualquer apelo.
Acima de tudo, lembra-te da esmola maior de todas, da esmola santa que pacifica o ambiente em que o Senhor situa, que nos honra os familiares e enriquece de bênçãos o ânimo dos amigos, a esmola de nosso dever cumprido, porquanto, no dia em que todos nos consagrarmos ao fiel desempenho das próprias obrigações o anjo da caridade não precisará desfalecer de angústia nos cárceres das provações terrenas, de vez que a fraternidade estará reinando conosco na exaltação da perfeita alegria.

Livro Ceifa de Luz – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

O QUE É PRECISO PARA SER SALVO. PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO


1. Portanto, quando o Filho do homem vier em sua majestade acompanhado de todos os anjos, se sentará sobre o trono de sua glória; e, todas as nações estando reunidas perante ele, separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas dos cabritos, e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
Então o Rei dirá àqueles que estiverem à sua direita: Vinde, vós que fostes abençoados por meu Pai, possuí o reino que vos foi preparado desde o início do mundo; pois tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; tive necessidade de abrigo e me abrigastes; estive nu e me vestistes; estive doente e fostes me visitar; estive na prisão e viestes me ver.
Então os justos perguntarão: Senhor, quando vos vimos faminto e vos demos de comer, ou que tivestes sede e vos demos de beber? Quando vos vimos sem abrigo e vos abrigamos e sem roupas e vos vestimos? E quando vos vimos doente ou na prisão e que fomos vos visitar? E o Rei responderá a eles: Eu vos digo em verdade que, todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. Ele dirá em seguida àqueles que estiverem à sua esquerda: Separai-vos de mim, malditos; ide ao fogo eterno, que foi preparado para o diabo e para seus anjos; pois tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; tive necessidade de abrigo e não me abrigastes; estive sem roupas e não me vestistes; estive doente e na prisão e não me visitastes.
Então, eles assim responderão: Senhor, quando vos vimos ter fome, ter sede, ou estar sem abrigo, sem roupas, ou doente ou na prisão, e que não vos assistimos? Mas ele responderá: Eu vos digo em verdade que, todas as vezes que deixastes de dar assistência a um desses pequeninos, deixastes de fazê-lo a mim mesmo.
E então estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (Mateus, 25:31 a 46)
2. Então um doutor da lei, se levantando, disse-Lhe para tentá-Lo: Mestre, o que devo fazer para possuir a vida eterna? Jesus lhe respondeu: O que está escrito na lei? Como lês? Ele Lhe respondeu: Amareis ao Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda  a vossa alma, de todas as vossas forças e de todo o vosso Espírito, e vosso próximo como a vós mesmos. Jesus lhe disse: Respondestes muito bem; fazei isso e vivereis.
Mas este homem, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é meu próximo? E Jesus, tomando a palavra, lhe disse: Um homem que descia de Jerusalém a Jericó caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram, cobriram-no de feridas e deixaram-no meio morto. E eis que de repente um sacerdote passava pelo mesmo caminho e que, tendo-o notado, passou bem longe. Um levita, que também vinha pelo mesmo lugar, vendo-o, também passou longe. Mas um samaritano que viajava, passando pelo lugar onde estava esse homem, e tendo-o visto, ficou tomado por compaixão. Aproximou-se então dele, passou azeite e vinho em suas feridas, e as enfaixou; e, pondo-o sobre seu cavalo, levou-o a uma estalagem e tomou conta dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, que deu ao hospedeiro, e lhe disse: Cuidai bem deste homem, e tudo o que gastardes a mais, eu vos restituirei em minha volta.
Qual destes três vos parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? O doutor Lhe respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Ide, pois, lhe disse Jesus, e fazei o mesmo. (Lucas, 10:25 a 37)
3. Toda moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra estas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna: Bem-aventurados – disse Ele – os pobres de espírito, ou seja, os humildes, pois é deles o reino dos Céus; bem aventurados aqueles que têm o coração puro; bem-aventurados aqueles que são mansos e pacíficos; bem-aventurados aqueles que são misericordiosos; amai ao vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que gostaríeis que vos fizessem; amai aos vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; fazei o bem com discrição; julgai a vós mesmos antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis o que Ele não cessa de recomendar e exemplificar. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E faz mais do que recomendar a caridade, coloca-a claramente, e em termos bem definidos, como a condição absoluta da felicidade futura.
No quadro em que Jesus nos mostra o julgamento final é preciso, como em muitas outras coisas, separar o que pertence à linguagem figurada, à alegoria. A homens como estes a quem falava, ainda incapazes de compreender as questões puramente espirituais, devia apresentar imagens materiais chocantes, surpreendentes e capazes de impressionar; para melhor serem aceitas, devia mesmo não se afastar das ideias do seu tempo, quanto à forma, reservando sempre para o futuro a verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma ideia dominante: a da felicidade reservada ao justo e a da infelicidade que espera o mau.
Naquele julgamento supremo, quais são as razões em que se baseia a sentença? No que se baseia o inquérito? O juiz pergunta se foram atendidas estas ou aquelas formalidades, observadas estas ou aquelas práticas exteriores? Não, ele pergunta apenas sobre uma coisa – a prática da caridade – e se pronuncia dizendo: “Vós, que socorrestes vossos irmãos, passai à direita; vós, que fostes duros para com eles, passai à esquerda”. Indaga pela ortodoxia da fé? Faz diferença entre aquele que crê de uma maneira e o que crê de outra? Não; pois Jesus coloca o samaritano, tido como herético, mas que tem amor ao próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Jesus não põe a caridade apenas como uma das condições da salvação e, sim, a condição única. Se houvesse outras a serem consideradas, Ele as teria mencionado. Se coloca a caridade como a primeira das virtudes, é que dela fazem parte, necessariamente, todas as outras: a humildade, a doçura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc.; e porque ela é totalmente oposta ao orgulho e ao egoísmo.

EXAMINA-TE

“Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade.” -
Paulo. (FILIPENSES, capítulo 2, versículo 3.)

O serviço de Jesus é infinito. Na sua órbita, há lugar para todas as criaturas e para todas as ideias sadias em sua expressão substancial.
Se, na ordem divina, cada árvore produz segundo a sua espécie, no trabalho cristão, cada discípulo contribuirá conforme sua posição evolutiva.
A experiência humana não é uma estação de prazer. O homem permanece em função de aprendizado e, nessa tarefa, é razoável que saiba valorizar a oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.
O apóstolo Paulo compreendeu essa verdade, afirmando que nada deveremos fazer por espírito de contenda e vanglória, mas, sim, por ato de humildade.
Quando praticares alguma ação que ultrapasse o quadro das obrigações diárias, examina os móveis que a determinaram. Se resultou do desejo injusto de supremacia, se obedeceu somente à disputa desnecessária, cuida de teu coração para que o caminho te seja menos ingrato. Mas se atendeste ao dever, ainda que hajas sido interpretado como rigorista e exigente, incompreensivo e infiel, recebe as observações indébitas e passa adiante.
Continua trabalhando em teu ministério, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem contendas e vanglórias, Jesus foi tido por imprudente e rebelde, traidor da lei e inimigo do povo, recebendo com a cruz a coroa gloriosa.

Livro Caminho, Verdade e Vida – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.