domingo, 21 de julho de 2019

NECESSIDADE DA CARIDADE SEGUNDO SÃO PAULO


6. Ainda que eu fale as línguas dos homens e até mesmo a língua dos anjos, se não tiver caridade, sou apenas como um metal que soa e um sino que tine; e ainda que tivesse o dom de profecia, e penetrasse em todos os mistérios, e tivesse uma perfeita ciência de todas as coisas; e se tivesse toda a fé possível, capaz de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada serei. E quando tivesse distribuído meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, tudo isso de nada me servirá.
A caridade é paciente, é doce e benigna; a caridade não é invejosa, não é temerária e precipitada; não se enche de orgulho, não é desdenhosa; não procura seus próprios interesses; não se vangloria e não se irrita com nada; não suspeita mal, não se alegra com a injustiça, e sim com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera e tudo sofre.
Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas entre elas, a mais excelente é a caridade. (Paulo, 1ª. Epístola aos Coríntios, 13:1 a 7, 13.)
7. O apóstolo Paulo compreendeu tão claramente esta grande verdade que disse: Ainda que eu tivesse a linguagem dos anjos; e ainda que tivesse o dom de profecia, e penetrasse em todos os mistérios; e ainda que tivesse toda fé possível capaz de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada serei. Destas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade. Coloca assim, com clareza, a caridade até mesmo acima da fé, porque a caridade está ao alcance de todos: do inculto, do sábio, do rico e do pobre, e é independente de toda crença particular. E faz mais: define a verdadeira caridade; mostra-a não apenas na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo.

DIANTE DO BEM

Diante de cada dia que surge, reflitamos na edificação do bem a que somos chamados.
Para isso, comecemos abençoando pessoas e acontecimentos, circunstâncias e coisas, para que o melhor se realize.
De principio costumam reportar no cotidiano os problemas triviais do instituto doméstico. Habilmente aparece o assunto palpitante da hora, solicitando-nos atenção. Saibamos subtrair-lhe a sombra provável projetando nele a réstia de luz que sejamos capazes de improvisar. Logo após, de imediato, estamos quase sempre defrontados pelos contratempos de ordem familiar.
Renteando com eles, usemos o verbo calmante e conciliador para que as engrenagens do lar funcionem lubrificadas em bálsamos de harmonia.
Mais adiante é o grupo de trabalho com os pontos fracos à mostra.
Abracemos com paciência e alegria as tarefas excedentes que nos imponha, esquecendo essas ou àquelas falhas dos companheiros e trazendo a nós sem queixa ou censura a obrigação que ficou por fazer. Em seguida é o campo vasto das relações, com as surpresas menos felizes que sobrevenham: o amigo modificado, a trama da incompreensão, a atitude mal interpretada, o irmão que se vai para longe de nós...
A cada ocorrência menos agradável procuremos responder com os nossos mais altos recursos de entendimento, justificando o amigo que se transforma, desfazendo sem mágoa o emaranhado das trevas, removendo equívocos em pauta e apoiando o colega que se afasta, oferecendo-lhe a íntima certeza com referência à continuidade de nossa estima. Tudo que existe é peça da vida, e se aqui ou além, a deficiência aparece, isso significa que a obra do bem, nessa ou naquela peça da vida está pedindo a nossa colaboração a fim de que lhe doemos o pedaço do bem, que por ventura ainda lhe falte.

Livro Mãos Unidas – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

O MAIOR MANDAMENTO


4. Mas os fariseus, ao verem que Jesus tinha feito calar a boca dos saduceus, reuniram-se, e um deles, que era doutor da lei, veio fazer essa pergunta para tentá-Lo: Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Jesus lhe respondeu: Amareis ao Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma, e de todo o vosso Espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que lhe é semelhante: Amareis ao vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos. (Mateus, 22:34 a 40)
5. Caridade e humildade, eis portanto o único caminho para a salvação; egoísmo e orgulho, eis o caminho da perdição. Este ensinamento está formulado em termos precisos nestas palavras: Amareis a Deus de toda vossa alma e ao vosso próximo como a vós mesmos; toda lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos.
Jesus, para que não houvesse dúvidas na interpretação do amor a Deus e ao próximo, acrescentou: E eis o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro, isto é: não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar ao próximo, nem amar ao próximo sem amar a Deus.
Portanto, tudo o que se faz contra o próximo, é o mesmo que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos neste ensinamento moral: Fora da caridade não há salvação.

A ESMOLA MAIOR

"Amados, amemo-nos uns aos outros, porque a caridade é de Deus”.
JOÃO. (I João, 4:7.).

No estudo da caridade, não olvides a esmola maior que o dinheiro não consegue realizar.
Ela é o próprio coração a derramar-se, irradiando o amor por sol envolvente da vida.
No lar, ela surge no sacrifício silencioso da mulher que sabe exercer o perdão sem alarde para com as faltas do companheiro; na renúncia materno do coração que se oculta, aprendendo a morrer cada dia, para que a paz e a segurança imperem no santuário doméstico; no homem reto que desculpa as defecções da esposa enganada sem cobrar-lhe tributos de aflição; nos filhos laboriosos e afáveis que procuram retribuir em ternura incessante para com os pais sofredores as dívidas do berço que todo ouro da terra não conseguiria jamais resgatar.
No ambiente profissional é o esquecimento espontâneo das ofensas entre os que dirigem e os que obedecem, tanto quanto o concurso desinteressado e fraterno dos companheiros que sabem sorrir nas horas graves ofertando cooperação e bondade para que o estímulo ao bem seja o clima de quantos lhes comungam a experiência.
No campo social é a desistência da pergunta maliciosa; a abstenção dos pensamentos indignos; o respeito sincero e constante; a frase amiga e generosa; e o gesto de compreensão que se exprime sem paga.
Na via pública é a gentileza que ninguém pede; a simplicidade que não magoa; a saudação de simpatia ainda mesmo inarticulada e a colaboração imprevista que o necessitado espera de nós muita vez sem coragem de endereçar-nos qualquer apelo.
Acima de tudo, lembra-te da esmola maior de todas, da esmola santa que pacifica o ambiente em que o Senhor situa, que nos honra os familiares e enriquece de bênçãos o ânimo dos amigos, a esmola de nosso dever cumprido, porquanto, no dia em que todos nos consagrarmos ao fiel desempenho das próprias obrigações o anjo da caridade não precisará desfalecer de angústia nos cárceres das provações terrenas, de vez que a fraternidade estará reinando conosco na exaltação da perfeita alegria.

Livro Ceifa de Luz – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

O QUE É PRECISO PARA SER SALVO. PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO


1. Portanto, quando o Filho do homem vier em sua majestade acompanhado de todos os anjos, se sentará sobre o trono de sua glória; e, todas as nações estando reunidas perante ele, separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas dos cabritos, e colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
Então o Rei dirá àqueles que estiverem à sua direita: Vinde, vós que fostes abençoados por meu Pai, possuí o reino que vos foi preparado desde o início do mundo; pois tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; tive necessidade de abrigo e me abrigastes; estive nu e me vestistes; estive doente e fostes me visitar; estive na prisão e viestes me ver.
Então os justos perguntarão: Senhor, quando vos vimos faminto e vos demos de comer, ou que tivestes sede e vos demos de beber? Quando vos vimos sem abrigo e vos abrigamos e sem roupas e vos vestimos? E quando vos vimos doente ou na prisão e que fomos vos visitar? E o Rei responderá a eles: Eu vos digo em verdade que, todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. Ele dirá em seguida àqueles que estiverem à sua esquerda: Separai-vos de mim, malditos; ide ao fogo eterno, que foi preparado para o diabo e para seus anjos; pois tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; tive necessidade de abrigo e não me abrigastes; estive sem roupas e não me vestistes; estive doente e na prisão e não me visitastes.
Então, eles assim responderão: Senhor, quando vos vimos ter fome, ter sede, ou estar sem abrigo, sem roupas, ou doente ou na prisão, e que não vos assistimos? Mas ele responderá: Eu vos digo em verdade que, todas as vezes que deixastes de dar assistência a um desses pequeninos, deixastes de fazê-lo a mim mesmo.
E então estes irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (Mateus, 25:31 a 46)
2. Então um doutor da lei, se levantando, disse-Lhe para tentá-Lo: Mestre, o que devo fazer para possuir a vida eterna? Jesus lhe respondeu: O que está escrito na lei? Como lês? Ele Lhe respondeu: Amareis ao Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda  a vossa alma, de todas as vossas forças e de todo o vosso Espírito, e vosso próximo como a vós mesmos. Jesus lhe disse: Respondestes muito bem; fazei isso e vivereis.
Mas este homem, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é meu próximo? E Jesus, tomando a palavra, lhe disse: Um homem que descia de Jerusalém a Jericó caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram, cobriram-no de feridas e deixaram-no meio morto. E eis que de repente um sacerdote passava pelo mesmo caminho e que, tendo-o notado, passou bem longe. Um levita, que também vinha pelo mesmo lugar, vendo-o, também passou longe. Mas um samaritano que viajava, passando pelo lugar onde estava esse homem, e tendo-o visto, ficou tomado por compaixão. Aproximou-se então dele, passou azeite e vinho em suas feridas, e as enfaixou; e, pondo-o sobre seu cavalo, levou-o a uma estalagem e tomou conta dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, que deu ao hospedeiro, e lhe disse: Cuidai bem deste homem, e tudo o que gastardes a mais, eu vos restituirei em minha volta.
Qual destes três vos parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? O doutor Lhe respondeu: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Ide, pois, lhe disse Jesus, e fazei o mesmo. (Lucas, 10:25 a 37)
3. Toda moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra estas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna: Bem-aventurados – disse Ele – os pobres de espírito, ou seja, os humildes, pois é deles o reino dos Céus; bem aventurados aqueles que têm o coração puro; bem-aventurados aqueles que são mansos e pacíficos; bem-aventurados aqueles que são misericordiosos; amai ao vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que gostaríeis que vos fizessem; amai aos vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; fazei o bem com discrição; julgai a vós mesmos antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis o que Ele não cessa de recomendar e exemplificar. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E faz mais do que recomendar a caridade, coloca-a claramente, e em termos bem definidos, como a condição absoluta da felicidade futura.
No quadro em que Jesus nos mostra o julgamento final é preciso, como em muitas outras coisas, separar o que pertence à linguagem figurada, à alegoria. A homens como estes a quem falava, ainda incapazes de compreender as questões puramente espirituais, devia apresentar imagens materiais chocantes, surpreendentes e capazes de impressionar; para melhor serem aceitas, devia mesmo não se afastar das ideias do seu tempo, quanto à forma, reservando sempre para o futuro a verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma ideia dominante: a da felicidade reservada ao justo e a da infelicidade que espera o mau.
Naquele julgamento supremo, quais são as razões em que se baseia a sentença? No que se baseia o inquérito? O juiz pergunta se foram atendidas estas ou aquelas formalidades, observadas estas ou aquelas práticas exteriores? Não, ele pergunta apenas sobre uma coisa – a prática da caridade – e se pronuncia dizendo: “Vós, que socorrestes vossos irmãos, passai à direita; vós, que fostes duros para com eles, passai à esquerda”. Indaga pela ortodoxia da fé? Faz diferença entre aquele que crê de uma maneira e o que crê de outra? Não; pois Jesus coloca o samaritano, tido como herético, mas que tem amor ao próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Jesus não põe a caridade apenas como uma das condições da salvação e, sim, a condição única. Se houvesse outras a serem consideradas, Ele as teria mencionado. Se coloca a caridade como a primeira das virtudes, é que dela fazem parte, necessariamente, todas as outras: a humildade, a doçura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc.; e porque ela é totalmente oposta ao orgulho e ao egoísmo.

EXAMINA-TE

“Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade.” -
Paulo. (FILIPENSES, capítulo 2, versículo 3.)

O serviço de Jesus é infinito. Na sua órbita, há lugar para todas as criaturas e para todas as ideias sadias em sua expressão substancial.
Se, na ordem divina, cada árvore produz segundo a sua espécie, no trabalho cristão, cada discípulo contribuirá conforme sua posição evolutiva.
A experiência humana não é uma estação de prazer. O homem permanece em função de aprendizado e, nessa tarefa, é razoável que saiba valorizar a oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.
O apóstolo Paulo compreendeu essa verdade, afirmando que nada deveremos fazer por espírito de contenda e vanglória, mas, sim, por ato de humildade.
Quando praticares alguma ação que ultrapasse o quadro das obrigações diárias, examina os móveis que a determinaram. Se resultou do desejo injusto de supremacia, se obedeceu somente à disputa desnecessária, cuida de teu coração para que o caminho te seja menos ingrato. Mas se atendeste ao dever, ainda que hajas sido interpretado como rigorista e exigente, incompreensivo e infiel, recebe as observações indébitas e passa adiante.
Continua trabalhando em teu ministério, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem contendas e vanglórias, Jesus foi tido por imprudente e rebelde, traidor da lei e inimigo do povo, recebendo com a cruz a coroa gloriosa.

Livro Caminho, Verdade e Vida – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.

domingo, 30 de junho de 2019

A INGRATIDÃO DOS FILHOS E OS LAÇOS DE FAMÍLIA


Santo Agostinho - Paris, 1862
9. A ingratidão é um dos frutos imediatos do egoísmo; revolta sempre os corações honestos; mas a dos filhos em relação aos pais tem um caráter ainda mais revoltante. É particularmente sob esse ponto de vista que vamos considerá-la para analisar-lhe as causas e os efeitos.
Também nesta questão, como em tantas outras, o Espiritismo vem lançar luz sobre um dos problemas do coração humano.
Quando o Espírito deixa a Terra leva consigo as paixões ou as virtudes de sua natureza e vai para o Espaço se aperfeiçoar, ou permanece estacionário até que deseje esclarecer-se. Alguns partiram cheios de ódios violentos e desejos de vingança insatisfeitos. Mas, pela compreensão que alguns têm, por estarem mais avançados que os outros, conseguem distinguir algo da verdade e, compreendendo os desastrosos efeitos de suas paixões, tomam então boas resoluções, reconhecendo que, para chegar até Deus, há somente um caminho: a caridade. Acontece que não há caridade sem o esquecimento das ofensas e das injúrias; não há caridade com ódio no coração e não há caridade sem perdão.
Então, com um grande esforço, observam aqueles que odiaram na Terra. Ao vê-los, o rancor é intenso. A ideia de terem de esquecer de si mesmos lhes revolta e revoltam-se ainda mais ao saber que têm que perdoar e, principalmente, amar aos que talvez lhes tenham destruído a honra, a fortuna e a própria família. Assim é que o coração desses infortunados está abalado; hesitam, vacilam, movidos por esses sentimentos opostos. Se a boa resolução triunfa, oram a Deus, imploram aos bons Espíritos para lhes dar forças no momento mais decisivo da prova.
Enfim, após alguns anos de meditações e preces, o Espírito aproveita de um corpo que está em preparo e encarna na família daquele a quem detestou, pede aos Espíritos encarregados de transmitir as ordens superiores permissão para realizar na Terra os destinos desse corpo que acaba de se formar. Qual será então a sua conduta nessa família? Dependerá da maior ou menor persistência de suas boas resoluções. O contato incessante com os seres a quem odiou é uma prova terrível sob a qual ele, às vezes, fracassa, se a sua vontade não for bastante forte. Desta forma, de acordo com a boa ou má resolução que tomar, será amigo ou inimigo daqueles no meio dos quais terá que viver. Assim se explicam ódios, repulsas instintivas, que se notam em algumas crianças, e que nenhum ato anterior parece justificar; nada, de fato, nessa nova existência pôde provocar essa antipatia. Para compreendê-la, é necessário voltar os olhos ao passado.
Espíritas! Compreendei o grande papel da Humanidade, compreendei que, quando se gera um corpo, a alma que nele reencarna vem do Espaço para progredir. Cumpri vossos deveres e colocai todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus: esta é a missão que vos está confiada e recebereis a recompensa se a cumprirdes fielmente. Vossos cuidados, a educação que lhe dareis, ajudarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. Lembrai-vos de que, a cada pai e a cada mãe, Deus perguntará: “Que fizestes do filho confiado à vossa guarda?” Se permaneceu atrasado por vossa culpa, vosso castigo será vê-lo entre os Espíritos sofredores, quando dependia de vós a sua felicidade. Então, vós mesmos, atormentados pelo remorso, pedireis para reparar essa falta; solicitareis uma nova encarnação para vós e para ele na qual o rodeareis de melhores cuidados, e ele, cheio de reconhecimento, vos retribuirá com o seu amor.
Não rejeiteis, portanto, o filho que no berço repele a mãe, nem aquele que vos paga com ingratidão; não foi o acaso que o fez assim e nem a sorte o enviou para vós. Uma intuição imperfeita do passado se revela e disso podeis deduzir que um ou outro já odiou muito, ou foi muito ofendido; que um ou outro veio para perdoar, ser perdoado ou expiar. Mães! Abraçai o filho que vos causa desgosto e dizei a vós mesmas: um de nós é culpado. Fazei por merecer os prazeres que Deus concede à maternidade, ensinando a vossos filhos que eles estão na Terra para se aperfeiçoar, amar e abençoar, porém, muitas dentre vós, ao invés de tirar pela educação os maus princípios inatos, de existências anteriores, mantêm e desenvolvem esses mesmos princípios por culpa da fraqueza com que agem ou por despreocupação, e, mais tarde, vosso coração, amargurado pela ingratidão dos filhos, será para vós, já nesta vida, o começo da vossa expiação.
A tarefa não é tão difícil quanto poderíeis pensar; ela não exige o saber do mundo; tanto o inculto quanto o sábio podem cumpri-la, e o Espiritismo vem facilitá-la, fazendo-nos conhecer a causa das imperfeições da alma humana.
Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz da sua existência anterior; é preciso aplicar-se em estuda-los; todos os males têm origem no egoísmo e no orgulho; analisai, portanto, os menores sinais que revelem o gérmen desses vícios, e empenhai-vos em combatê-los sem esperar que criem raízes profundas; fazei como o bom jardineiro, que corta os brotos daninhos à medida que os vê nascer na árvore. Se deixardes desenvolver o egoísmo e o orgulho, não vos espanteis de serdes mais tarde pagos com ingratidão. Quando os pais fizeram tudo o que deviam para o adiantamento moral dos filhos, e, apesar de tudo, não alcançaram êxito, sua consciência poderá ficar tranquila, e é natural o desgosto que sintam por verem fracassados todos os esforços feitos. Deus lhes reserva uma grande, uma imensa consolação, na certeza de que isso é apenas um atraso, e que lhes será permitido terminar, em uma outra existência, a obra começada nesta, e que um dia o filho ingrato os recompensará com seu amor.
Deus não submete a provas aquele que não as pode suportar, apenas permite as que podem ser cumpridas. Se fracassamos, não é por falta de condições, mas por falta de vontade, pois quantos há que, ao invés de resistir aos maus procedimentos, neles se satisfazem e é a estes que estão reservados os choros e os gemidos em suas existências posteriores. Admirai, no entanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Chegará o dia em que ao culpado, cansado de sofrer, com o orgulho por fim abatido, Deus abre seus braços paternais ao filho pródigo, que se lança a seus pés. As grandes provas, entendei-me bem, são quase sempre o sinal de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando são aceitas por amor a Deus. Para o Espírito, é um momento supremo, e é aí que importa não se lamentar, se não quiser perder o fruto da prova e ter de recomeçar. Ao invés de lamentardes, agradecei a Deus, que vos oferece a ocasião de vencer para vos dar o prêmio da vitória. Então, quando sairdes do turbilhão da vida terrena e entrardes no mundo dos Espíritos, sereis lá aclamados como o soldado que sai vitorioso da batalha.
De todas as provas, as mais difíceis são aquelas que afetam o coração; há os que suportam com coragem a miséria e as privações materiais, mas abatem-se sob o peso dos desgostos domésticos, esmagados pela ingratidão dos seus. Que angústia terrível! Mas o que pode, nessas situações, reerguer a coragem moral senão o conhecimento das causas do mal e a certeza de que, se há longas discórdias, não há desesperos eternos, porque Deus não quer que a sua criatura sofra para sempre. O que há de mais consolador e mais encorajador do que o pensamento de que depende só de si mesmo, de seus próprios esforços, abreviar seu sofrimento, destruindo em si as causas do mal? Mas, para isso, não se deve estacionar o olhar na Terra e ver apenas uma existência; é preciso elevar-se, planar no infinito do passado e do futuro. Então, a grande justiça de Deus se revelará aos vossos olhos e encarareis a vida com paciência, pois tereis a explicação do que vos parecia como monstruosidades na Terra, e as feridas que recebestes apenas vos parecerão arranhões. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família aparecem no seu verdadeiro sentido; já não são mais os frágeis laços da matéria que reúnem os seus membros, mas sim os laços duráveis do Espírito, que se perpetuam e se consolidam ao se purificarem, ao invés de se destruírem pelo efeito da reencarnação.
Os Espíritos reúnem-se e formam famílias, induzidos pela identidade de progresso moral, semelhança de gostos e de afeições. Esses mesmos Espíritos, nas suas migrações terrenas, procuram-se para se agrupar, como o faziam no espaço, originando-se as famílias unidas e homogêneas. Se, nas suas peregrinações, ficarem temporariamente separados, mais tarde eles se reencontram, felizes com seu novo progresso. Entretanto, como não devem trabalhar apenas para si mesmos, Deus permite que Espíritos menos avançados venham encarnar entre eles a fim de receberem conselhos e bons exemplos para progredirem. Causam, por vezes, perturbações no ambiente, mas é aí que está a prova a executar. Recebei-os como irmãos; ajudai-os e, mais tarde, no mundo dos Espíritos, a família se alegrará por ter salvo alguns náufragos, que, por sua vez, poderão salvar outros.

CONVITE AO AMOR

“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros.”
(João: capítulo 13º, versículo 34.)

O amor é o estágio mais elevado do sentimento.
O homem somente atinge a plenitude quando ama. Enquanto anseia e busca ser amado, foge à responsabilidade de amar e padece infância emocional.
No contexto social da atualidade hodierna, todavia, a expressão amor sofre a desvalorização do seu significado para experimentar a decomposição do tormento sexual, que não passa de instinto em desgoverno.
Sem dúvida, o sexo amparado pelo amor caracteriza a superioridade do ser, facultando-lhe harmonia íntima e perfeito intercâmbio de vibrações e hormônios a benefício da existência.
Sexo sem amor, porém, representa regressão da inteligência às formas primeiras do desejo infrene, com o comprometimento das aspirações elevadas em detrimento de si mesmo e dos outros.
Por essa razão, vige em todos os departamentos do Cosmo a mensagem do amor.
Na perfeita identificação das almas o amor produz a bênção da felicidade em regime de paz.
Nem sempre, porém, se encontrará no ser amado a recíproca.
Importa, o que é essencial, amar, sem solicitação.
De todos os construtores do pensamento universal, o amor recebeu a contribuição valiosa de urgência. Isto, porque Deus, Nosso Pai, é a mais alta manifestação do amor.
E Jesus, padronizando as necessidades humanas quanto solucionando-as, sintetizou-as no amor, como única diretriz segura por meio da qual se pode lograr a meta que todos perseguimos nas sucessivas existências.
* * *
Se, todavia, sentes aridez íntima e sombras carregadas de desencantos obnubilam as tuas aspirações, inicia o exercício do amor, entre os que sofrem, através da gentileza, passando do estágio da amizade. Descobrirás, depois, a realidade do amor em blandícia de tranquilidade no país do teu espírito.
Se por acaso o céu dos teus sorrisos está com as estrelas da alegria apagadas, ama, assim mesmo, e clarificarás outros corações que jazem em noites mais sombrias, percebendo que todo aquele que irradia luz e calor aquece-se e ilumina-se, permanecendo feliz em qualquer circunstância.
Haja, pois, o que haja, ama.
Em plena cruz, não obstante o desprezo e a traição, o azorrague e a dor total, Jesus prosseguiu amando e até hoje, fiel ao postulado que elaborou como base do Seu ministério, continua amando-nos sem cansaço.

Livro Convites da Vida – Médium Divaldo Franco – Espírito Joanna de Ângelis.

domingo, 23 de junho de 2019

PARENTESCO CORPORAL E PARENTESCO ESPIRITUAL


8. Os laços de sangue não determinam necessariamente os laços espirituais. O corpo gera o corpo, porém o Espírito não é gerado pelo Espírito, porque já existia antes da gestação do corpo. Não foram os pais que geraram o Espírito de seu filho, eles apenas forneceram-lhe um corpo carnal. Além disso, devem ajudá-lo no seu desenvolvimento intelectual e moral para fazê-lo progredir.
Os Espíritos que encarnam numa mesma família, principalmente como parentes próximos, são quase sempre ligados por laços de simpatia, unidos por relações anteriores, que são demonstrados na afeição mútua durante a vida terrena. Pode acontecer, também, que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns aos outros, separados por antipatias igualmente anteriores, que se manifestam por suas aversões na Terra, e elas servirão de provação entre eles. Portanto, os verdadeiros laços de família não são os da consanguinidade, mas sim os da simpatia e da afinidade de pensamentos que unem os Espíritos antes, durante e depois da encarnação. É assim que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito do que se o fossem pelo sangue. Eles se querem, se procuram, sentem prazer em estar juntos, enquanto dois irmãos consanguíneos podem repelir-se, como, aliás, se vê todos os dias, questão que só o Espiritismo pode explicar pela pluralidade das existências.
Há, portanto, duas espécies de famílias: as famílias por laços espirituais e as famílias por laços corporais. As primeiras, duráveis, se fortificam pela purificação e prosseguirão no mundo dos Espíritos, por meio das muitas migrações da alma; as segundas, frágeis como a própria matéria, acabam com o tempo e, muitas vezes, se desfazem moralmente já na existência atual. Foi isto o que Jesus quis ensinar naquele momento dizendo aos seus discípulos: Eis minha mãe e meus irmãos, ou seja, minha família pelos laços do Espírito, pois quem quer que faça a vontade de meu Pai que está nos Céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
A hostilidade de seus irmãos está claramente expressa no relato de São Marcos, que diz terem eles a intenção de prender Jesus sob o pretexto de que estava fora de si. Jesus, informado da chegada de seus parentes e sabedor do que pensavam a seu respeito, aproveita a oportunidade para transmitir aos seus discípulos o ensinamento sobre o ponto de vista da família espiritual: Eis meus verdadeiros irmãos, e, como sua mãe se achava entre eles, generaliza o ensinamento.
Não devemos de nenhuma forma entender, entretanto, que sua mãe, segundo o corpo, não Lhe era nada como Espírito, ou que tinha por ela indiferença; sua conduta, em outras ocasiões, comprova suficientemente o contrário.

PROVAS E EXPIAÇÕES NO LAR

Sendo o planeta terrestre um mundo ainda relativamente primitivo de provas e expiações, é natural que, na maioria dos grupamentos familiares, apresentem-se os sofrimentos de vária ordem, convidando a reflexões e ao trabalho de iluminação interior.
Como a reencarnação tem por finalidade o desenvolvimento dos valores que dormem inatos no espírito, os equívocos e as mazelas que o acompanham como resultado das experiências infelizes do passado, apresentam-se como necessitados de retificação, expressando-se em forma de sofrimentos os mais diversos.
Podem manifestar-se em caráter expiatório, através dos processos mais graves das enfermidades degenerativas, na surdez, na cegueira, na mudez, na paralisia, nos distúrbios mentais irreversíveis, ou em forma de provações de que se fazem instrumento as doenças infecto-contagiosas, os acidentes, as dores morais, os distúrbios psicológicos, os transtornos de conduta, a solidão, os conflitos...
São poucas as famílias, nas quais a dor não se apresenta convidando ao amadurecimento espiritual e à compreensão mais profunda a respeito da superior finalidade existencial.
Muitas pessoas supõem que a existência terrestre é uma encantadora viagem ao país da ilusão, uma experiência enriquecida somente de prazeres e de gozos, sem recordar-se da sua transitoriedade, dos fenômenos que a todos se apresentam, diluindo as fantasias e convocando à realidade.
Desse modo, o sofrimento é o amigo silencioso que se infiltra no espírito, a fim de que o mesmo se eduque ou se reeduque, desenvolvendo-lhe os latentes sentimentos do amor, da compaixão e da caridade, a fim de enriquecer-se dos tesouros inalienáveis que conduzirá após o decesso tumular. São esses recursos que constituem propriedade real, porque acompanham aqueles que os possuem, enquanto todos os outros ficam transformados em lembranças na memória de quem os utilizou, passando de mãos na Terra.
Constitui, portanto, dever dos pais, o esclarecimento aos filhos sobre as vicissitudes do caminho evolutivo.
As conversações edificantes em torno da Divina Justiça, dos compromissos morais que são assumidos pelos que se encontram reencarnados, as provas e os testemunhos que todos experimentam, são de alta significação moral e espiritual para a saudável formação da personalidade da prole.
Demonstrar que essas ocorrências são perfeitamente normais, nunca se tratando de punições estabelecidas por Deus, que se comprazeria em ver sofrer aqueles que se encontram desequipados de valores para os procedimentos corretos, é dever inadiável.
Quando, por acaso, na constelação familiar exista algum exemplo de expiação, deve-se torná-lo preciosa lição de vida, não apenas para o padecente, mas para todos os membros, que se deverão unir, a fim de atenuar os sofrimentos daquele que se encontra necessitado de ajuda. Essa providência desenvolve em todos a coragem e o respeito à vida, eliminando temores e diluindo ilusões em torno da matéria, principalmente quanto à sua fragilidade.
Tal comportamento serve de lição viva para aqueles que fazem parte da família, compreendendo que, a avezita tombada do ninho pelo infortúnio aparente, encontra-se no hospital da solidariedade, no qual receberá apoio e compreensão, a fim de recuperar-se da melhor maneira possível, para os futuros vôos que deverá alçar...
Não foi uma injunção casual que trouxe o ser amado com limites, tornando-o encarcerado numa prisão sem grades, mas acontecimentos que tiveram lugar em tempo próximo ou remoto, no qual os atuais familiares desempenharam papel importante. Ninguém renasce num grupo consangüíneo, em situação penosa, sem que existam razões preponderantes para o cometimento libertador.
Esse, que ora jaz no leito, em processo depurativo, liderou cometimentos infelizes, havendo atraído para a ação nefasta, essoutros que agora o recebem e devem auxiliá-lo na libertação.
Tudo se enquadra com perfeição nos processos iluminativos através das aflições.
Ninguém, portanto, que experimente qualquer tipo de dor sem uma causa anterior que o explique, que o justifique.
O lar, desse modo, é o santuário de união, no qual se retificam situações penosas e ações odientas.
Aquele familiar que, de certa forma, inspira animosidade, que se faz perverso, agressivo, em relação aos demais membros, solicita, sem o pedir, compaixão e misericórdia, por cuja aplicação os seus sentimentos doentios são minorados pelas vibrações emitidas pelos demais membros do clã. Ao invés da revolta e do desejo de desforço, que muitas vezes despertam nos demais, a caridade deve ser a reação, como bálsamo para quem a oferece e bênção em favor daquele a quem é dirigida.
Não poucas vezes, sob expiações as famílias desagregam-se, quando mais deveriam estruturar-se, em face da ignorância espiritual que representam essas ocorrências, que dão lugar a ódios e lutas penosas entre os seus membros.
Sob outro aspecto, à medida que as provações ocorrem em muitos lares, a revolta se aninha nos corações e o desapontamento invade o pensamento daqueles que as experimentam, quando deveriam meditar em torno do fato, procurando entender-lhe a razão, para melhor enfrentar a situação perturbadora.
A família é reduto de trabalho coletivo, no qual todos têm o dever de ajudar-se. Quem se encontra melhor informado, mais facilidade dispõe para contribuir em favor do esclarecimento daquele que ignora.
O lar, nem sempre se apresenta como um reino de júbilos, mas quase sempre como um campo de batalha no qual espíritos litigantes, adversários de"ontem ou amantes frustrados do passado, reencontram-se para as transformações emocionais que se fazem necessárias sob a inspiração do amor.
Filhos ingratos e calcetas são antigas vítimas do desequilíbrio dos pais atuais, que os recebem, a fim de santificarem o relacionamento pela paciência e pela afabilidade, compreendendo-lhes as ofensas e as rebeldias em que se comprazem. Isto, porém, não justifica que os mesmos sejam cobradores impenitentes, porque não estão isentos também de culpa e de gravames.
É por isso que a lei da caridade deve viger em todas as situações difíceis.
Quando não se sabe como agir em relação aos graves desafios do ódio e da agressão, que se pergunte à caridade qual o melhor procedimento a aplicar.
Com essa disposição, a família consegue desempenhar o papel de lar, de escola, de oficina, de hospital, de santuário, onde os espíritos se recuperam, aprimorando o caráter e fortalecendo as energias para cometimentos ainda mais severos no futuro.
A conscientização dos filhos pelos pais devotados, em torno dos processos de dor e de angústia, de ocorrências infelizes e de insucessos de qualquer procedência, contribui valiosamente para a harmonia doméstica e a preparação das gerações novas em relação ao porvir.
Provas e expiações são programas estabelecidos pela lei de Causa e de Efeito, para o progresso do espírito, nunca se olvidando que o ser pequenino, assinalado por umas ou outras conjunturas penosas, é viajante antigo do carreiro evolutivo, agora em fase infantil, no rumo do futuro.

Livro Constelação Familiar – Médium Divaldo Franco – Espírito Joanna de Ângelis.

domingo, 16 de junho de 2019

QUEM É MINHA MÃE E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS?


5. Chegando a casa, lá reuniu-se uma multidão tão grande de pessoas que nem mesmo puderam completar sua refeição. Quando seus parentes ouviram isto, saíram para o prender, pois diziam: Ele tinha perdido o espírito.
Entretanto, sua mãe e seus irmãos chegaram, ficando do lado de fora, e o mandaram chamar. O povo estava sentado ao seu redor, e disseram-Lhe: Vossa mãe e vossos irmãos que estão lá fora vos chamam. Mas Jesus lhes responde: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E olhando para aqueles que estavam ao seu redor: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; pois quem quer que faça a vontade de Deus é meu irmão, minha irmã e minha mãe. (Marcos, 3:20 e 21, 31 a 35; Mateus, 12:46 a 50)
6. Certas palavras ditas por Jesus soam estranhas, parecendo contraditórias com sua bondade e sua inalterável benevolência para com todos. Os incrédulos não perderam a oportunidade de fazer disto uma arma, dizendo que Jesus se contradizia. Um fato irrecusável é que sua doutrina tem por pedra angular, por base principal, a lei de amor e de caridade; não poderia destruir de um lado o que tinha estabelecido do outro, de onde é preciso tirar esta consequência rigorosa: que certos ensinamentos estão em contradição com aquele princípio básico porque as palavras que se Lhe atribuíram foram mal reproduzidas, mal compreendidas, ou nem são d'Ele.
7. Causa estranheza, com razão, Jesus mostrar neste caso tanta indiferença para com seus parentes e, além do mais, renegar sua mãe.
Em relação a seus irmãos, sabemos que nunca tiveram simpatia por Ele; espíritos pouco avançados, não compreendiam sua missão.
A conduta de Jesus, conforme entendiam, era esquisita, e os seus ensinamentos não os tinham convencido, já que nenhum deles tornou-se seu discípulo. Parece que, até certo ponto, partilhavam das prevenções dos inimigos d'Ele. O fato é que eles O tinham mais como a um estranho do que como a um irmão, quando se apresentava em família, e São João afirma positivamente: Não acreditavam Nele. (Veja João, 7:5)
Quanto à sua mãe, ninguém poderá contestar sua ternura para com o filho, mas é preciso deixar claro que também ela parecia não fazer uma ideia muito exata de sua missão, pois, ao que se sabe, nunca seguiu seus ensinamentos, nem lhes deu testemunho, como fez João Batista. A atenção maternal era nela o sentimento dominante.
Quanto a Jesus, supor-se que houvesse renegado sua mãe seria desmerecer-Lhe o caráter; tal pensamento não pode ser d'Aquele que disse: Honrai vosso pai e vossa mãe. É preciso, portanto, procurar um outro significado para estas palavras de Jesus, quase sempre encobertas sob forma simbólica.
Jesus não perdia nenhuma ocasião para dar um ensinamento, aproveitou, então, a chegada de sua família para estabelecer a diferença que existe entre parentesco corporal e parentesco espiritual.

EM FAMÍLIA

“Aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família e a recompensar seus pais, porque isto é bom e agradável diante de Deus.” — Paulo. (1ª Epístola à Timóteo, Capítulo 5, Versículo 4.)

A luta em família é problema fundamental da redenção do homem na Terra. Como seremos benfeitores de cem ou mil pessoas, se ainda não aprendemos a servir cinco ou dez criaturas? Esta é indagação lógica que se estende a todos os discípulos sinceros do Cristianismo.
Bom pregador e mau servidor são dois títulos que se não coadunam.
O apóstolo aconselha o exercício da piedade no centro das atividades domésticas, entretanto, não alude à piedade que chora sem coragem ante os enigmas aflitivos, mas àquela que conhece as zonas nevrálgicas da casa e se esforça por eliminá-las, aguardando a decisão divina a seu tempo.
Conhecemos numerosos irmãos que se sentem sozinhos, espiritualmente, entre os que se lhes agregaram ao círculo pessoal, através dos laços consanguíneos, entregando-se, por isso, a lamentável desânimo.
É imprescindível, contudo, examinar a transitoriedade das ligações corpóreas, ponderando que não existem uniões casuais no lar terreno. Preponderam aí, por enquanto, as provas salvadoras ou regenerativas. Ninguém despreze, portanto, esse campo sagrado de serviço por mais se sinta acabrunhado na incompreensão.
Constituiria falta grave esquecer-lhe as infinitas possibilidades de trabalho iluminativo.
É impossível auxiliar o mundo, quando ainda não conseguimos ser úteis nem mesmo a uma casa pequena — aquela em que a Vontade do Pai nos situou, a título precário.
Antes da grande projeção pessoal na obra coletiva, aprenda o discípulo a cooperar, em favor dos familiares, no dia de hoje, convicto de que semelhante esforço representa realização essencial.

Livro Pão Nosso – Médium Chico Xavier – Espírito Emmanuel.