domingo, 21 de maio de 2023

PRODÍGIOS DOS FALSOS PROFETAS

5. Surgirão falsos cristos e falsos profetas que farão grandes prodígios e coisas surpreendentes para enganar os escolhidos. Estas palavras alertam para o verdadeiro sentido da palavra prodígio. No sentido teológico, os prodígios e os milagres são fenômenos excepcionais, fora das leis da Natureza. Estas leis, sendo obra unicamente de Deus, são passíveis de serem modificadas, sem dúvida, se Ele quiser. O simples bom-senso nos diz que Ele não pode ter dado a seres perversos e inferiores um poder igual ao seu e, ainda menos, o direito de desfazer o que Ele fez. Jesus não pode ter consagrado tal princípio. Se, pois, segundo o sentido que se atribui àquelas palavras, o Espírito do mal tem o poder de fazer tais prodígios, que até mesmo os eleitos seriam enganados, disso resultaria que, podendo fazer o que Deus faz, os prodígios e os milagres não são privilégio exclusivo dos enviados de Deus e, por isso, nada provam, uma vez que nada distingue os milagres dos santos dos milagres dos demônios. É preciso, pois, procurar um sentido mais racional para essas palavras de Jesus.

Aos olhos do povo, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa por algo sobrenatural, maravilhoso e miraculoso. Conhecida a causa, reconhece-se que o fenômeno, por mais extraordinário que possa parecer, nada mais é do que a aplicação de uma lei da Natureza.

Assim, o círculo dos fatos sobrenaturais se restringe à medida que se alarga o conhecimento das leis científicas. Em todos os tempos, os homens têm explorado, em benefício de sua ambição, de  seu interesse e de seu desejo de dominação, certos conhecimentos que possuíam, a fim de usufruírem de um prestígio e de um poder supostamente sobre-humano, ou que uma pretensa missão divina lhes daria. Estes são os falsos Cristos e os falsos profetas. A propagação dos conhecimentos acaba por desacreditá-los, e eis por que seu número diminui, à medida que os homens se esclarecem. O fato de operarem o que, aos olhos de algumas pessoas, passa por prodígios não é, portanto, sinal de uma missão divina, uma vez que pode resultar de conhecimentos que qualquer um pode adquirir, ou capacidades orgânicas especiais, que tanto o mais digno quanto o mais indigno podem possuir. O verdadeiro profeta se reconhece por características mais sérias e, exclusivamente, de ordem moral.

EM NOSSAS MÃOS 

"Venha a nós o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus”.

- JESUS. (Mateus, 6:10.).

Convence-te de que as Leis da Divina Sabedoria não se enganariam.

Situando-te na terra, por tempo determinado, com vistas ao próprio burilamento que te cabe realizar, trazes contigo as faculdades que o senhor te concedeu por instrumentos de trabalho.

Encontras-te no lugar certo em que te habilitas a desempenhar os encargos próprios.

Tens contigo as criaturas mais adequadas a te impulsionarem nos caminhos à frente.

Passas pelas experiências de que não prescindes para a conquista da sublimação que demandas.

Recebes os parentes e afeições de que mais necessitas para resgatar as dívidas do passado ou renovar-te nos impulsos de elevação.

Vives na condição certa na qual te compete efetuar as melhores aquisições de espírito.

Sofres lutas compatíveis com as tuas necessidades de conhecimento superior.

Vários acontecimentos dos quais não se te faz possível a desejada liberação, a fim de que adquiras autocontrole.

Atravessas circunstâncias, por vezes difíceis, de modo a conheceres o sabor da vitória sobre ti mesmo.

E em qualquer posição, na qual te vejas, dispões sempre de certa faixa de tempo a fim de fazer o bem aos outros, tanto quanto queiras, como julgues melhor, da maneira que te pareça mais justa e na extensão que desejas, para que, auxiliando aos outros, recebas dos outros mais amplo auxílio, no instante oportuno.

Segundo é fácil de observar, estás na Terra, de alma condicionada às leis de espaço e tempo, conforme o impositivo de autoaperfeiçoamento, em que todos nos achamos, no mundo físico ou fora dele, mas sempre com vastas possibilidades de exercer o bem e estendê-lo aos semelhantes, porque melhorar-nos e elevar-nos, educar-nos e, sobretudo, servir, são sempre medidas preciosas, invariavelmente em nossas próprias mãos.

Livro Ceifa de Luz – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

domingo, 23 de abril de 2023

OS TRABALHADORES DO SENHOR

O Espírito de Verdade - Paris, 1862

5. É chegado o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade, e felizes serão aqueles que tiverem trabalhado no campo do Senhor generosamente e sem outro interesse que não a caridade! Suas jornadas de trabalho serão recompensadas cem vezes mais do que esperavam. Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos nossos esforços a fim de que o Senhor encontre a obra terminada quando chegar”, e o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, que calastes vossos melindres e discórdias para não deixar a obra prejudicada!” Mas, infelizes daqueles que, por suas divergências vaidosas, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e serão levados no turbilhão! E clamarão: “Graça! Graça, Senhor!” Ele lhes dirá: “Por que pedis graças, vós que não tivestes piedade de vossos irmãos? Que recusastes estender a mão ao fraco e o esmagastes ao invés de socorrê-lo? Por que pedis graças, vós que procurastes na Terra vossa recompensa nos gozos e na satisfação de vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa de acordo com vossa vontade, nada mais deveis pedir. As recompensas celestes são para aqueles que não tenham recebido as recompensas na Terra”.

Deus faz neste momento a enumeração de seus servidores fiéis, e marcou “a dedo” aqueles que do devotamento só têm a aparência, a fim de que não se apoderem do salário dos servidores corajosos. A estes, que não recuarem perante a tarefa, é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo, e estas palavras se cumprirão: “Os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros no reino dos Céus”.

AVANCEMOS

“Irmãos, quanto a mim, não julgo que haja alcançado

a perfeição, mas uma coisa faço, e é que,

esquecendo-me das coisas que atrás ficam,

 avanço para as que se encontram diante de mim.”

Paulo. (Filipenses, 3:13 e 14.) 

Na estrada cristã, somos defrontados sempre por grande número de irmãos que se aquietaram à sombra da improdutividade, declarando-se acidentados por desastres espirituais.

É alguém que chora a perda de um parente querido, chamado à transformação do túmulo.

É o trabalhador que se viu dilacerado pela incompreensão de um amigo.

É o missionário que se imobilizou à face da calúnia.

É alguém que lastima a deserção de um consócio da boa luta.

É o operário do bem que clama indefinidamente contra a fuga da companheira que lhe não percebeu a dedicação afetiva.

É o idealista que espera uma fortuna material para dar início às realizações que lhe competem.

É o cooperador que permanece na expectativa do emprego ricamente remunerado para consagrar-se às boas obras.

É a mulher que se enrola no cipoal da queixa contra os familiares incompreensivos.

É o colaborador que se escandaliza com os defeitos do próximo, congelando as possibilidades de servir.

É alguém que deplora um erro cometido, menosprezando as bênçãos do tempo em remorso destrutivo.

O passado, porém, se guarda as virtudes da experiência, nem sempre é o melhor condutor da vida para o futuro.

É imprescindível exumar o coração de todos os envoltórios entorpecentes que, por vezes, nos amortalham a alma.

A contrição, a saudade, a esperança e o escrúpulo são sagrados, mas não devem representar impedimento ao acesso de nosso espírito à Esfera Superior.

Paulo de Tarso, que conhecera terríveis aspectos do combate humano, na intimidade do próprio coração, e que subiu às culminâncias do apostolado com o Cristo, nos oferece roteiro seguro ao aprimoramento.

“Esqueçamos todas as expressões inferiores do dia de ontem e avancemos para os dias iluminados que nos esperam” – eis a essência de seu aviso fraternal à comunidade de Filipos.

Centralizemos nossas energias em Jesus e caminhemos para diante.

Ninguém progride sem renovar-se.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier 

domingo, 16 de abril de 2023

MISSÃO DOS ESPÍRITAS

Erasto, Protetor do Médium - Paris, 1863

4. Não percebeis desde já a formação da tempestade que deve arrebatar o velho mundo e reduzir ao nada a soma das perversidades terrenas? Louvai ao Senhor, vós que colocastes vossa fé na sua soberana justiça e que, novos apóstolos da crença revelada pelas proféticas vozes superiores, ides pregar e ensinar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos à medida que cumpram bem ou mal as suas missões e tenham suportado suas provas terrenas.

Nada de temor! As línguas de fogo estão sobre vossas cabeças.

Verdadeiros adeptos do Espiritismo, vós sois os eleitos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar, em favor da sua divulgação, hábitos, trabalhos, ocupações fúteis. Ide e pregai: os Espíritos elevados estão convosco. Certamente falareis com pessoas que não quererão ouvir a palavra de Deus, pois ela recomenda a renúncia constante. Pregareis o desinteresse aos avarentos, a abstinência aos devassos, a mansidão aos tiranos domésticos e aos opressores. Palavras perdidas? Talvez, mas o que importa! É preciso regar com vosso suor o terreno que deveis semear, pois ele apenas frutificará e produzirá sob os constantes esforços da enxada e do arado evangélicos. Ide e pregai!

Sim, todos vós, homens de boa-fé, que sabeis da vossa pequenez observando os mundos espaciais no Infinito, parti em cruzada contra a injustiça e a maldade. Ide e aniquilai esse culto ao bezerro de ouro, que se expande dia após dia. Ide, Deus vos conduz! Homens simples e ignorantes, vossas línguas se soltarão, e falareis como nenhum orador fala. Ide e pregai, as populações atentas recolherão com alegria vossas palavras de consolação, fraternidade, esperança e paz.

Que importam as ciladas que armarem no vosso caminho! Apenas os lobos caem na armadilha de lobos, pois o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras do sacrifício.

Ide, homens confiantes perante Deus, mais felizes do que São Tomé, que acreditais sem precisar ver e aceitais os fatos da mediunidade até mesmo quando nunca conseguistes obtê-los por vós mesmos. Ide, o Espírito de Deus vos guia!

Marchai, pois, adiante, legião majestosa pela vossa fé! Os grandes batalhões dos incrédulos se desmancharão perante vós como as névoas da manhã aos primeiros raios do sol matinal.

A fé é a virtude que transporta montanhas, disse Jesus. Porém, mais pesadas que as maiores montanhas são as jazidas da impureza e de todos os vícios que dela derivam no coração humano. Parti, com coragem, para remover essas montanhas de maldades das quais as gerações futuras ouvirão referências apenas como lenda, tal como vós conheceis, muito vagamente, os tempos que antecederam à civilização pagã.

Sim, as revoluções morais e filosóficas surgirão em todos os pontos da Terra. Aproxima-se a hora em que a luz divina brilhará sobre os dois mundos.

Ide, pois, levando a palavra divina aos grandes, que a desprezarão; aos sábios, que exigirão provas; aos simples e pequeninos, que a aceitarão, porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação terrena, encontrareis entusiasmo e fé. Eles a receberão alegremente, agradecendo, louvando a Deus a consolação divina que lhes oferecerdes e, baixando a fronte, renderão graças pelas aflições que a Terra lhes reservou.

Arme-se de decisão e coragem a vossa legião! Mãos à obra! O arado está pronto e a terra preparada: Arai!

Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que vos confiou. Mas, cuidado: entre os chamados para o Espiritismo, muitos se desviaram do caminho! Alerta, pois, no vosso caminho, buscai a verdade.

Perguntareis: Se entre os chamados para o Espiritismo, muitos se desviaram, como reconhecer os que se acham no bom caminho?

Responderemos: Podeis reconhecê-los pelo ensino e pela prática dos princípios verdadeiros da caridade; pela consolação que distribuírem aos aflitos; pelo amor que dedicarem ao próximo; pela sua renúncia, pela dedicação ao próximo. Podeis reconhecê-los, finalmente, pela vitória dos seus princípios divinos, porque Deus quer que a sua lei triunfe; os que a seguem são os escolhidos que vencerão.

Os que, porém, falseiam o espírito dessa lei, para satisfazer à sua vaidade e à sua ambição, esses serão destruídos.

SIRVAMOS

“Servindo de boa-vontade, como sendo ao Senhor, e não aos homens.” – Paulo.

(Efésios, 6:7.)

Se legislas, mas não aplicas a Lei segundo os desígnios do Senhor, que considera as necessidades de todos, caminhas entre perigosos abismos, cavados por tuas criações indébitas, sem recolheres os benefícios de tua gloriosa missão na ordem coletiva.

Se administras, mas não observas os interesses do Senhor, na estrada em que te movimentas na posição de mordomo da vida, sofres a ameaça de soterrar o coração em caprichos escuros, sem desfrutares as bênçãos da função que exerces no ministério público.

Se julgas os semelhantes e não te inspiras no Senhor, que conhece todas as particularidades e circunstâncias dos processos em trânsito nos tribunais, vives na probabilidade de cair, espetacularmente, na mesma senda a que se acolhem quantos precipitadamente aprecies, sem retirares, para teu proveito, os dons da sabedoria que a Justiça conserva em tua inteligência.

Se trabalhas na cor ou no mármore, no verbo ou na melodia, sem traduzires em tuas obras a correção, o amor e a luz do Senhor, guardas a tremenda responsabilidade de quem estabelece imagens delituosas para consumo da mente popular, perdendo, em vão, a glória que te enriquece os sentimentos.

Se foste chamado à obediência, na estruturação de utilidades para o mundo, sem o espírito de compreensão com o Senhor, que ajudou as criaturas, amando-as até o sacrifício pessoal, vives entre os fantasmas da indisciplina e do desânimo, sem fixares em ti mesmo a claridade divina do talento que repousa em tuas mãos.

Amigo, a passagem pela Terra é aprendizado sublime.

O trabalho é sempre o instrutor do aperfeiçoamento.

Sirvamos sem prender-nos.

Em todos os lugares do vale humano, há recursos de ação e aprimoramento para quem deseja seguir adiante. Sirvamos, em qualquer parte, de boa-vontade, como sendo ao Senhor e não às criaturas, e o Senhor nos conduzirá para os cimos da vida.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier. 

quinta-feira, 6 de abril de 2023

OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS

Constantino, Espírito Protetor - Bordeaux, 1863

2. O trabalhador da última hora tem direito ao salário, mas é preciso que sua boa vontade permaneça à disposição do senhor que devia empregá-lo, e que o seu atraso não seja fruto de preguiça ou de má vontade. Ele tem direito ao salário, porque, desde o alvorecer, esperava impacientemente aquele que, enfim, o chamaria ao trabalho. Era trabalhador; apenas lhe faltava trabalho.

Mas, se houvesse recusado o trabalho a qualquer hora do dia, se dissesse: “Tenham paciência! O repouso me faz bem; quando a última hora chegar, será o momento de pensar no salário da jornada.

Que me importa um patrão que não conheço nem estimo! Quanto mais tarde, melhor”. Este, meus amigos, não receberia o salário do trabalhador e sim o da preguiça.

E o que será daquele que, ao invés de permanecer ocioso, tiver empregado as horas destinadas ao labor do dia para praticar a delinquência? Que tiver blasfemado contra Deus, derramado o sangue de seus irmãos, lançado a desarmonia nas famílias, arruinado os homens de boa-fé, abusado da inocência e que tiver praticado todas as maldades humanas? O que será dele? Será suficiente dizer na última hora: Senhor, utilizei mal meu tempo; emprega-me, até o fim do dia, para que eu faça, pelo menos, um pouco de minha tarefa, e dá-me o salário do trabalhador de boa vontade? Não, não; o Senhor lhe dirá: Não tenho trabalho para ti no momento; tu desperdiçaste teu tempo; esqueceste o que aprendeste; tu não sabes mais trabalhar na minha vinha. Recomeça, aprendendo, e, quando estiveres mais disposto, virás até mim e abrirei meu vasto campo e, poderás trabalhar a qualquer hora do dia.

Bons espíritas, meus bem-amados, sois os trabalhadores da última hora. Bem orgulhoso seria o que dissesse: Comecei meu trabalho no alvorecer do dia e só o terminarei ao escurecer. Todos vós viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujas correntes arrastais; mas, há quantos séculos o Senhor vos chamava para sua vinha, sem que quisésseis entrar! Eis chegado o momento de receber o salário; empregai bem essa hora que vos resta, e não vos esqueçais nunca de que vossa existência, por mais longa que possa parecer, é apenas um momento muito breve na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade.

Henri Heine - Paris, 1863

3. Jesus empregava a simplicidade dos símbolos. Na sua vigorosa linguagem, os trabalhadores chegados à primeira hora são os profetas, Moisés e todos os iniciadores que marcaram as etapas do progresso, continuadas no decorrer dos séculos pelos apóstolos, pelos mártires, pelos Pais da Igreja, pelos sábios, pelos filósofos e, por fim, pelos espíritas. Estes, que vieram por último, foram anunciados e profetizados desde a vinda do Messias e receberão a mesma recompensa. Que digo eu? Receberão uma recompensa ainda maior. Sendo os últimos a chegar, os espíritas aproveitam dos trabalhos intelectuais de seus antecessores, pois o homem deve herdar do homem, e porque seus trabalhos e seus resultados são coletivos: Deus abençoa a solidariedade.

Muitos daquela época revivem hoje, ou reviverão amanhã, para completar a obra que começaram outrora. Mais de um patriarca, mais de um profeta, mais de um discípulo do Cristo, mais de um propagador da fé cristã se encontram entre vós, porém mais esclarecidos, mais avançados, trabalhando não mais na base e sim na cúpula do edifício; seu salário será proporcional ao mérito do trabalho.

A reencarnação, esse belo dogma, eterniza e certifica a filiação espiritual. O Espírito, chamado para prestar contas de seu mandato terreno, compreende a continuidade da tarefa interrompida, mas sempre retomada; ele vê, sente que apanhou no “ar” o pensamento de seus antecessores; reinicia a luta, amadurecido pela experiência, para avançar mais e mais, e todos, trabalhadores da primeira e da última hora, com os olhos bem abertos sobre a profunda justiça de Deus, não se queixam mais e O adoram.

Este é um dos verdadeiros sentidos desta parábola, cujo ensinamento contém, como todas as que Jesus dirigiu ao povo, o gérmen do futuro, e também, sob todas as formas, e sob todas as imagens, a revelação da magnífica unidade que harmoniza todas as coisas no Universo, da solidariedade que liga todos os seres presentes ao passado e ao futuro.

APASCENTA 

“Apascenta as minhas ovelhas.” – Jesus. (João, 21:17.)

Significativo é o apelo do Divino Pastor ao coração amoroso de Simão Pedro para que lhe continuasse o apostolado.

Observando na Humanidade o seu imenso rebanho, Jesus não recomenda medidas drásticas em favor da disciplina compulsória.

Nem gritos, nem xingamentos.

Nem cadeia, nem forca.

Nem chicote, nem vara.

Nem castigo, nem imposição.

Nem abandono aos infelizes, nem flagelação aos transviados.

Nem lamentação, nem desespero. “Pedro, apascenta as minhas ovelhas!” Isso equivale a dizer:

– Irmão, sustenta os companheiros mais necessitados que tu mesmo.

Não te desanimes perante a rebeldia, nem condenes o erro, do qual a lição benéfica surgirá depois.

Ajuda ao próximo, ao invés de vergastá-lo.

Educa sempre.

Revela-te por trabalhador fiel.

Sê exigente para contigo mesmo e ampara os corações enfermiços e frágeis que te acompanham os passos.

Se plantares o bem, o tempo se incumbirá da germinação, do desenvolvimento, da florescência e da frutificação, no instante oportuno.

Não analises, destruindo.

O inexperiente de hoje pode ser o mentor de amanhã.

Alimenta a “boa parte” do teu irmão e segue para diante. A vida converterá o mal em detritos e o Senhor fará o resto.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier. 

segunda-feira, 3 de abril de 2023

OS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA

1. O reino dos Céus é semelhante a um pai de família que, ao romper do dia, saiu a fim de assalariar trabalhadores para sua vinha; tendo combinado com os trabalhadores que eles teriam uma moeda por sua jornada de trabalho, enviou-os à vinha. Saiu ainda na terceira hora do dia e, tendo visto outros que permaneciam na praça sem nada fazer, lhes disse: Ide também vós outros à minha vinha, e vos darei o que for razoável; e eles para lá se foram. Saiu ainda na sexta e na nona hora do dia, fez a mesma coisa. E saindo na décima primeira hora, encontrou outros que estavam sem nada fazer, aos quais disse: Por que permaneceis aí durante todo o dia sem trabalhar? Foi porque ninguém nos assalariou, disseram. Ele lhes disse: Ide também vós outros para minha vinha.

Chegada a noite, o senhor da vinha disse àquele que tomava conta de seus negócios: Chamai os trabalhadores e pagai-lhes, começando pelos últimos até os primeiros. Aqueles, pois, que vieram para a vinha apenas na décima primeira hora, aproximando-se, receberam uma moeda cada um. Os que foram assalariados primeiro, vindo por sua vez, julgaram que deveriam receber mais, mas não receberam mais que uma moeda cada um; e, ao recebê-la, murmuraram contra o pai de família, dizendo: Os últimos trabalharam apenas uma hora, e pagastes tanto quanto a nós, que suportamos o peso do dia e do calor. Mas, como resposta, disse a um deles: Meu amigo, não cometi injustiça para convosco; não combinamos receberdes uma moeda por vossa jornada? Tomai o que vos pertence e ide; quanto a mim, quero dar a este último tanto quanto dei a vós.

Não me é permitido fazer o que quero? Vosso olho é mau porque sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos. (Mateus, 20:1 a 16.) 

DESTRUIÇÃO E MISÉRIA

“Em seus caminhos há destruição e miséria.”

Paulo. (Romanos, 3:16.)

Quando o discípulo se distancia da confiança no Mestre e se esquiva à ação nas linhas do exemplo que o seu divino apostolado nos legou, preferindo a senda vasta de infidelidade à própria consciência, cava, sem perceber, largos abismos de destruição e miséria por onde passa.

Se cristaliza a mente na ociosidade, elimina o bom ânimo no coração dos trabalhadores que o cercam e estrangula as suas próprias oportunidades de servir.

Se desce ao desfiladeiro da negação, destrói as esperanças tenras no sentimento de quantos se abeiram da fé e tece vasta rede de sombras para si mesmo.

Se transfere a alma para a residência escura do vício, sufoca as virtudes nascentes nos companheiros de jornada e adquire débitos pesados para o futuro.

Se asila o desespero, apaga o tênue clarão da confiança na alma do próximo e chora inutilmente, sob a tormenta de lágrimas destrutivas.

Se busca refúgio na casa fria da tristeza, asfixia o otimismo naqueles que o acompanham e perde a riqueza do tempo, em lamentações improfícuas.

A determinação divina para o aprendiz do Evangelho é seguir adiante, ajudando, compreendendo e servindo a todos.

Estacionar é imobilizar os outros e congelar-se.

Revoltar-se é chicotear os irmãos e ferir-se.

Fugir ao bem é desorientar os semelhantes e aniquilar-se.

Desventurados aqueles que não seguem o Mestre que encontraram, porque conhecer Jesus-Cristo em espírito e viver longe dele será espalhar a destruição, em torno de nossos passos, e conservar a miséria dentro de nós mesmos.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier. 

domingo, 26 de março de 2023

A FÉ DIVINA E A FÉ HUMANA

Um Espírito Protetor - Paris, 1863

12. A fé é o sentimento que nasce com o homem sobre o seu destino futuro. É a consciência que ele tem das suas imensas capacidades, cujo gérmen foi nele depositado, a princípio adormecido, e que lhe cumpre no tempo fazer germinar e crescer por força de sua vontade ativa.

Até o presente, a fé foi apenas compreendida em seu sentido religioso, porque o Cristo a revelou como uma poderosa alavanca, mas apenas viram n'Ele o chefe de uma religião. O Cristo, que realizou milagres verdadeiros, mostrou, por esses mesmos milagres, o quanto pode o homem quando tem fé, ou seja, quando tem a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode se realizar. Os apóstolos, assim como Ele, também não fizeram milagres? E o que eram esses milagres senão efeitos naturais, cuja causa era desconhecida dos homens de então, mas que, hoje, em grande parte se explicam e se compreendem completamente pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo?

A fé é humana ou divina, conforme o homem aplique as suas capacidades em relação às necessidades terrenas ou aos seus anseios celestes e futuros. O homem de muita inteligência, o gênio, que persegue a realização de algum grande empreendimento, triunfa se tem fé, pois sente que pode e deve atingir sua meta, e essa certeza lhe dá uma imensa força. O homem de bem que, acreditando no seu futuro celeste, quer preencher sua vida com nobres e belas ações, tira de sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e, aí então, se realizam os milagres de caridade, de devotamento e de renúncia. Enfim, com a fé, não há tendências más que não possam ser vencidas.

O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé colocada em ação. É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos que antigamente eram qualificados como milagres.

Eu repito: a fé é humana e divina. Se todos os encarnados estivessem cientes da força que trazem em si mesmos e se quisessem pôr sua vontade a serviço desta força, seriam capazes de realizar o que, até agora, chamamos de prodígios, e que não passam de um desenvolvimento dos dons e capacidades humanas.

OBJETIVO DA FÉ

"Alcançando o fim da vossa fé, que é a salvação das vossas almas." - Pedro.

(I PEDRO, 1:9.)

"Qual a finalidade do esforço religioso em minha vida?" Esta é a interrogação que todos os crentes deveriam formular a si mesmos, frequentemente.

O trabalho de autoesclarecimento abriria novos caminhos à visão espiritual.

Raramente se entrega o homem aos exercícios da fé, sem espírito de comercialismo inferior. Comumente, busca-se o templo religioso com a preocupação de ganhar alguma coisa para o dia que passa.

Raciocínios elementares, contudo, conduziriam o pensamento a mais vastas ilações.

Seria a crença tão-somente recurso para facilitar certas operações mecânicas ou rudimentares da vida humana? Os irracionais, porventura, não as realizam sem maior esforço? Nutrir-se, repousar, dilatar a espécie, são característicos dos próprios seres embrionários.

O objetivo da fé constitui realização mais profunda. É a "salvação" a que se reporta a Boa Nova, por excelência. E como Deus não nos criou para a perdição, salvar, segundo o Evangelho, significa elevar, purificar e sublimar, intensificando-se a iluminação do espírito para a Vida Eterna.

Não há vitória da claridade sem expulsão das sombras, nem elevação sem suor da subida.

A fé representa a bússola, a lâmpada acesa a orientar-nos os passos através dos obstáculos; localizá-la em ângulos inferiores do caminho é um engano de consequências desastrosas, porque, muito longe de ser uma alavanca de impulsão para baixo, é asa libertadora a conduzir para cima.

Livro Vinha de Luz – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.

segunda-feira, 20 de março de 2023

A FÉ, MÃE DA ESPERANÇA E DA CARIDADE

José, Espírito Protetor - Bordeaux, 1862

11. A fé, para ser proveitosa, deve ser ativa; não deve ficar adormecida. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus, deve velar atentamente pelo desenvolvimento de suas próprias filhas.

A esperança e a caridade são resultantes da fé; essas três virtudes formam uma trindade inseparável. Não é a fé que dá a esperança de se ver cumprirem as promessas do Senhor? Pois, se não tendes fé, o que esperais? Não é a fé que dá o amor? Se não tendes fé, que amor tereis, e que amor será esse?

A fé, inspiração divina, desperta todos os nobres sentimentos que conduzem o homem para o bem e é a base da sua renovação. É preciso que esta base seja forte e durável, pois, se a menor dúvida vier abalá-la, que será do edifício que construístes sobre ela? Construí, portanto, esse edifício sobre sólidas fundações; que vossa fé seja mais forte que as fórmulas enganosas e as zombarias dos incrédulos, pois a fé que não encara a zombaria dos homens não é a verdadeira fé.

A fé sincera é atraente e contagiante; comunica-se àqueles que não a têm ou, até mesmo, não fariam questão de tê-la. Encontra palavras convenientes que chegam até a alma, enquanto a fé aparente usa palavras sonoras que apenas produzem o frio e a indiferença. Pregai pelo exemplo de vossa fé para transmiti-la aos homens; pregai pelo exemplo de vossas obras, para que vejam o mérito da fé; pregai pela vossa esperança inabalável, para que vejam a confiança que fortifica e, até mesmo, estimula a enfrentar todas as contrariedades da vida.

Tende fé com o que ela tem de belo e de bom, em sua pureza e em sua racionalidade. Não vos conformeis em aceitar a fé sem comprovação, filha cega da cegueira. Amai a Deus, mas sabei por que O amais. Acreditai em suas promessas, mas sabei por que crê nelas. Segui nossos conselhos, mas conscientes do objetivo que vos mostramos e dos meios que indicamos para o atingir. Acreditai e esperai sem nunca fraquejar: os milagres são obras da fé.

VARONILMENTE 

“Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede

fortes.” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 16:13.)

Vigiai na luta comum.

Permanecei firmes na fé, ante a tempestade.

Portai-vos varonilmente em todos os lances difíceis.

Sede fortes na dor, para guardar-lhe a lição de luz.

Reveste-se o conselho de Paulo aos Coríntios, ainda hoje, de surpreendente oportunidade.

Para conquistarmos os valores substanciais da redenção, é imprescindível conservar a fortaleza de ânimo de quem confia no Senhor e em si mesmo.

Não vale a chuva de lágrimas despropositadas, ante a falta cometida.

Arrependermo-nos de qualquer gesto maligno é dever, mas pranteá-lo indefinidamente é roubar tempo ao serviço de retificação.

Certo, o mal deliberado é um crime, todavia, o erro impensado é ensinamento valioso, sempre que o homem se inclina aos desígnios do Senhor.

Sem resistência moral, no turbilhão de conflitos purificadores, o coração mais nobre se despedaça.

Não nos cabe, portanto, repousar no serviço de elevação.

É natural que venhamos a tropeçar muitas vezes.

É compreensível que nos firamos frequentemente nos espinhos da senda.

Lastimável, contudo, será a nossa situação toda vez que exigirmos rede macia de consolações indébitas, interrompendo a marcha para o Alto.

O cristão não é aprendiz de repouso falso. Discípulo de um Mestre que serviu sem acepção de pessoas até à cruz, compete-lhe trabalhar na sementeira e na seara do Infinito Bem, vigiando, ajudando e agindo varonilmente.

Livro Fonte Viva – Espírito Emmanuel – Médium Chico Xavier.